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    GRAVAÇÃO DERRUBA TESE DE CRIME ELEITORAL, ADMITE ARRUDA

    Deu em O Estado de S. Paulo

    Gravação derruba tese de crime eleitoral, admite Arruda

    Conversa de outubro de 2009 não se encaixa na versão de que acusações são ligadas à campanha de 2006

    De Leandro Colon:

    Preso na Superintendência da Polícia Federal desde o dia 11 de fevereiro, o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), confidenciou às visitas que tem recebido em sua cela que cometeu um erro grave durante as investigações do chamado “mensalão do DEM”: ter orientado Durval Barbosa, em diálogo gravado no dia 21 de outubro passado, a distribuir propina a políticos aliados.

    Arruda teria admitido que isso foi “um vacilo” porque sabia que Barbosa – delator do esquema – poderia gravar a conversa, ocorrida na residência oficial do governo.

    O governador afastado e seus advogados consideram essa conversa – gravada com o aval da Polícia Federal – o elemento complicador no inquérito conduzido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

    O fato derruba a versão de que as acusações são relacionadas à campanha de 2006 e não passariam de crime eleitoral. O diálogo seria a prova da existência de um esquema de corrupção no governo.

    Na conversa, Arruda pergunta a Barbosa: “Aquela despesa mensal com político sua está em quanto?” E completa: “Deixa eu te perguntar, nesse valor aqui de nove, novecentos… novecentos e noventa e quatro, você já pegou a sua parte?” Num determinado momento da conversa, ao falar sobre a entrega do dinheiro a deputados, Arruda pede: “Tem que unificar tudo!”

    Numa reunião em setembro, antes de aceitar a delação premiada que o levaria a revelar o esquema, Barbosa, então secretário de Relações Institucionais do governo, discutiu com Arruda como resolver sua situação nas dezenas de processos a que responde na Justiça.

    Em troca, o governador tentava acertar com Barbosa uma saída eleitoral para justificar o vídeo em que recebe R$ 50 mil das mãos dele.

    A solução foi o recibo de suposta compra de panetones para o Natal da população pobre a fim de justificar aquele dinheiro.

    O recibo foi considerado forjado pelo Ministério Público Federal, que denunciou o governador por falsidade ideológica. Dias depois, Barbosa decidiu colaborar com a Justiça e revelar o esquema do “mensalão do DEM”.

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