LIDE BRASÍLIA ALMOÇA COM MURILLO DE ARAGÃO

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Grupo ouviu a análise do cientista político para os primeiros meses de 2015

Ferino em alguns instantes, conhecedor dos bastidores e antenado com o momento atual do País, o advogado, jornalista e cientista político Murillo de Aragão, presidente da Arko Advice, traçou hoje (20), para os membros do LIDE BRASÍLIA, o cenário do segundo governo da presidente Dilma Rousseff. E o desafio não será pequeno, segundo ele. Na sua avaliação, Dilma terá de superar três “heranças malditas” de seu próprio governo: a econômica, a política e o “Petrolão”, o escândalo que abala as estruturas da Petrobras. “É um desafio de proporções imensas, agravado pela capacidade emocional, política e humana da presidente. Mas eu espero que ela se supere e seja a estadista que não é”, disparou.

Segundo Murillo de Aragão, a primeira medida que a presidente deveria tomar é “deixar o cargo de ministra da economia” e aceitar uma das indicações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Tudo indica que ela fará isso. Se Dilma não sair da linha de frente da economia, e de forma rápida, vai atrasar o Brasil”, alertou. Mesmo acreditando que a presidente se dedicará a um trabalho de reconstrução da credibilidade, ele apontou outra “herança” que precisa ser desfazer, a política. Com uma oposição fortalecida pelas últimas eleições, a tarefa não será fácil. “Dilma tem uma base dividida e desconfiada pelo comportamento dúbio do PT. E foi sistematicamente traída por esta base, especialmente pelo PMDB”, disse, criticando enfaticamente a condução da relação entre governo e Congresso na época de Ideli Salvatti como titular da Secretaria de Relações Institucionais.

lide:Murilo:PO“O fato de Dilma não gostar de política e de ter interlocutores fracos levou o Congresso a votar vetos presidenciais, o que não ocorria há oito meses. Isso também transformou o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em líder político, depois de ser um deputado de segunda linha, justamente por que o governo tratou o Congresso de maneira desrespeitosa, criando uma liderança do baixo clero, que ameaça até a governabilidade, caso não seja atendida. A incompetência e a falta de articulação do governo levaram a esta crise”.

O escândalo de corrupção na Petrobras, para Murillo de Aragão, é outro calcanhar de Aquiles da nova gestão da presidente. “A Operação Lava-jato destapou um bueiro do submundo brasileiro, que acarretará em mudanças no sistema político do País”, arriscou. Um sistema que, segundo ele, está ansioso por entregar alguém para sobreviver. “A resposta será mais dura que a do mensalão, onde só estão presos os agentes econômicos, com todos os políticos soltos. Vai haver mudanças, o que não significa o fim da corrupção”, avaliou, descartando uma ruptura trágica. “Mas há a possibilidade de uma tempestade nas áreas econômica, política e judiciária”, alertou.

Mediador do debate que se seguiu à palestra, Paulo Octavio, presidente do LIDE BRASÌLIA, perguntou se, diante destas tormentas vividas pela Petrobras, a privatização da companhia não seria um caminho para o País. Usando a venda da Embratel como exemplo, Murillo de Aragão disse que o primeiro desafio dos compradores da antiga estatal foi desfazer o que chamou de “roda da fortuna” –- diretorias controladas por políticos e fornecedores, que alimentavam um esquema mútuo de troca de favores. “Na Vale, não havia este aparelhamento e nem o tratamento emocional que se dá à Petrobras. Acredito que haverá uma gestão mais profissional, com certo grau de independência, mas não creio que o Brasil esteja preparado para a privatização da Petrobras”, alertou.

Ao responder à pergunta de Antônio Matias, do Grupo Gasol, que alertou para um encolhimento geral da economia, o cientista político pregou o que chamou de um “cavalo de pau”, ou seja, uma reviravolta da condução do País. Também descartou a possibilidade de impeachment “nas condições atuais” e disse achar impossível um processo de “venezuelização” do País, pois instituições como Ministério Público e Polícia Federal se sentiriam agredidas com uma tentativa de controle. “Sem falar na grande mídia, que é independente e resiste a isso”, destacou.

Ao responder a Janete Vaz, dos Laboratórios Sabin, que quis saber o que ele faria se fosse escolhido ministro da Fazenda, Murillo de Aragão disse que o grande desafio seria recuperar a credibilidade. “Para isso, seria preciso mostrar para onde o País vai, com medidas duras, como o aperto no crédito, corte nos gastos públicos e no orçamento. Seria um trabalho nos fundamentos fiscal, monetário e cambial”, alertou.

Na área política, após a pergunta de Roberto Wagner, do grupo Auto Shopping e co-anfitrião do evento, o cientista político disse crer que o voto obrigatório ainda é fundamental para o País. “Não somos um País civilizado. Por isso, não creio que a população esteja preparada para o voto facultativo. Seria até pior, pois só quem tem dinheiro, como sindicatos, milionários e entidades religiosas, teriam capacidade de arregimentar votos”, afirmou.

Em relação a Brasília e à gestão de Rodrigo Rollemberg, o cientista Murillo de Aragão disse esperar que o novo governador avalie a relevância da capital. “Esta é a capital mais importante do Hemisfério Sul. Brasília tem potencialidades que exigem certa sofisticação em sua gestão, como fez Márcia Kubitschek quando foi vice-governadora. Espero que Rollemberg saia um pouco da pauta típica da cidade e perceba que há algo muito maior. Do contrário, corre o risco de ser mais um governo sem marca, como foi o de Agnelo”, acrescentou.

SOBRE O LIDE

Fundado em junho de 2003, o LIDE – Grupo de Líderes Empresariais é uma organização de caráter privado, que reúne empresários em nove países e quatro continentes. Atualmente tem 1.300 empresas filiadas (com as unidades nacionais e internacionais), que representam 49% do PIB privado brasileiro. O objetivo do Grupo é difundir e fortalecer os princípios éticos de governança corporativa no Brasil e no exterior, promover e incentivar as relações empresariais e sensibilizar o apoio privado para educação, sustentabilidade e programas comunitários. Para isso, são realizados inúmeros eventos ao longo do ano, promovendo a integração entre empresas, organizações, entidades privadas e representantes do poder público, por meio de debates, seminários e fóruns de negócios.

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