Governo ‘não respeita as leis da economia’, diz senador Oriovisto sobre Petrobras

Em participação no programa ‘Os Três Poderes’, Oriovisto Guimarães afirma que contrariar interesses dos acionistas ‘não é legítimo”.

O senador Oriovisto Guimarães (PODE/PR) foi o convidado da live de Os Três Poderes na sexta, 15. O parlamentar criticou durante a semana a política intervencionista do presidente Lula na Petrobras e voltou a fazer isso durante o programa de VEJA. Para Guimarães, Lula repete os passos de Jair Bolsonaro ao tornar a estatal refém de uma política populista que tem por objetivo melhorar a popularidade cambaleante do governo e “tem uma concepção de economia equivocada”.

“De novo o governo Lula tem uma concepção de economia extremamente equivocada. Não respeita as leis da economia e acha que pode por sua própria vontade fazer com que as coisas funcionem como ele quer”, afirmou o senador a VEJA. “Eu acho totalmente indevida essa intromissão”, acrescentou.

Guimarães também ressaltou que o governo deve saber separar a popularidade do presidente dos interesses dos acionistas da petroleira. “Investidor é simplesmente investidor e ele quer ter simplesmente investidor e ele quer ter lucro no seu investimento, ele quer ter distribuição de lucro, quer que a ação se valorize”, afirmou.

“Quando o governo faz política com a Petrobras, ele não está atendendo aos interesses dos acionistas, ele está atendendo aos interesses da popularidade presidencial. E isso é caótico. Nós já fizemos isso no passado e o resultado foi o pior possível ”, acrescentou o senador.

Oriovisto criticou o que chamou de “desvio de finalidade” da Petrobras por parte do governo Lula e disse que contrariar os interesses dos acionistas da empresa “não é legítimo”. “Qualquer coisa numa empresa, seja ela pública ou privada, que vai no sentido contrário aos interesses dos acionistas não é legítimo. [Isso] faz com que as ações despenquem e pode, inclusive, ser motivo de processo e até de prisão por ação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)”, reiterou. “Isso não seria legítimo nem se ela fosse 100% privada”, apontou.

Oriovisto também disse que o Congresso tem feito seu papel no que diz respeito ao tema e que “já há um convite na Comissão de Assuntos Econômicos para que Prates” explique “algumas coisas para nós”. “Se ele não aceitar, ele será convocado. Dentro dos limites da lei nós estamos pressionando, nos manifestando politicamente e fazendo aquilo que a lei permite que a gente faça nesse momento”, ponderou.

Por fim, o senador voltou a dizer que Jair Bolsonaro também interferia na Petrobras quando estava no poder “porque queria baixar o preço da gasolina e do gás de cozinha na marra” e “fazia isso porque queria ser candidato e a popularidade dele precisava aumentar”. “Isso era bom pra ele, mas era péssimo para a Petobras e péssimo para os acionistas”, disse, acrescentando que a suposta interferência é feita por políticos de todos os espectros.“

Os políticos, sejam de direita ou de esquerda, isso não muda, tendem a usar as empresas estatais na sua promoção pessoal. Eles adoram permanecer no poder e não exitam em contrariar os interesses uma empresa estatal para se autopromover. Isso é um absurdo. A Petrobras tem sido historicamente mal tratada, todos os governos interferem”, finalizou.

Críticas anteriores

Nas críticas ao governo, Oriovisto citou as sucessivas trocas de comando na Petrobras na gestão passada e fez uma analogia com o atual governo. “O que o Bolsonaro fez? Derrubou quantos presidentes da Petrobras, vocês se lembram? Derrubava um por dia quase. Porque queria que a Petrobras não aumentasse o preço da gasolina, porque teria eleição e ele precisava ganhar. O Lula está fazendo exatamente a mesma coisa. A popularidade dele está caindo. Ele quer, então, que a Petrobras venda gás de cozinha mais barato, venda combustível mais barato. É um erro terrível. Você não vai beneficiar o povo fazendo esse tipo de política. Pelo contrário, você vai arruinar a Petrobras”, diz Oriovisto.

A estatal, lembra o senador, segue a lógica do mercado, concorre no mercado e não tem acionistas para que o dinheiro de investidores seja usado por Lula para “fazer política”. A estatal, segue o senador, perde credibilidade no mercado quando sofre aparelhamento do governo e bloqueia o pagamento de dividendos, por exemplo. O senador também repercute as falas de Lula que cobrou acionistas sobre as pessoas que passam fome.

“A Petrobras fica desacreditada enquanto empresa e no mercado não tem espaço para a política. O mercado não é nem ético nem antiético. O mercado obedece leis econômicas, lei da oferta e procura. Cada cidadão vai colocar o seu dinheiro onde mais render, não é? Agora não. Eu tenho que colocar meu dinheiro na Petrobras, que não vai pagar dividendo ou uma ação que, por não pagar dividendo, começa a desvalorizar. Eu vou perder dinheiro para que o Lula possa fazer política com a Petrobras?”, diz Oriovisto.

Sobre o programa de VEJA

O programa Os Três Poderes tem apresentação do editor Ricardo Ferraz e comentários dos colunistas Robson Bonin, Marcela Rahal e e Matheus Leitão.

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