GRUPO QUE ARREMATOU A FAZENDA DE CANHEDO, TEM MENOS DE R$600 NA CONTA DA EMPRESA

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    110 mil cabeças de gado.

    O Grupo Conagro, que arrematou na semana passada a fazenda Piratininga, do dono da Vasp, Wagner Canhedo, tem menos de R$ 600 na conta da empresa. Até ontem, dia 30 de novembro, a empresa contabilizava R$ 535,25.

    O valor foi revelado pelo Banco Central em função da penhora online requerida pela juíza auxiliar de execução do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, Elisa Maria Secco. Além da conta da empresa, a magistrada pediu os dados das contas do diretor do grupo Conagro, Francisco Gerval Garcia Vivoni e da mulher dele, Andrea Cristina Nalim Garcia. Ela somava R$ 880,19 enquanto Vivoni não tinha movimentação.

    “Recebi essa informação com indignação. Ou seja, juntas, as contas chegam a um valor de R$ 1,4 mil. Como é que ele ia pagar o primeiro cheque, de R$ 64,5 milhões? Foi uma fraude mesmo, disso não se tem dúvida”, afirma Francisco Gonçalves Martins, advogado que atua em favor do Sindicato dos Aeroviários.

    A fazenda havia sido leiloada no último dia 22 pelo preço mínimo de R$ 430 milhões. A empresa Conagro emitiu um cheque no valor de R$ 64,5 milhões – 15% do preço mínimo. Mas o cheque foi sustado dois dias depois.

    Sede da fazenda: orgulho de Wagner Canhedo e símbolo de amargura para os funcionários da Vasp

    RELATO

    São 11 horas quando a sirene toca para avisar que o almoço está servido. Lentamente, os funcionários que dão expediente na sede administrativa da fazenda se deslocam para o refeitório. São cerca de 15 pessoas que chegam a pé, de bicicleta ou carro. O zunzunzum que logo toma conta do ambiente gira em torno de dois assuntos: o calor que há meses castiga a região e o leilão da propriedade, marcado para esta quarta-feira, 24, em São Paulo.

    Com 252 mil hectares, 110 mil cabeças de gado e 100 mil metros quadrados de área construída, a Piratininga é considerada uma das maiores e mais produtivas fazendas do Brasil. Alguns anos atrás, metade dela foi penhorada pela Justiça para pagar quase R$ 1 bilhão em dívidas trabalhistas que seu proprietário, o empresário Wagner Canhedo, deixou penduradas com a falência da Vasp, em 2008.

    A expectativa causada pelo leilão rachou os funcionários da fazenda e trouxe esperança para aqueles que ainda esperam receber dinheiro da companhia aérea. “A decisão da juíza me pegou de surpresa, a fazenda ainda tem pendências judiciais”, disse Canhedo ao iG por telefone após a reportagem ser publicada e tentando não demonstrar preocupação com a venda.

    Sede da fazenda possui estrutura de hotel.

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