Esplanada: Política virou caso de polícia, diz FHC

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Tucano aponta fraquezas do atual governo e afirma que, com um Executivo inoperante, o Congresso passa a ocupar espaços

FHC:politica“O Brasil foi tão mal governado nos últimos anos que o corte acaba sendo uma consequência disso. O governo está pagando os seus próprios pecados. O problema não é o contingenciamento em si, mas o fato de ser uma operação sem anestesia”, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República.

Em palestra de aproximadamente duas horas em Brasília, na manhã de ontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou que uma série de problemas enfrentados pelo país hoje … entre os quais a necessidade de promover o maior contingenciamento de recursos da história do país, os sucessivos escândalos da Petrobras e a falta de verba para o Financiamento Estudantil (Fies) — são decorrentes dos erros estratégicos cometidos pelo PT ao longo dos últimos 12 anos. “Faltam lideranças políticas hoje no país. A política tem que deixar de ser um caso de polícia para atrair novas lideranças.”

Para FHC, em todos os momentos em que existe um presidencialismo enfraquecido, sem poder, o Congresso percebe isso e tenta ocupar os espaços deixados pelo Poder Executivo. “Mas, como não vivemos em um parlamentarismo, os partidos são fracos e essa ocupação é fragmentada, desorganizada”, disse ele. O tucano lembra que existem 33 legendas e 39 ministérios. “Abandonamos o presidencialismo de coalizão (alianças com base em um programa de governo) para um presidencialismo de cooptação em troca de nacos do Orçamento federal”, criticou.

Convidado especial do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) para proferir a palestra “Brasil, qual o teu futuro?”, o presidente de honra do PSDB disse que nenhum país está fadado a dar certo, e que essa opção só é viável com base nas escolhas feitas por seus dirigentes. Para ele, tanto Lula quanto Dilma cometeram muitos erros ao priorizar as alianças Sul-Sul (África, Oriente Médio e América do Sul) em vez de se alinhar com vetores de crescimento, como Estados Unidos e China. Dessa forma, avalia o tucano, o país acaba perdendo poder de influência na própria região. “De que adianta envolver-se com a Turquia para resolver o problema do Irã se não emite opinião sobre os presos políticos da Venezuela?”, questionou.

Sobre os desmandos na Petrobras, FHC diz que equívocos no planejamento estratégico da estatal, somados à corrupção, deterioraram a empresa. Ele lembrou que, durante o seu governo, resistiu às pressões para a construção de refinarias em locais distantes dos centros consumidores e com pouca viabilidade econômica, como Ceará, Maranhão e Pernambuco. Ao longo do governo Lula, essas obras foram iniciadas, mas as duas primeiras foram abandonadas. “No último balanço da Petrobras, as perdas com a corrupção foram contabilizadas em R$ 6 bilhões, mas os prejuízos por decisões erradas chegaram a R$ 40 bilhões”, disse.

Gravidade
Essa sucessão de erros levou à necessidade do contingenciamento, na visão do ex-presidente. “O Brasil foi tão mal governado nos últimos anos que o corte acaba sendo uma consequência disso. O governo está pagando os seus próprios pecados. O problema não é o contingenciamento em si, mas o fato de ser uma operação sem anestesia. Tem que explicar o que vem depois. Só vemos uma nuvem negra. A situação é muito grave porque se gastou ilimitadamente”, afirmou FHC.

O tucano ainda ironizou a decisão do PT de ir à Justiça contra a propaganda partidária do PSDB veiculada na terça-feira, na qual o ex-presidente disse que “nunca antes na história do país se errou tanto e se roubou tanto em nome de uma causa”. Para ele, ir à Justiça é um direito de todos. “Agora, comparar a compra de votos na reeleição (de 1997, que, segundo ele, foi restrita a um grupo já punido) aos escândalos do mensalão e do petrolão é ridículo. É mostrar que eles não têm resposta para o que está ocorrendo atualmente.”

Fernando Henrique foi questionado sobre as críticas de movimentos antigoverno após a decisão do partido de não pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Não podemos partir do pressuposto de tirar uma presidente da República eleita para colocar uma pessoa sem voto no lugar, pois é antidemocrático.”

 

 
Fonte: Por Paulo de Tarso Lyra, Correio Braziliense

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