ESPECIALISTA DE BRASÍLIA IMPLANTA ANALFABETISMO ZERO EM SÃO PAULO

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    Um em cada dez analfabetos adultos no Brasil mora em São Paulo, Estado

    mais rico da federação, mas que perde apenas para a Bahia na

    comparação do número absoluto de pessoas que não sabem nem ler ou

    escrever um bilhete simples.

    É com esses argumentos que os conselhos municipais de educação do

    Estado estão tentando arrancar dos 645 prefeitos paulistas o

    compromisso de zerar ou diminuir ainda mais o analfabetismo.

    A mestre em Educação Maria José Rocha Lima, moradora de Brasília e

    ex-deputada baiana, é uma das coordenadoras do programa em São Paulo.

    Olhando em termos proporcionais, a situação de São Paulo não parece

    alarmante. O percentual da população adulta analfabeta no Estado é de

    4,7%, taxa baixa se comparada à média brasileira de 10%, mas ainda

    alta se confrontada com indicadores de países como o Chile (3,5%),

    Argentina (2,8%) ou o Uruguai (2%).

    “São Paulo é a unidade mais rica da federação e, apesar das diferenças

    regionais, tem escola em tudo quanto é lugar. Nossos indicadores

    poderiam ser melhores”, afirma Artur Costa Neto, que presidiu a União

    Paulista dos Conselhos Municipais de Educação quando, no ano passado,

    o projeto foi lançado, em parceria com o MEC e com a Undime

    (associação que representa secretários municipais de educação).

    A iniciativa tenta romper com o imobilismo da maioria dos prefeitos de

    São Paulo. Um dado destacado em estudo das pesquisadoras Maria Clara

    di Pierro e Rosilene Vieira, da USP (Universidade de São Paulo),

    mostra que, em 2008, só 68 prefeituras do Estado tinham convênio com o

    MEC no programa Brasil Alfabetizado.

    Essas cidades mantinham 872 turmas de alfabetização em funcionamento,

    atendendo a 15.825 alunos, pouco mais de 1% do total de 1,5 milhão de

    analfabetos paulistas.

    “O MEC prioriza o Nordeste do ponto de vista do apoio técnico, mas não

    há hierarquia no atendimento do Brasil Alfabetizado. Tanto que nossa

    prioridade é aumentar a adesão de municípios em São Paulo. Se o Estado

    onde vivem 10% dos analfabetos do país não se mover, a taxa nacional

    cairá com lentidão muito maior”, afirma André Lázaro, secretário de

    alfabetização do ministério.

    Para mobilizar os prefeitos, os Conselhos Municipais de Educação, a

    Undime e o MEC tem realizado, com financiamento da Unesco, encontros

    em todas as regiões do Estado. Esses eventos têm servido também para

    troca de experiências entre secretários.

    O cronograma do projeto, intitulado “Compromisso São Paulo,

    Analfabetismo Zero”, prevê 12 encontros até abril. O prefeito que, em

    quatro anos, atingir suas metas, ganhará um certificado de município

    sem analfabetismo.

    Um dos desafios que vem sendo colocados nos encontros é o de trazer de

    volta essa população para a sala de aula. Exatamente metade dos 1,5

    milhões de analfabetos paulistas têm mais de 60 anos. Muitos já

    passaram, sem sucesso, por vários cursos de alfabetização.

    “O que temos insistido com os secretários é que essa população tem o

    direito de ser alfabetizada e de completar oito anos de estudo, que é

    a escolaridade obrigatória pela Constituição. Não dá para ter como

    política cuidar apenas das crianças e esperar que o analfabetismo um

    dia acabe naturalmente porque as pessoas morrem”, afirma Costa Neto.

    Para atrair essa população, no entanto, as experiências bem-sucedidas

    mostram que as prefeituras precisam ter papel mais ativo, sem esperar

    que os analfabetos procurem voluntariamente as escolas.

    “Quando os governos inserem os programas de alfabetização de adultos

    em políticas culturais, de geração de renda ou de saúde, os resultados

    são muito melhores. Em muitos casos, a pessoa precisa antes fazer um

    exame de vista e ganhar um óculos, caso contrário, não conseguirá

    estudar. O que tenho enfatizado é que de nada adianta trazer esse

    público mais uma vez de volta à escola se o trabalho não for bem

    feito”, diz André Lázaro, do MEC.

    É preciso implantar este programa no DF.

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