Lideranças já agitam bastidores para disputa ao Palácio do Buriti em 2018

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Absolvição de Tadeu Filippelli (PMDB) e a decisão do senador Cristovam Buarque (PPS) de declarar oposição a Rollemberg movimentam cenário político

A absolvição do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB) pela Justiça Eleitoral e a decisão do senador Cristovam Buarque (PPS-DF) de declarar oficialmente oposição ao governador Rodrigo Rollemberg deram uma mostra da disputa pelo Palácio do Buriti em 2018. Em menos de 24 horas, os dois importantes fatos políticos agitaram os bastidores e inflamaram as pretensões eleitorais das principais lideranças da capital federal. As novidades fortalecem a oposição, mas restam muitas dúvidas sobre quem terá condições de encabeçar uma chapa para tentar derrotar o governador.

Os integrantes do PPS decidiram se posicionar como rivais do Buriti no dia seguinte à decisão que livrou Filippelli. Além de Cristovam, participaram do ato os distritais do partido — a ex-presidente da Câmara Celina Leão e Raimundo Ribeiro — e o presidente regional da legenda, Chico Andrade. O senador elencou razões para o afastamento. “Cansamos de tentar e não conseguir participar e, principalmente, influir nos destinos da cidade. Há uma lista de problemas que poderiam ser evitados”, argumentou. Cristovam ressaltou a falta de diálogo entre Rollemberg e a classe política. “Não temos como representar a população”.

O futuro do partido no âmbito local também entrou em pauta. Segundo o ex-governador, “chegou a hora de deixar um governo do qual o partido nunca participou efetivamente e pensar na vitória em 2018”. A legenda ainda não apresentou nomes para a corrida eleitoral. O senador foi questionado sobre uma possível aliança com Tadeu Filippelli. “Ele nunca participou do bloco progressista. Então, teria de mudar um pouco e dar um salto no posicionamento, mas não é impossível”, afirmou.

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O presidente da Executiva regional do PPS, Chico Andrade, sugeriu que o nome para o Palácio do Buriti a ser lançado pela sigla poderia sair da Câmara Legislativa. Celina Leão garante que a pretensão dela é concorrer a um mandato de deputada federal, mas, dependendo do futuro da Operação Drácon, uma candidatura ao governo não seria uma surpresa. Celina, Raimundo Ribeiro e mais três distritais são acusados de corrupção pela suposta venda de emendas parlamentares. A Justiça ainda não decidiu se aceita a denúncia.

Os representantes do PPS não pouparam críticas a Rollemberg. Chico Andrade, por exemplo, reprovou os movimentos políticos do governador. “Observamos uma postura de chantagem frente aos aliados e de desrespeito com a oposição e com a população”, disse o presidente da sigla. Celina Leão endureceu, ainda mais, as alegações: “Omissão é crime, principalmente quando cometida por um agente público. Precisamos nos posicionar para encontrar novos caminhos e sair da crise. Caso não o façamos, seremos omissos.” Participaram do evento o presidente da Casa, Joe Valle (PDT), e o vice-presidente, Wellington Luiz (PMDB).

Na disputa

Na noite de terça-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a condenação do ex-governador Agnelo Queiroz (PT) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação na campanha de 2014. O petista permanece inelegível por oito anos. Mas a Corte livrou o vice da chapa, Tadeu Filippelli, que fica apto para disputar as eleições do próximo ano. A decisão do TSE foi unânime. “A minha absolvição no TSE foi uma vitória da justiça. E foi recebida com alegria, mas não com surpresa. Em nenhum momento, perdi a esperança nessa vitória”, comentou Filippelli. “Agora, com mais serenidade, sigo trabalhando pela nossa cidade”, acrescentou.

Em nota, Agnelo lamentou o entendimento da Corte eleitoral. O petista disse que recebeu a notícia “consternado e com sentimento de ter sido injustiçado”. Ele informou, ainda, que aguarda apenas a publicação do acórdão para analisar os recursos cabíveis. “Reafirmo não ter praticado abuso de poder e muito menos ter usado de forma indevida os meios de comunicação no exercício do governo”, afirmou Agnelo Queiroz.

Antonio Cunha/CB/D.A Press

 

Repercussão

 

Líderes partidários reagiram à decisão de Cristovam de partir para a oposição e também a absolvição de Filippelli. Pré-candidato ao governo pelo PSDB, o deputado federal Izalci Lucas avalia que é cedo para definições sobre a corrida eleitoral. Mas ele minimizou o impacto da decisão do TSE a respeito do peemedebista. “O que viabiliza uma campanha não é decisão da Justiça, é voto. O fato de vencer essa etapa não significa que já venceu a guerra”, comentou Izalci. “Eu e Filippelli conversamos muito e vamos continuar conversando. É uma pessoa experiente, com legitimidade para querer ser candidato a governo. Mas tudo ainda depende de articulações”, acrescentou o tucano.

Entre nomes de direita, ainda não há consenso sobre uma possível unificação de candidaturas, mas os grupos seguem em negociação. Tanto Izalci quanto Filippelli têm feito reuniões com várias lideranças para tentar ampliar o grupo. Caso o Congresso Nacional aprove o projeto que põe fim às coligações partidárias proporcionais, a tendência é que haja uma pulverização da disputa, com vasto número de candidaturas. Em caso contrário, é quase inevitável uma união de grupos rivais em uma única chapa.

O futuro do PSD, partido do vice-governador do DF, passa a ser outra grande incógnita. A relação entre Renato Santana e Rollemberg, que não andava boa, azedou de vez no fim do ano, quando o número 2 do Buriti foi à Câmara Legislativa para criticar o reajuste das passagens de ônibus. Integrantes do PSD mantêm o tom crítico à gestão de Rollemberg, mas ainda evitam falar em rompimento. “Fazemos parte da aliança original, e o Renato é o vice-governador. Queremos sempre o melhor para a cidade”, desconversa o presidente regional do PSD, deputado federal Rogério Rosso.

Ed Alves/CB/D.A Press

O parlamentar analisa que a decisão do TSE é um fato relevante para a disputa eleitoral. “O Tadeu (Filippelli) é um político importante da cidade, que conhece bem os problemas do DF. Esse resultado dá a ele tranquilidade do ponto de vista eleitoral. Certamente, é um player importante e forte para 2018”, comentou Rosso. Para ele, o rompimento de Cristovam também altera o xadrez eleitoral. “O senador é o decano da política do DF. Portanto, todo movimento que ele faz merece atenção e respeito. Para ir para a oposição, ele deve ter refletido muito”, finalizou o presidente regional do PSD.

Minervino Junior/CB/D.A Press

Outro importante aliado de Rollemberg em 2014, o senador Reguffe (sem partido) optou por uma postura independente. Não fez declarações públicas sobre adesão à oposição, mas não se furta a criticar a gestão. “Não sou só eu que acha o governo Rollemberg uma porcaria, é a sociedade”, disse Reguffe, em dezembro, em entrevista ao programa CB.Poder.
Quando soube do anúncio, o governador ironizou: “Uai, de novo?” Aliados de Rollemberg criticaram internamente a decisão de Cristovam de, como disseram, “se aliar a parlamentares investigados”. Em nota, o chefe do Buriti disse que não houve surpresa no pronunciamento de Cristovam. “Há muito que os parlamentares do PPS fazem oposição ao governo. Isso ocorre desde o momento em que a Câmara Legislativa não aprovou a emenda da reeleição da deputada Celina Leão e o senador Cristovam se afastou do governo, apesar de todas as tentativas de diálogo. Espero que a decisão do senador não seja de oposição a Brasília”, comentou Rollemberg.