HEMOFILIA NO DF: TAL QUAL OS HORRORES DE AUSCHWITZ?

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Editorial de O Distrital

 

Há algum tempo, ouvi de uma criança como era bom correr. Que criança daria tanta importância para o exercício? Todas, mas apenas uma reconheceria isso em frase: um hemofílico. Imaginem o que deve ser a vida de um guri que só pode assistir os colegas brincando, mas não pode participar. Que fica sob vigilância 24 horas por dia, que não consegue fazer nada que uma criança normal pode fazer… Era assim que os pacientes do Distrito Federal viviam no passado, até virarmos referência no tratamento da doença, título que seguramos até o ano passado. Foi, inclusive, nessa época que ouvi o testemunho do garotinho.

Tenho medo de reencontrar esse meu pequeno amigo. Medo porque não sei o que ele me falaria agora. É que desde o início da atual gestão, famílias de milhares de pacientes que dependem da profilaxia para garantir uma vida normal não têm sossego. Não digo por falta do remédio, que o próprio procurador do MPF, Marinus Marsico, nos garantiu não ocorrer. Digo pela falta, além de competência, de hombridade desses gestores que aí estão.

Depender de um remédio para manter a vida normal é uma tormenta na vida de qualquer pessoa. Agora imaginem saber que o remédio existe, que foi comprado, mas que por problemas meramente de gestão, poderão apodrecer nas prateleiras, enquanto milhares de crianças deixam de correr, de brincar e vivem, acordados, pesadelos diários com as famílias. O Hemocentro, que serviria como apoio a quem possui alguma hemopatia, vira as costas aos pacientes que dependem dele. Receitas são ignoradas e quantidades do medicamento são distribuídas abaixo do recomendado.

Recebo, quase que diariamente, em busca de ajuda, dezenas de pais de pacientes que dependem do medicamento para manter estável a doença.  A atual gestora do Hemocentro, que deveria ser a procuradora da causa, vive no mundo da fantasia, como se estivesse na era de Sputnik. Acredita que está tudo sob controle e despreza o testemunho de centenas de pacientes que se agoniam, sem saber o que acontecerá nos próximos dias com o quadro do jeito que está.

A hemofilia é uma doença que não ataca apenas o paciente. Ela dói na família, nos amigos e até em pessoas que têm o mínimo de respeito à vida. O que assusta é que até o fim do ano, tudo estava sob controle. Talvez a gana por poder e por dinheiro tenha cegado a solidariedade e o pensamento voltado ao próximo. Dói saber que os hemofílicos, em vez de ganhar aliados, ganham inimigos. Pessoas que em vez de ajudar, dão as costas para os pacientes.

Há cinco semanas, a sociedade tem acompanhado o problema que assombra o dia a dia dos hemofílicos. São jornais, televisões e rádios noticiando diariamente o drama de quem depende do tratamento digno. Mas nos próximos dias é que saberemos se o time do contra será reforçado ou desclassificado de vez. Completarão esse time  justamente dois médicos,? Ou será que eles vão trabalhar realmente pela vida dos pacientes? Pelos fatos expostos, o resultado dessa disputa está nas mãos de Agnelo Queiroz e Rafael Barbosa, governador e secretário de saúde do Distrito Federal. Eles que decidam.

 Fonte: O DISTRITAL

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