EU CONHEÇO BEM A POLÍCIA E OS BOMBEIROS MILITARES DO DISTRITO FEDERAL

4
22

Segunda-feira passada publicamos matéria sob o titulo “Deputado Patrício defende bandeira que poderá aumentar gastos da União e causa mal estar entre GDF, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros”, alertávamos naquela ocasião para o que poderá ser o estopim de uma séria crise entre poderes e instituições tanto federal como local.
Durante os últimos dias fomos bombardeados por e-mails com acusações e até ameaças pessoais. Vários comentaram que eu não entendia nada de polícia ou bombeiro militar.
Hoje, porém voltamos ao assunto.
Conhecendo a história como conheço das duas corporações e dela tendo participado, sei bem do apartheid que existe entre praças e oficiais, escalas de serviços desumanas, a deficiência de moradia  para grande maioria das praças enquanto muitos dos oficiais moram em suntuosas residências, a falta de um bom atendimento médico e psicológico para aqueles que necessitam, as históricas  perseguições, prisões arbitrárias, problemas estes que perduram há décadas.
A única grande vitoria efetiva de que tenho notícia nos últimos anos, foi a extinção do rancho na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros.  Naquela época, oficiais comiam filé enquanto às  praças era servido costela. Na oportunidade, travou-se uma árdua luta para que fosse incorporado ao que chamamos de salários o valor referente à alimentação quando da extinção do rancho.
Muitos dos que aí estão nem conhecem esses fatos que fazem parte da história das corporações que integram. Os mais antigos devem se lembrar de quantas noites em claro passei na tentativa de minimizar a aplicação do RDE e “libertar” policias ou bombeiros presos em quartéis, muitas vezes acompanhado de suas esposas e filhos.
De lá para cá surgiram várias “lideranças” e políticos que em época de campanha prometem de tudo. Promessas simples alimentam o sonho das tropas com o intuito de serem eleitos seja para deputado distrital, deputado federal e principalmente para o governo do Distrito Federal. Uma minoria se projetou e foi eleita, enquanto seus seguidores ficaram pelo caminho, respondendo a inúmeros processos administrativos e judiciais custeando dos próprios bolsos advogados caríssimos, e não foram poucos os que padeceram.
Vêm-me à lembrança no momento, alguns nomes, como os dos ex-deputados distritais, Marco Lima, Naves, Coronel Rajão,  João de Deus e o ex-deputado federal Fraga. Enquanto eles se projetaram politicamente, alguns até no cenário político nacional, a tropa foi ficando para trás e o que era um sonho de melhoria na qualidade de vida, restou apenas o imaginário.
Hoje passados alguns anos vejo nas manifestações dos últimos meses se repetirem várias das mesmas promessas do passado que deixaram marcas profundas em inúmeras famílias de integrantes das duas corporações.

Sabemos que muitos dos que hoje fazem filas seguindo orientações de “lideres” do momento não têm conhecimento do que estou falando, falo dos resultados que geram algumas dessas manifestações: a temida expulsão, a saída forçada dos quadros das corporações, que levam o desespero aos familiares das duas corporações que pagam pelos atos cometidos em defesa da sua cidadania e de melhor qualidade de vida.
Quando publicamos a matéria  com o titulo “Deputado Patrício defende bandeira que poderá aumentar gastos da União e causa mal estar entre GDF, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros”, fizemos um alerta a todos. Pois volto a repetir, já vi e vivi este filme, sei as dificuldades que geraram a todos, sejam pais ou mães de famílias militares que em busca de qualidade de vida pagam altíssimos custos pessoais.
Tudo isso porque infelizmente na legislação vigente, o militar não é considerado por muitos como cidadão pleno, existe entre o militar e o resto da classe trabalhadora um instrumento chamado RDE (Regulamento Disciplinar do Exército) que os rege.
Alguns leitores do Blog afirmaram por meio de comentários que a Constituição Federal é maior que o RDE e, portanto, ao militar é assegurado o direito à livre manifestação, reunião e etc. É óbvio que a Constituição é a Lei maior, mas quem regulamenta neste caso as ações praticadas pelo militares é o RDE que embora considerado ultrapassado, até hoje pode e é aplicado sem dó nem piedade, é a lei. É a lei que temos aí, e como lei ela tem que ser respeitada, infelizmente ainda não foi alterada ou revogada.
A sociedade cobra a segurança pública, pois paga seus impostos e tem o direito constitucional de ter um bom serviço à sua disposição, os policiais e bombeiros militares fazem o que podem dentro dos seus limites, por vezes com o sacrifício da própria vida, infelizmente não lhes é dado o direito de se manifestarem como o fazem os sindicalistas em busca de seus direitos e da cidadania plena, e aí é que mora o perigo, já que de tempos em tempos surgem os novos “lideres locais”, que insuflando as tropas prometem o que sabem não poderão cumprir, esquecem ou tentam esquecer, que  qualquer alteração na legislação específica relacionada à segurança pública, quer traga qualquer tipo de benefício ou não, obrigatoriamente tem que ser federal e não distrital.
Dirão alguns que para alteração da legislação, necessários serão os movimentos, assembleias, reuniões e mais o que for preciso para que as autoridades, sensibilizadas com os gritos, ouçam aos  anseios das tropas e promovam tais modificações.
Muitos dos integrantes das duas corporações se deixam levar, pois aspiram uma melhor qualidade de vida e a cidadania plena. Expõem-se acreditando que receberão em pouco tempo o tratamento sonhado e que outros cidadãos já têm respeitado, dentre eles, o direito à manifestação. E aí surge o preço de sonhar, a aplicação por parte de muitos oficiais e até governadores do temido RDE. É o preço. Enquanto isso os “lideres” seguem seus caminhos de glorias e vitórias pessoais.
Resta-nos uma última observação. Pensem, reflitam e decidam. Não se deixem levar ou serem usados como bucha de canhão da guerra surda que hoje é travada entre oficiais R2 e oficiais oriundos das academias, praças que detêm cursos superiores contra praças que não puderam estudar, a guerra histórica entre praças e oficiais. Não se deixem usar mais uma vez por uma minoria que só olha para o próprio umbigo.
Quanto aos palavrões e as ameaças feitas nas redes sociais e e-mails enviados contra o titular desde blog só nos resta dizer que, embora não sejam minhas as palavras, repasso a todos. “O palavrão é a arma usada pelos incompetentes para prevalecer a autoridade da força dos ignorantes.”

FONTE: BLOG DO SOMBRA

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui