EXCLUSIVO: JOAQUIM RORIZ FALA AO BLOG DO DONNY SILVA

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Estive na residência do ex-governador Joaquim Roriz no Park Way e por quase duas horas conversamos muito sobre vários temas. Em entrevista exclusiva ao blog, Roriz fala de seu passado, de suas alegrias, dificuldades, perdão e também de seus adversários políticos. Ele estava tranquilo, feliz e com um semblante de quem já ultrapassou todas as dificuldades que a vida lhe impôs em sua longa carreira política sem nunca ter perdido uma só eleição que disputou. Roriz viajou para descansar e retorna em janeiro com fôlego e disposição para se lançar de corpo e alma em mais uma disputa ao governo do Distrito Federal. Meses atrás, o ex-governador deu uma entrevista em que afirmou que Arruda não seria candidato.Teria sido uma profecia, ou o ex-governador sabia demais? Mas pelo visto, o único governador do DEM no Brasil não será mesmo candidato à reeleição. Mas Roriz evitou falar sobre o momento que José Roberto Arruda está passando. Mas cá entre nós: havia sim um sorrido maroto de quem viu todos os seus adversários políticos e traidores de plantão, caírem um a um no episódio da corrupção envolvendo integrantes do DEM e de outros partidos, além de aliados.

Blog – Conte-nos um pouco sobre sua vida, sua família, sua juventude em Goiás.

Roriz: Sou de Luziânia, menino que gostava de ouvir as conversas políticas de meu pai e seus amigos sobre a política em Goiás, no Brasil. Então, a política é algo que eu vivo e gosto desde criança. Cresci ouvindo histórias de políticos como Pedro Ludovico, Juscelino Kubitscheck e outros. Minha família tem origem no trabalho com o gado. Conheço a região de Brasília desde os tempos em que fazia a invernada com os bois do meu pai, nas terras que hoje se chama Águas Claras, que pertencia aos meus pais. Então, posso dizer que conheço bem Brasília, muito antes dela ser a capital do nosso país.
Blog- Como o senhor se envolveu na política partidária?

Roriz: Como lhe disse antes, costumava ficar sentado ouvindo as histórias políticas de Goiás, de Luziânia e região, enfim, de política. Mas nos tempos de Juscelino, na juventude do antigo PSD, procurei me inteirar mais de perto. Depois de 1964 entrei no antigo MDB, depois no PMDB. Cheguei a ser fundador do PT, um partido que na época tinha novas propostas, mas seus líderes não queriam fazendeiros no partido… Posso dizer que a minha carreira política está intimamente relacionada com o PMDB, onde fiquei a maior parte de minha vida política partidária. Mas hoje estou no PSC, o Partido Social Cristão, com quem me identifico plenamente porque é cristão e se preocupa com o social, que sempre foi a preocupação dos meus governos.
Blog- E sempre teve o apoio de D. Weslian? Como vê a participação da família na vida do homem público?

Roriz: A Weslian sempre esteve ao meu lado, graças a Deus! Nos momentos bons e nos momentos ruins. É uma companheira de vida. No ano que vem faremos 50 anos casados, o que emociona e me deixa orgulhoso e agradecido a Deus por tê-la colocado em meu caminho, ainda jovem. Um político precisa que sua família o apóie nessa atividade, que é muito sacrificante para a família. Sem o apoio da família as dificuldades serão maiores.
Blog – O senhor governou o Distrito Federal por quatro vezes. Que melhorias o senhor destaca de suas administrações?

Roriz: Não é uma pergunta fácil de responder. Afinal, são 14 anos de governo, dos quais 8 anos corridos, sem interrupção. Fiz várias obras físicas, como os 14 viadutos, a Ponte JK, Corumbá IV, o Museu e a Biblioteca Nacional etc. Mas para mim, a grande obra é a obra social. Criei 9 cidades, transferi pessoas que viviam em condições sub-humanas no Plano Piloto e lhes dei dignidade, moradia, assistência social. Isso é um bem incalculável na vida de uma pessoa. Essa é a maior obra que fiz em 14 anos.

Blog – No episódio que culminou na sua renúncia ao mandato de senador, o senhor ficou com mágoa de alguém?

