Junji cobra atenção para evitar quebradeira

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Junji Abe:PSD:SP
Presidente da Subleite, deputado quer reunir lideranças para apurar eventuais importações abusivas e queda do consumo em função de denúncias de adulteração

As ameaças que voltam a assombrar o setor leiteiro no País foram destacadas pelo deputado federal Junji Abe (PSD-SP), durante reunião-almoço da FPA – Frente Parlamentar da Agropecuária, nesta terça-feira (11/11/2014). Como presidente da Subleite – Subcomissão Permanente do Leite da Câmara, o congressista pediu o apoio da bancada ruralista à investigação dos motivos que vêm tirando o sono dos produtores, principalmente dos familiares, míni, pequenos e médios.
Segundo Junji, há duas correntes de tensão a pressionar o setor leiteiro. De um lado, a significativa redução dos preços pagos ao produtor. “Isto pode ser um indício de importações abusivas de produtos lácteos de países onde a atividade é fartamente subsidiada. Seria a reedição do drama vivido há dois anos, que levou à falência milhares de profissionais do campo”, raciocinou o presidente da Subleite, ao pedir ajuda da CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil na elaboração de um levantamento detalhado das compras externas de leite e derivados feitas pelo País.
A outra fonte de preocupação é a acentuada redução do consumo de leite. “É um fator que exige apurada investigação das causas. A princípio, alguns colegas da Subleite creditam o comportamento do mercado à série de denúncias sobre a adulteração do produto”, observou Junji.
Quanto aos recentes registros de adulteração do leite por parte de transportadores, Junji afirmou que os produtores não são culpados, porém acabam sendo os maiores prejudicados. “Brasileiros de total má-fé, ao transportar o leite, estão fazendo falcatruas, colocando outros produtos misturados, só com o intuito de ganhar dinheiro. Cada vez que uma denúncia desta natureza é divulgada, acaba prejudicando ainda mais os produtores, porque cai o consumo”, lamentou.
Aos ruralistas, Junji anunciou que pretende propor, na semana que vem, um megaencontro das entidades representativas do setor leiteiro, integrantes da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados do Mapa – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, assim como a Viva Lácteos – Associação Brasileira da Indústria de Laticínios, que reúne 29 grandes fabricantes de produtos lácteos, incluindo líderes de mercado. A ideia é estudar com profundidade as causas dos problemas que assombram o setor produtivo.
“Precisamos fazer o diagnóstico e definir as medidas que devemos reivindicar das autoridades para evitar rupturas na cadeia produtiva do leite”, definiu o presidente da Subleite. Ele antecipou que o rol de providências a serem cobradas implica acionar o Mapa, os ministérios da Saúde – considerando a segurança alimentar dos produtos lácteos –, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – em função de eventuais importações abusivas, e do Desenvolvimento Agrário – haja vista o impacto dos problemas sobre muitos dos produtores assentados da reforma agrária.
Junji voltou a invocar a importância da união para vencer obstáculos. “Cada segmento da importante cadeia produtiva do leite deve encarar os problemas, agir com firmeza, promover o respeito mútuo e trabalhar solidariamente para melhorar o setor e superar a constante crise em que vivem os produtores rurais, o elo indispensável, porém, o mais fraco da corrente”.
Segundo Junji, a Subleite e outros colegiados da Câmara ligados à produção de alimentos têm dirigido esforços conjuntos no sentido de pressionar o governo federal a tirar do papel a Anater – Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. “A falta desses serviços tem consequências desastrosas. Nos Estados Unidos, a média diária de litros de leite por vaca é de 27,3. No Brasil, é de 3,9 litros. Estamos no 10º lugar no ranking mundial, abaixo do vizinho Uruguai, com a marca de 7 litros vaca/dia”.
Outro assunto encruado é a demora na revisão do Riispoa – Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal, elaborado há 62 anos e “obviamente obsoleto quanto às tecnologias e possibilidades atuais, inexistentes em 1952”. A modernização do documento, explicou Junji, pode aprimorar o sistema de transporte do leite cru. Na regra vigente, o transbordo é proibido, prejudicando produtores e indústrias que gastam mais tempo e dinheiro com o processo feito à moda antiga.

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