RENOVAÇÃO NA CÂMARA LEGISLATIVA DO DF: PROFESSOR ISRAEL BATISTA

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O professor Israel Batista  é a grande sensação do PDT do Distrito Federal. Foi eleito deputado distrital com mais de 11 mil votos nestas eleições. Conheça a história de Batista por ele mesmo. Vale a pena conferir.

‘OPORTUNIDADE: É DISSO QUE A JUVENTUDE PRECISA’

“Nasci em Brasília, em 02 de maio de 1982. Mudei-me para Anápolis (GO), pouco depois e lá vivi até os 15 anos. Voltei para Brasília em meio a grandes dificuldades financeiras. Pouco a pouco minha família foi se restabelecendo. Naquela época, aos 15 anos, por força das circunstâncias, havia desistido de meus sonhos e decidido trabalhar no “Giraffa’s” como chapeiro.  

Foi quando recebi uma ligação da diretora de minha escola em Anápolis. Afirmava que minha nota do PAS tinha sido excelente e que eu deveria me esforçar para entrar na universidade. Estudei muito e me tornei independente da escola, muito fraca para meus objetivos. Busquei bolsa de estudo. Formei-me em francês, fui auto-didata em inglês  – hoje falo os dois idiomas – e consegui entrar na UnB para o curso de Ciência Política, no ano 2000, um dos mais concorridos.  Em Samambaia Sul, onde morava, fui o primeiro a entrar na UnB, o que serviu de inspiração para vizinhos e amigos. 

Na Universidade tive acesso a um novo mundo. Conheci muita gente interessante. Na época, a UnB não estava preparada para receber estudantes oriundos das classes mais humildes da cidade. Era freqüente a exigência de trabalhos digitados  – computador ainda era raro e caro e a internet, muito difícil de encontrar – cobravam um valor muito alto pela alimentação, exigiam muitos livros e os custos com fotocópia eram enormes.

Essa situação era insustentável. Estudar o dia inteiro, ter de trabalhar e manter as notas era difícil. Alguns colegas, na mesma situação, se juntaram e criaram a AABR (Associação dos Alunos de Baixa Renda). Invadimos a reitoria e fizemos grandes conquistas: ônibus no campus, laboratório de informática, vagas de emprego da universidade para alunos cadastrados no grupo, almoço a R$ 0,50 e iluminação, por exemplo. 

Da AABR surgiu a idéia de aumentarmos o acesso de alunos de escolas públicas à UnB. Criamos então o Pré-UnB, primeiro cursinho comunitário da cidade, em 2000. Foi um sucesso. Nós alunos, éramos os professores e tudo correu bem, por um tempo. 

Essa iniciativa foi o embrião do Alub. Nossa idéia era facilitar o acesso à universidade, com preços justos e objetivos ancorados em um sólido trabalho social. Esta foi a fórmula que fez o Alub explodir e transformar-se no maior cursinho de Brasília. Desde então, nunca parei de dar aulas, sendo responsável pela disciplina de História.  

O mais gratificante é saber que, sem dúvida, estas ações influenciaram o perfil universitário brasiliense. Hoje a UnB possui muitos estudantes que jamais teriam acesso à universidade pública, gratuita e de qualidade. 

Mas voltando a minha história: em 2005, havia sido selecionado para estudar na França. Fui convidado a fazer pós-graduação na Science Po de Paris, subordinada à Sorbonne, referência mundial na minha área.  

Já estava de malas prontas quando houve uma efervescência interna explodiu no Alub. Nosso grupo de idealistas entendia que a luta por democratização da educação de qualidade precisava ampliar-se ainda mais, para além de seus muros. Era hora de ousar. A idéia era lançar um candidato que representasse tudo o que significou para a juventude de Brasília o sonho que resultou na criação e consolidação do Alub. Os olhos se voltaram para mim. O único problema era que naquele momento eu ainda estava dividido entre o aperfeiçoamento como cientista político ou a colocar o pé em uma nova trilha. Meu coração apontava que, apesar da falta de garantias, meu caminho era apostar em um sonho coletivo.  

A escola já estava contagiada, o debate envolveu alunos e professores e tornou-se um grande movimento interno, ao final, me indicaram por unanimidade em um processo em que fui protagonista, talvez por uma escolha interna já tomada. Percebi que o novo caminho era inevitável. Desisti da viagem, conversei com minha família e com meus amigos professores e decidi topar. Renunciei a um projeto individual pelo magnetismo de trabalhar com ideais e poder torná-los reais. 

O primeiro a quem procurei foi o senador Cristovam Buarque, que eu sempre tive como referência na política. Ele foi muito receptivo, me deu forças e me orientou bastante. Mais que isso, me convidou para filiar-me ao PDT, partido identificado com a educação e por onde já havia passado Darcy Ribeiro, idealizador da UnB e ídolo de todos que defendem essa bandeira. Muito honrado, aceitei prontamente o convite e me filiei. 

Para mim, que estava adentrando em um mundo novo e ainda desconhecido, receber este incentivo de alguém como ele foi fundamental para fortalecer a decisão que havia tomado. 

A campanha de 2006 foi bonita e contagiante, ainda que faltassem recursos e organização. A essência foi o voluntariado e a iniciativa despojada. Muitos foram os casos de gente que improvisava material de campanha pra colocar nas fachadas de suas casas. 

Lembro que uma noite, no Piauí, barzinho da 403 sul, chegamos em dois carros e enchemos o local. Ao final da panfletagem todos os que estavam ali, se levantaram e me aplaudiram. Ficamos muito emocionados. Na outra semana, o mesmo aconteceu no “Pôr do Sol” na Asa Norte. Estes dois bares são tradicionalmente freqüentados por estudantes.

Fui muito bem votado em 2006, faltou pouco para ser eleito. Fiquei na suplência. Mas ter mais de cinco mil votos na primeira eleição que disputei, aos 24 anos, sem grana, me fez ser considerado uma revelação das eleições e adquirir certa visibilidade e respeito no mundo político.  

Fui convidado para a Assessoria de Juventude do Governo do Distrito Federal, o que me incentivou a estudar e aprender o que existe de mais avançado em políticas públicas de juventude. 

Na seqüência, recebi o convite do ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, para coordenar o Departamento de Pesquisas em Economia Solidária da Pasta, tendo o privilégio de trabalhar com o professor Paul Singer, um dos três maiores economistas brasileiros. 

Em 2008, fui indicado pelo meu partido para ser Secretário-Adjunto de Trabalho do GDF. Em 2009, assumi a titularidade tornando-me o Secretário de Estado mais jovem do país, aos 27 anos. 

Enquanto estive lá, elevei os investimentos federais no setor de trabalho do DF de 3 milhões de reais ao ano para 21 milhões. Aumentamos a qualificação profissional de 2.500 pessoas por ano, para 24 mil. Um salto incontestável. Sai imediatamente assim que todos nós brasilienses fomos surpreendidos com as denúncias. Deixei o Governo, sem haver qualquer tipo de menção ao meu nome. 

Nessa caminhada aprendi muitas lições: entre elas, que o esforço para a superação é individual e intransferível. Mas todo esforço do mundo de nada valeria se o destino não tivesse aberto as portas para mim. Como disse Napoleão Bonaparte “A habilidade é de pouca importância, sem a oportunidade.” E é para que outros jovens tenham oportunidade na vida, assim como eu tive um dia, que eu continuo a caminhar e a acreditar em sonhos coletivos”.

Professor Israel Batista

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