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    Mercado de trabalho apertado

     

    A última semana do mês costuma concentrar eventos e divulgações de indicadores. Esta não será exceção. No exterior serão conhecidos os últimos resultados de pesquisas norte-americanas de preços de imóveis, mercado de trabalho e confiança do consumidor na terça e sexta-feira. Na quarta-feira ocorrerão divulgações de contas nacionais norte-americanas, além da reunião do comitê de política monetária, o FOMC.

    No Brasil, contaremos com divulgações de dados de crédito e fiscais na segunda e quinta-feira, respectivamente. As atenções também estarão voltadas para indicadores de atividade econômica, como os resultados de sondagens do setor de construção, indústria, comércio e serviços, além dos resultados da última PNAD, a ser divulgada na quinta-feira.

     

    Não é exagero afirmar que essa pesquisa PNAD vem ganhando destaque crescente para analistas da economia brasileira. Afinal, o principal motor da nossa atividade econômica vem sendo a demanda doméstica. E o principal motor da demanda doméstica é o mercado de trabalho. Seu dinamismo justifica pelo menos parte das surpresas positivas com o consumo das famílias, mesmo diante de juros elevados. De fato, a taxa de desemprego dos últimos 12 meses é a mais baixa em toda a série da PNAD, iniciada em 2012, e o rendimento real expandiu-se 18% desde o final da pandemia.

     

    Qual a explicação para essa expansão do mercado de trabalho? Há pelo menos 2 hipóteses usuais. A primeira é a de que os programas de transferência de renda reduzem a oferta de mão-de-obra, favorecendo a queda da taxa de desemprego. Ocorre que a taxa de participação, em alta, já se encontra próxima à do período pré-pandemia. A segunda hipótese é a de que o aumento da ocupação resulta da baixa qualidade das novas vagas criadas. Ocorre que os rendimentos são crescentes e acima da inflação. Em resumo, ambas as hipóteses parecem não serem suficientes para explicar a melhora intensa e duradoura do nosso mercado de trabalho.

     

    Uma terceira hipótese considera que o crescimento do número de pessoas em idade ativa vem desacelerando. Em outras palavras, o aumento potencial da oferta de mão de obra vem diminuindo, reflexo da nossa evolução demográfica. Os dados da PNAD confirmam essa afirmação, conforme figura abaixo. Sem dúvida, um indício do esgotamento do nosso bônus demográfico. Nesse contexto, aumentos de ocupação ocorrem cada vez mais em detrimento da população ociosa e disponível para trabalhar. Trata-se de um contexto que favorece pressões salariais. Se essa hipótese estiver correta, o mercado de trabalho não retornará tão cedo para as mesmas condições de anos anteriores.

     

    Com tarifas dos EUA se aproximando, ativos brasileiros já precificam impactos

    Na última semana os principais índices acionários operaram majoritariamente em alta. As bolsas americanas repercutiram a temporada de resultados corporativos com números acima do esperado, assim como dados promissores no mercado de trabalho. No Brasil, uma recuperação mais consistente foi postergada devido à cautela dos investidores em relação à proximidade da entrada em vigor das tarifas de 50% dos EUA sobre os produtos brasileiros, prevista para 1º de agosto.

     

    O índice Nasdaq subiu 1,2% e o S&P 500 1,5%, enquanto o Ibovespa avançou 0,3% aos ~133.800 pontos, com ganhos acumulados de 10,9% no ano. O dólar avançou 0,5% frente ao Real, cotado a R$ 5,59 / US$ 1,00.

     

    Nos EUA foram divulgados dados do mercado imobiliário referentes a junho, em sua maioria abaixo do esperado, com as taxas de juros de hipotecas impactando as vendas e os preços. Em outra frente, dados de confiança, produção manufatureira, PMIs e pedidos de bens duráveis se destacaram, superando estimativas e afastando os prognósticos de recessão.

     

    Além disso, a semana contou com boa demanda de estrangeiros nos leilões de notas e títulos do Tesouro, com métricas acima da média das últimas semanas, contribuindo para aliviar a pressão sobre a curva de juros, que encerrou a semana próximo da estabilidade, com os vértices mais curtos incorporando prêmios ligeiramente e os mais longos devolvendo prêmios de forma discreta.

     

    O vértice de 10 anos encerrou a semana a 4,38% a.a., com manutenção do movimento de inclinação da curva de juros. O índice DXY caiu 0,8%, a 97,70. Já o petróleo apresentou queda de 1,6% na semana anterior, com o barril do WTI cotado a US$ 65,10.

     

    No Brasil, foi divulgado o IPCA-15 de julho de 0,33% na passagem mensal (5,3% no acumulado de 12 meses), em linha com o esperado. Também foram divulgados dados do fluxo cambial com déficit de US$ 5,1 bilhões no balanço de transações correntes, maior que os US$ -4,4 bilhões esperados. A curva de juros DI acompanhou o dólar, devolvendo prêmios na maioria dos vértices, exceto nos mais longos.

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