Vejam só que coincidência…
A placa de identificação da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus (foto em destaque), localizada no Recanto das Emas – a cerca de 32 km da área central de Brasília –, foi retirada dias após o Metrópoles revelar que a instituição pertence a uma sócia da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB) – ONG investigada na farra do INSS.
Na mira da Controladoria-Geral da União (CGU), a AAB solicitou descontos em benefício de pessoas mortas há décadas. Levantamento feito pela CGU identificou que a organização, sediada em Brasília, solicitou indevidamente, em mais de 27 mil casos, a inclusão de descontos associativos de pessoas já falecidas.
Estranhamente, no mesmo endereço onde está a igreja evangélica, fundada por Lucineide dos Santos Oliveira, sócia da AAB, supostamente funciona uma companhia pertencente a Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores Familiares (Conafer) – outra instituição envolvida nas fraudes.
Antes da modificação na fachada, a reportagem do Metrópoles esteve no endereço e encontrou apenas a instituição religiosa, erguida entre um centro catequético e um terreno baldio. Apesar disso, segundo dados da Receita Federal, a loja de Samuel está ativa no espaço, configurando a suspeita de ser uma empresa fantasma.
Além de a igreja de Lucineide e uma companhia de Samuel supostamente funcionarem no mesmo lugar, a dupla tem dezenas de outros CNPJs distintos funcionando na parte superior de um sobrado no Recanto das Emas. A reportagem apurou que também funcionam no endereço empresas pertencentes a Cícero Marcelino de Souza Santos, assessor do presidente da Conafer.
Cícero – que chegou a afirmar, durante a CPMI, que lucrava “uns trocos” com o dinheiro que deveria ser destinado aos beneficiários do INSS – foi preso em 17 de novembro de 2025, durante operação da PF. Samuel foi preso no âmbito da mesma operação.
Em 16 de outubro, durante depoimento, Cícero admitiu que abriu empresas para prestar serviços a pedido de Carlos Lopes. Ele disse que recebia planilhas de pagamentos para as entidades da Conafer e, posteriormente, fazia o repasse. Pontuou ainda que não conhece Samuel Chrisostomo, apesar de ter CNPJ de instituição sediada no mesmo local de empresas do homem.
Ai tem coisa…
*Com informações do Metrópoles





