Escuta revela que Celina levantava informações para comprometer Rollemberg

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Corregedoria da Polícia Civil vai apurar apoio de agente e delegado em depoimento colhido pela deputada em seu gabinete

 

Bastidores do gabinete de Celina Leão (PPS), revelados pela escuta ambiental da Operação Drácon, mostram a atuação da deputada em investigações sobre denúncias que poderiam atingir o governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). O material era catalogado em pastas, com documentos e mídias, e municiavam representações encaminhadas ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), à Polícia Federal (PF) e à CPI da Saúde.
Em seu gabinete, Celina concentrava informações e acompanhava os desdobramentos das investigações da CPI da Saúde. Num dos diálogos, Celina comenta as denúncias feitas pela presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues, a respeito de uma suposta extorsão que a sindicalista teria sofrido de integrantes do governo para continuar recebendo repasses descontados na folha salarial de funcionários da Saúde.
A ex-presidente da Câmara tratou do assunto com o ex-braço direito Sandro Vieira. Na conversa, Celina afirma que Marli fez a denúncia à Polícia Civil, mas, durante meses, o diretor-geral, Eric Seba, não tomou nenhuma providência para apurar o caso. Celina, então, diz que ele cometeu o crime de prevaricação — quando uma autoridade pública deixa de praticar um ato a que está obrigado em decorrência do cargo.
O diretor de Comunicação da Polícia Civil, delegado Miguel Lucena, nega omissão por parte de Seba. Segundo ele, o diretor-geral esteve com Marli em novembro de 2015, e determinou ao setor de inteligência a realização de levantamentos para averiguar a denúncia. Concluídas as diligências preliminares, o inquérito foi instaurado em maio de 2016 pela Delegacia de Combate aos Crimes contra a Administração Pública (Decap).
Carlos Vieira/CB/D.A Press - 2/1/15
Corregedoria
Para colher, em seu gabinete, o depoimento de Jefferson Rodrigues Filho, o homem que clonou o celular de Rollemberg, Celina Leão contou com o apoio de dois policiais civis. Como indicam as escutas ambientais, a deputada pediu que o delegado Flamarion Vidal, chefe da 4ª DP, no Guará, indicasse alguém para ajudá-la. O agente Welber Lins Albuquerque, que integrou a equipe de Flamarion, foi destacado para acompanhar a conversa. Jefferson procurou Celina para dizer que tinha informações que comprometeriam o governador.
O procedimento provocou a abertura de uma investigação na Corregedoria da Polícia Civil para apurar a conduta dos policiais civis. Eles serão ouvidos para prestar esclarecimentos.
Ao Correio, Flamarion disse que apenas orientou o agente, sem saber o conteúdo do depoimento. Welber está cedido da Polícia Civil para atuar, com cargo comissionado, como assistente da Assessoria de Técnica da Secretaria de Controle Interno do Ministério da Defesa.
As escutas ambientais permaneceram em funcionamento durante 10 dias, depois da primeira fase da Operação Drácon. Policiais civis e promotores de Justiça, durante as buscas e apreensões, instalaram os equipamentos para que pudessem monitorar as conversas dos deputados investigados.
Celina Leão afirma que sempre é procurada por pessoas que têm interesse em fazer denúncias. “Sou uma deputada de oposição. Recebo denúncias todos os dias e tomo providências”, disse.
Fonte: Ana Maria Campos/Correio Braziliense