Gim fez “vaquinha” entre empresas envolvidas no escândalo da Petrobras

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Ontem, o ex-senador prestou depoimento à Polícia Federal em Curitiba, mas nada esclareceu

Heuler Andrey/AFP - 13/4/16

O lobista Júlio Camargo disse à Procuradoria-Geral da República que o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) pediu R$ 5 milhões de cada empreiteira que não desejasse ser convocada para CPIs da Petrobras no Congresso. Em três reuniões com ele, o ex-parlamentar — preso na 28ª fase da Operação Lava-Jato — afirmou que buscaria recursos com sete construtoras: Odebrecht, UTC, Toyo Setal, Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Engevix. Se conseguisse a empreitada, Gim arrecadaria pelo menos R$ 35 milhões, mas há informação de que a propina poderia chegar a até R$ 50 milhões (leia mais na coluna Eixo Capital, na página 23). Ao menos oficialmente, ele conseguiu R$ 7 milhões das primeiras três.

O objetivo seria bancar a campanha do ex-governador José Roberto Arruda (PR) ao Palácio do Buriti em 2014. “Gim Argello sairia como vice-governador de José Roberto Arruda”, disse Camargo em depoimento à PGR. Segundo Júlio Camargo, a Andrade Gutierrez era uma das empresas preocupadas com a CPI. Ela doou outros R$ 712 mil para a campanha do próprio ex-senador.

Como mostrou o portal do Correio na sexta-feira, o lobista disse ter entregue R$ 200 mil em dinheiro vivo para Gim. O publicitário Paulo Roxo, preso na 28ª fase, mas solto depois, disse à PF que foi o emissário dos valores em espécie, mas que se tratavam de euros. Ele afirmou que foi ao Rio de Janeiro, recebeu o envelope com 200 mil euros e os levou de volta a Gim.

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Silêncio
Ontem, o ex-senador prestou depoimento à Polícia Federal em Curitiba, mas nada esclareceu. “A defesa só vai se pronunciar mais à frente”, justificou o advogado dele, Marcelo Bessa. Ele negou ao Correio que o silêncio de Gim seja uma estratégia para deixar aberta a porta para uma futura delação premiada.

Do valor pleiteado, Gim conseguiu R$ 5 milhões da UTC, que foram distribuídos entre a campanha de Arruda e de parlamentares aliados. O dono da empreiteira, Ricardo Pessoa, disse que pagou ao ex-senador para evitar a convocação. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que parte das empresas citadas doaram para os aliados do ex-senador. A Odebrecht doou R$ 170 mil para o PR, que repassou o dinheiro a Arruda. A Toyo Setal, ligada a Camargo, doou R$ 1,9 milhão.

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Fonte: Correio Braziliense

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