Estudos mostram que 83% dos brasileiros consomem pratos típicos, mas dados do IBGE apontam desigualdades regionais no acesso à alimentação
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A gastronomia brasileira é um reflexo direto da diversidade do país, em que tradições indígenas, africanas e europeias se encontram. Cada uma das cinco regiões – Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul – apresenta pratos típicos que carregam histórias, costumes e ingredientes ligados à cultura local. Explorar esses sabores é também compreender a identidade regional que compõe o Brasil.
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Norte: influência indígena, peixes de rio e ingredientes amazônicos.
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Nordeste: temperos fortes, frutos-do-mar e herança africana.
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Centro-Oeste: uso de carnes, pequi e tradições pantaneiras.
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Sudeste: diversidade imigrante e pratos que vão da roça ao litoral.
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Sul: churrasco, colonização europeia e sabores coloniais.
Consumo
Uma pesquisa encomendada pelo aplicativo 99Food, em parceria com os institutos Datafolha e Ipsos, revelou que 83% dos brasileiros afirmam consumir pratos típicos de seus estados. O levantamento, realizado em 2021, mostrou que o Nordeste aparece como a região com maior ligação com sua gastronomia, com 93%, seguida pelo Sul, com 87%. Os entrevistados indicaram ainda que 41% veem a comida regional como forma de valorizar a cultura local, 29% disseram que ela os conecta com familiares e 28% afirmaram que preservar tradições alimentares mantém vivas suas raízes.
Outro estudo, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, da USP, iniciado em 2020, aponta que os hábitos alimentares dos brasileiros variam conforme região, escolaridade e renda.
Regiões
No Norte, a mandioca está presente em pratos como tacacá e farinha, além do consumo de peixes como tambaqui e pirarucu. O açaí é outro alimento regional de grande importância. Segundo estudo do Nupens, houve queda no consumo domiciliar de alimentos regionais entre 2002 e 2018, incluindo produtos típicos dessa região.
No Nordeste, o acarajé, a moqueca, o baião de dois e o cuscuz são símbolos da culinária local. A pesquisa do 99Food destacou o cuscuz como uma das receitas mais consumidas pelos moradores.
O Centro-Oeste valoriza ingredientes como pequi, guariroba e peixes do Pantanal. A galinhada e o arroz com pequi estão entre os pratos mais preparados.
No Sudeste, destacam-se o pão de queijo mineiro, a feijoada no Rio de Janeiro, a moqueca capixaba e as influências italiana e japonesa em São Paulo. Essas preparações convivem com a vida urbana e aparecem tanto em restaurantes como em versões adaptadas ao dia a dia.
O Sul tem como referência o churrasco, o barreado paranaense e pratos de origem europeia, resultado da colonização alemã e italiana.
Modernização
Receitas tradicionais, antes feitas em fogões a lenha ou panelas de barro, vêm sendo adaptadas a equipamentos atuais. O forno elétrico é usado para preparar pratos típicos, como peixes assados do Norte ou versões gratinadas de receitas regionais. Essa adaptação facilita o preparo em centros urbanos, sem afastar os consumidores das tradições regionais.
Desigualdades
A PNAD Contínua do IBGE mostrou que houve melhora na segurança alimentar entre 2018 e 2023, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Em 2023, 72,4% dos domicílios brasileiros estavam em situação de segurança alimentar, ou seja, com acesso a alimentos em quantidade e qualidade suficientes.
As diferenças regionais permanecem evidentes. No Sul, 83,4% dos domicílios estavam nessa condição; no Sudeste, 77%; no Centro-Oeste, 75,7%; no Nordeste, 61,2%; e no Norte, 60,3%.
Os dados indicam que, embora a gastronomia regional seja valorizada, ainda existem barreiras econômicas e sociais que limitam o acesso de parte da população a ingredientes e preparações típicas.

