Integrantes do GDF andam irritados com as notícias sobre gastos com viagens, shows, rodeios e outras despesas

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Toda economia é importante na crise

POR HELIO DOYLE –

 

Integrantes do governo de Brasília andam irritados com as notícias e notas sobre gastos do governo com viagens, shows, rodeios e outras despesas. Acham que são picuinhas sem propósito, pois são despesas irrelevantes e o governo estaria economizando muito mais com cortes de peso.

 

Estão errados. Cada real economizado é importante se a crise financeira é grave, o déficit é grande, faltam recursos para necessidades básicas nos serviços públicos e o Estado não pode honrar compromissos assumidos com servidores e fornecedores. Ainda mais se forem com viagens, mordomias e shows superfaturados.

 

Há ainda um aspecto simbólico que tem de ser considerado por quem administra em tempos de crise. O governo tem de dar o exemplo de economia e austeridade, e isso é justamente cobrado pela população.

 

É preciso definir as prioridades

 

O governador e membros do governo têm de viajar para outras cidades no país e no mundo. Não é possível ficar isolado em Brasília, mas em momentos críticos como o atual é preciso ter discernimento para definir quais viagens são essenciais, quais são importantes e quais são dispensáveis.

 

Quando a situação aperta, as viagens essenciais devem ser feitas, as consideradas importantes podem ser evitadas e as dispensáveis têm de ser descartadas. Na atual gestão, há menos gastos com viagens do que havia em governos anteriores, mas ainda é muito dinheiro que poderia ser mais bem aplicado em benefício da população.

 

Viajar sim, mas com bom motivo

 

O governador, secretários e servidores podem e devem viajar em busca de recursos para investimentos, ou para captar negócios e eventos que tragam benefícios à cidade. Ou para um intercâmbio ou conhecimento de experiências que sejam positivos para a população.

 

É preciso, porém, que sejam viagens muito bem preparadas e planejadas e, sobretudo, que tragam resultados positivos. Muitas vezes, a suposta busca de recursos e negócios ou o aprendizado e a troca de experiências são apenas pretextos para viajar e nada é concretizado após a viagem.

 

Austeridade não faz mal a ninguém

 

Em tempos de crise, as autoridades podem viajar de classe econômica, hospedar-se em hoteis mais baratos (e não embolsar o que sobra das diárias) e não precisam, salvo alguns casos, estar acompanhados de assessores. Se não têm conhecimento suficiente do que vão tratar, fiquem em Brasília e mandem o assessor.

 

O governador, a trabalho, até pode levar assessor. De preferência apenas um e não precisa estar com segurança ao lado em todo lugar. De férias, o governador pode viajar como qualquer cidadão comum, sem aparato. Faz check in, carrega a mala e pega o táxi.

 

Gasto dobrado dispensável

 

A viagem do secretário de Gestão do Território e Habitação, Thiago Andrade, para participar em Quito da Habitat 3, conferência da ONU sobre habitação, é um exemplo de viagem essencial. O evento é importante e o governador não foi.

 

Mas não se justifica que o secretário tenha viajado em companhia de uma servidora da assessoria internacional do governo. Certamente ele saberia se virar sozinho no Equador.

 

O que começa errado, acaba errado

 

O governador Rodrigo Rollemberg não precisava ter assinado o decreto definindo punições para servidores que paralisarem o trabalho, porque todos os seus dispositivos já estão previstos em leis. Foi um desgaste inútil perante os servidores.

 

Como anunciado, esse ato do governador foi anulado por um decreto legislativo aprovado por 17 distritais, com sete ausentes. Foi uma derrota política causada por um decreto inútil.

 

A anulação, porém, nada muda, pois tudo o que estabelece o decreto está na legislação. Com ou sem decreto, o governo tem instrumentos para punir servidores em greve.

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