Roriz: Deus me preservou desse sentimento. Mas, afastado da atividade política, pude conhecer melhor os homens.
Blog – Falando em traição, o senhor foi traído pelo seu então vice- governador Benedito Domingos, que decidiu abandoná-lo e concorreu ao GDF em 2002, e acabou ficando sem mandato. Também foi traído por Arruda (DEM), Gim (PTB) e por último, Tadeu Filippelli (PMDB), fatos amplamente conhecidos no DF. De todas estas traições políticas, qual a que mais doeu?

Roriz: Como lhe disse antes, não guardo mágoas. Olho sempre pra frente. Até porque sei que a população, o povo de Brasília, sabe quem me traiu e quem está ao meu lado. E na hora certa saberá dar a resposta adequada nas urnas.

Blog – Por que o senhor deixou o PMDB e abraçou o PSC?

Roriz: Saí do PMDB porque não vi mais nele aquele PMDB de Juscelino, de Tancredo Neves, de Ulysses Guimarães. O PMDB se apequenou. A atual direção nacional e a local fizeram coisas erradas. Qual a explicação que essas direções têm para afastar um pré-candidato que tem 41% das intenções de votos, mesmo recolhido na fazenda, e que foi governador por quatro vezes, três delas eleito pelo povo? Deixo a pergunta para seus leitores.
Blog – O senhor acha que terá mais uma oportunidade de governar o Distrito Federal? Por quê?

Roriz: Acredito que sim, se Deus assim o quiser. As pesquisas indicam que o meu nome ainda é muito bem avaliado pela população. Acredito que o trabalho realizado nesses 14 anos de vida pública em Brasília deixou algumas sementes, especialmente nos segmentos mais carentes da população. As pesquisas dizem isso.
Blog – Quais são seus planos para o futuro do DF, caso seja eleito governador em 2010?

Roriz: É claro que, faltando ainda um ano para a eleição, eu sou apenas um pré-candidato, até porque respeito as leis do meu país. Mas entendo que precisamos discutir mais a fundo a questão territorial do Distrito Federal, que no meu entendimento está esgotado. Não há mais espaço para novas indústrias, para o comércio, para a construção de equipamentos públicos. Defendo a ampliação do quadrilátero do DF dos 5.800km quadrados para o tamanho original da Missão Cruls, de 15.400km. Mas não é uma simples ampliação. É um projeto que inclui a construção de um aeroporto de cargas internacional, de uma área industrial que gere emprego, de um sistema ferroviário ágil, moderno.
Blog – Em 1990, o senhor deixou o PMDB (que estava criando atritos) e migrou para o então pequenino PTR (hoje, PP) e se elegeu no primeiro turno e ainda fez 14 deputados distritais, 4 deputados federais e 1 senador. Poderá o PSC repetir a história em 2010?

Roriz: Acredito que sim porque os motivos que me levaram a sair do PMDB, como disse antes, me dão a certeza de que a maioria da população não apóia a postura de políticos que fazem negócios. O desafio é grande, sem dúvida, mas estamos nos preprando para enfrentá-lo, com poucos recursos, mas com muita garra e vontade de mudar a atual situação do Distrito Federal.
Blog – Como o senhor avalia a saída do deputado Júnior Brunelli do DEM e seu ingresso no PSC, e a saída de sua filha Jaqueline Roriz, do PSDB para o PMN?

Roriz: Avalio como altamente positivas. Jaqueline, minha filha, não poderia continuar na base do atual governo, embora tenha enorme admiração pelo presidente FHC, do PSDB. Mas a situação ficou insustentável e ela me deixou muito orgulhoso porque a iniciativa foi dela. Quanto ao Brunelli, posso dizer que se trata de um político jovem, novo, ousado e que já tem muita experiência na política. Tomou uma atitude corajosa, que poucos políticos adotariam. Mostrou grandeza, e a verdade dos fatos aparecerá.

Blog – O senhor sempre teve muito apoio das igrejas evangélicas e católicas, e muitos já demonstram que o apoiarão nas próximas eleições. Como o senhor analisa este apoio?

