MANSÃO EM BRASÍLIA

6
12

GOVERNO FEDERAL
Ex-assessor do ministro dos Transportes constrói mansão em Brasília

Agência Estado

Afastado pela presidente Dilma Rousseff como um dos envolvidos no suposto esquema de cobrança de propina do Ministério dos Transportes, o servidor público Mauro Barbosa da Silva está construindo uma casa de 1.300 metros quadrados na privilegiada área do Lago Sul, em Brasília.Pelo tamanho e pela proximidade do imóvel do Lago do Paranoá, corretores avaliam que a construção vai custar cerca de R$ 4 milhões.

Barbosa era, até a semana passada, o chefe de gabinete do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. De acordo com reportagem da revista Veja, que motivou seu afastamento e de mais três integrantes da cúpula do ministério, ele seria “o dono da chave do cofre” da pasta. Barbosa é sobrinho de José Francisco das Neves, o Juquinha, afastado da direção da Valec também por determinação da presidente Dilma.

A obra está em ritmo acelerado, a ponto de o engenheiro responsável, Rodrigo Gabriel da Silva, prever que estará pronta em seis meses. Menos otimista, Barbosa disse acreditar que a previsão só se confirmará “se tudo correr bem, conforme Deus queira”.

Certidão do cartório de imóveis mostra que ele e sua mulher, Gloraci Barbosa, compraram o terreno em novembro de 2009 por R$ 600 mil – a avaliação na época superava R$ 1 milhão. O mesmo documento mostra que o casal fez um empréstimo de R$ 400 mil na Caixa Econômica Federal.

Mauro Barbosa credita a esse financiamento a outro empréstimo que diz ter feito no Banco do Brasil, sem revelar o valor, e à venda por R$ 1,5 milhão de um apartamento no ano passado, o dinheiro aplicado na construção da casa.

Ele informa que tem outro apartamento no Plano Piloto, alugado para “pagar a prestação” e que mora de graça na casa de uma amiga da família, depois de ter continuado residindo no apartamento que vendeu, graças à gentileza da compradora, “uma servidora da Caixa”.

Servidor de carreira da CGU (Controladoria Geral da União), ele afirma que a sua obra, por ter ele próprio como encarregado, ficará em torno de R$ 2,1 milhões.

– É a gente mesmo que está fazendo, sou engenheiro civil. É uma obra sem muita coisa, não tem telhado, as aberturas são muito grandes, eu vou colocar vidro.

Pelas contas dele, se estivesse nas mãos de uma empreiteira o valor dobraria, “porque tem o lucro, tem taxas, comissões”.

– Você mesmo fazendo é outra coisa.

Ligado ao deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), Mauro Barbosa não quis falar da proximidade com o parlamentar. Ele se limita a dizer que só “no inquérito” é que vai apresentar documentos de defesa. Barbosa alega estar diante “de uma discussão técnica e política”.

– A gente tem de dar transparência, dar todas as explicações sobre atos e atitudes tomadas, e eu estou pronto para colaborar.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui