Governo perde o seu líder

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Relação já sofria desgaste, mas gota d’água pode ser escolha para o TCDF

 

Wasny, de saída: deputado admite falta de respaldo político até na hora de votações

 

O Governo do DF terá um novo líder na Câmara Legislativa. O atual, deputado Wasny de Roure (PT), solicitou desligamento do cargo, alegando motivos de saúde. Entretanto, segundo os parlamentares, há tempos o distrital já vinha se desgastando com o Buriti. A gota d’água teria sido a indicação do deputado federal Paulo Tadeu (PT) para a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Desde o início do ano, Wasny tem trabalhado para conseguir indicação ao posto e teria se sentido preterido. …

“Fiz esta solicitação porque tenho sentido minha saúde fragilizada, tenho passado por momentos de cansaço. A última semana foi bastante trabalhosa e o fim do ano promete mais trabalho, com a vinda de projetos como o PPCUB, LUOS, IPTU, IPVA, a Lei Orçamentária. Estou, portanto, em uma situação em que preciso cuidar da minha saúde”, falou Wasny sobre o motivo do pedido, feito à assessoria do Governo do DF na Câmara.

FALTA DE TEMPO

O deputado justifica a saída também pela falta de tempo para cumprir compromissos externos, como as visitas às cidades do DF. Segundo  Wasny, ele tem sido cobrado pelos eleitores. “Sempre fui uma pessoa de andar bastante nas cidades, para verificar os focos dos problemas e olhar as questões de cada cidade. Não posso deixar isso de lado”,  ponderou, sem esconder o descontentamento.

Um exemplo, lembrou Wasny, ocorreu na última votação para aprovação do reajuste da Contribuição de Iluminação Pública (CIP) e isenção do pagamento a 420 mil moradores do DF. “Precisávamos de 16 deputados para aprovar a isenção, que era o ponto positivo do projeto, mas quase não conseguimos. O que adianta você fazer o que o governo quer, construir relações, se na hora de votar não consegue? Isso é ruim”, lamentou.

Wasny começou a carreira politica na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), como presidente da associação de servidores. Foi eleito deputado distrital pela primeira vez em 1990, e secretário de Fazenda no governo Cristovam, em 1995. De 2003 a 2006 assumiu mandato de deputado federal e, em 2010, foi eleito pela quarta vez para a Câmara. Ir para o Tribunal de Contas seria fechar a carreira política. No entanto, como o Jornal de Brasília mostrou na edição de ontem, Agnelo já teria se fixado no nome de Paulo Tadeu, embora o deputado negue ter recebido o convite.

FUNDO CONSTITUCIONAL

Outro ponto decisivo para a saída de Wasny teria sido a aprovação do requerimento que convoca o gestor do Fundo Constitucional do DF para prestar esclarecimentos sobre a distribuição dos recursos, a pedido das polícias Civil e Militar, e do Corpo de Bombeiros. O deputado foi o único petista a votar o pedido. A atitude também teria estremecido a relação do deputado com o governo. “Des – de que o fundo foi criado sempre discuti o assunto. Ia aos ministérios, à Casa Civil, e a categoria aprendeu a me respeitar e não seria justo deixar de discutir o caso. Tenho mostrado minha lealdade ao governo em coisas muito maiores. O governador não me ligou, mas pode ter ficado chateado. Porém, eu também tenho um mandato”, observou o deputado.

No pedido de afastamento, Wasny teria indicado dois possíveis nomes para assumir o cargo de líder do Governo: Cláudio Abrantes (PPL) e Arlete Sampaio (PT). “Precisaria ter muita conversa, pois assumir a liderança de governo é uma tarefa difícil e dura. O líder precisa ter instrumentos para fazer seu trabalho,  acesso ao governador, às secretarias, participar das decisões, para desempenhar bem as atividades. Nestas condições poderia assumir”, assegurou Cláudio Abrantes.

A petista Arlete Sampaio, que nunca escondeu a vontade de assumir a presidência da Câmara Legislativa, garante que, se for convidada, assumirá o cargo. “Está faltando diálogo do governador com a bancada. Temos dois candidatos ao TCDF, Wasny e Chico Leite, e tomar uma decisão sem comunicar os pares pode frustar a expectativa dos deputados. Apoio Paulo Tadeu, mas não aconselharia sua ida para o cargo”, criticou a distrital.

Por Camila Costa

 

Fonte: Jornal de Brasília

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