Roriz: Com muito orgulho e alegria. Me sinto muito honrado em ver esses dois importantes segmentos cristãos se manifestando a meu favor. É mais uma demonstração que nas minhas administrações o espírito cristão de solidariedade, de amor ao próximo, prevaleceram e foram reconhecidos por aqueles que têm uma missão divina especial.
Blog – É notório que o senhor trouxe para Brasília muitas empresas. O senhor criou áreas de desenvolvimento econômico muito importantes, e que hoje geram milhares de empregos e milhões em impostos. Também implantou o Metrô, construiu estradas, ruas e viadutos, criou cidades, doou lotes para as pessoas carentes e fez o entorno do DF desenvolver. De onde veio a visão?

Roriz: Brasília é a capital do nosso país. Deve, permanentemente, ser modelo de desenvolvimento para todo o Brasil. O que fazemos aqui tem repercussão nacional. Então, dentro das minhas limitações, busquei fazer o melhor para a cidade e o seu povo. Melhorei o trânsito, preservei o Plano Piloto, fiz o PRO-DF e gerei empregos.

Blog – Dá para acreditar em todas as pesquisas?

Roriz: Em algumas pesquisas feitas por institutos sérios, sim. Mas não dá para acreditar em pesquisas que são manipuladas e tem a intenção de convencer, pela repetição de números falsos, a opinião pública. Aí tá errado e não dá para acreditar.

Blog – Como o senhor vê o governo do DEM?

Roriz: O governo do DEM no Distrito Federal é um governo que privilegia a minoria, que maltrata o povo. Derruba casas de quem só tem aquela moradia; derruba igrejas, demite pessoas sem razão. Não gosto do modo de agir desse governo. Não tem Planejamento. A Saúde, então nem se fala. Tem dinheiro sobrando em banco e falta remédio, falta maca, não tem médico. É um absurdo o que estão fazendo com a Saúde no Distrito Federal. Além disso, há a questão da segurança, ou melhor, da insegurança que se vive hoje em Brasília. O trânsito está um caos. Então, não gosto desse governo. Definitivamente não gosto.
Blog – O senhor acha que Arruda tem condições de buscar a reeleição ou de ser candidato ao Senado?

Roriz: Eu penso que não. Tenho até dúvidas de que ele será mesmo candidato. Mas esse é um problema dele. O meu eu já resolvi. Sou pré-candidato ao governo do Distrito Federal. Não sei se ele pode dizer o mesmo.
Blog – O deputado federal Laerte Bessa tem se mostrado um forte aliado. Chegou à sair junto com o senhor do PMDB, em gesto de total solidariedade ao nome. Em sua opinião, qual será o futuro de Bessa em seu eventual quinto governo?

Roriz: O Bessa é uma pessoa fantástica. Um companheirão! Saiu do PMDB em solidariedade a mim. Esse tipo de gesto é inesquecível e mostra a grandeza de uma pessoa. Já foi o chefe da Polícia Civil no meu último governo e certamente será muito bem aproveitado no futuro governo para enfrentar novos desafios, se Deus assim o permitir.

Blog – Que recado o senhor passaria aos empresários e profissionais liberais que atuam no DF?

Roriz: Uma mensagem de paz, se tranqüilidade, de segurança de que seus investimentos na cidade serão rigorosamente respeitados. Eles sabem como eu governo, sabem que administro com seriedade, promovendo o empresariado que gera empregos, que cria oportunidades de trabalho.
Blog – Em Goiás, Íris Resende será candidato ao governo. No DF, o senhor lidera a maioria das pesquisas. Eleitos, os senhores farão novamente a dobradinha para ajudar a desenvolver o Entorno do DF?

Roriz: Claro que sim. Tenho uma longa relação de amizade com o Iris Resende. Já trabalhamos juntos a favor de Goiás e de Brasília. Ele tem um elevado espírito público. Não vejo problema nenhum em continuarmos essa parceria. Recentemente estive em Goiânia e ele me chamou de “irmão da política”. A sintonia é muito boa.
Blog – Que mensagem que o senhor deseja transmitir neste Natal aos moradores do DF e Entorno?

Roriz: Uma mensagem de paz, de amor ao próximo, de congraçamento, de união de todos os brasilienses. E de que no próximo ano estaremos numa jornada vitoriosa para melhorar a qualidade de vida do povo de Brasília e do Entorno.

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