MP DENUNCIA NOVE DISTRITAIS

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MP denuncia nove distritais

Promotores ajuízam ação contra deputados que tiveram as despesas pagas por um empresário para viajar a Goiânia e se hospedar em hotel cinco estrelas. Isso ocorreu na véspera da votação indireta para governador, na qual todos os envolvidos indicaram Rogério Rosso.

Ana Maria Campos

Na véspera da eleição indireta, em abril, deputados distritais se refugiaram num hotel fora de Brasília para escapar da pressão política em torno da escolha do novo governador. A manobra política, costurada pelo senador Gim Argello (PTB), deu certo. O grupo que apoiava a candidatura de Rogério Rosso (PMDB) conseguiu os votos necessários para transformá-lo no chefe do Executivo no mandato-tampão até 31 de dezembro contra o então favoritismo do deputado Wilson Lima (PR), que estava no comando da administração pública. A estratégia, agora, vai dar uma dor de cabeça aos distritais. O Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCoc) do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) ajuizou ontem uma ação de improbidade administrativa contra nove deputados que tiveram as despesas da estada pagas por um empresário.

A ação envolve Aguinaldo de Jesus (PRB), Alírio Neto (PPS), Aylton Gomes (PR), Batista das Cooperativas (PRP), Benício Tavares (PMDB), Cristiano Araújo (PTB), Dr. Charles (PTB), Rogério Ulysses (sem partido) e Rôney Nemer (PMDB), além do empresário André Luiz Lemos, que quitou as despesas no Hotel Castro’s, um cinco estrelas de Goiânia (GO). Ele pagou R$ 2.961,10 com a diária, uso de telefone, alimentação e bebidas dos deputados, o que incluiu refrigerantes, cervejas, caipiroscas, frango a palito, picanha e filet. Na investigação, o Ministério Público obteve a nota fiscal emitida pelo Castro’s em nome de Lemos. Ele é apontado como sócio de sete empresas do ramo imobiliário e da construção civil.

Na avaliação dos promotores, os deputados distritais não poderiam receber esse tipo de benefício de um empresário. Para o MP, houve ofensa aos princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade, o que configura ato de improbidade administrativa. Por isso, o NCoc pede a suspensão dos direitos políticos dos deputados envolvidos no caso por 10 anos, a proibição de ocupar cargos públicos pelo mesmo período e o pagamento de multa.

Repeteco
Segundo o Correio apurou, o empresário pagou as despesas a pedido de Gim. O senador é um dos responsáveis pela vitória de Rosso, que teve 13 votos na eleição indireta ocorrida em 17 de abril. Aliados de Gim, os familiares de Cristiano Araújo — que comandam empresa de prestação de serviços na área de segurança vigilância e serviços gerais — emprestaram o avião para transportar os deputados, de acordo com relato dos próprios parlamentares. A família de Cristiano nega.

Os distritais passaram a noite anterior à eleição indireta incomunicáveis no hotel porque queriam evitar negociações com o grupo político que pedia votos para Wilson Lima. O mesmo método foi adotado em 2004, na eleição para a escolha do então presidente da Câmara Legislativa, Fábio Barcelos (hoje no PDT). Na época, a estratégia foi conduzida pela deputada Eliana Pedrosa (DEM) que conseguiu uma casa, no Lago Norte, para abrigar os colegas que pretendiam votar em Barcelos, mas vinham sendo pressionados pelo então governador, Joaquim Roriz, a eleger Pedro Passos (PMDB) para o comando da Casa.

Cenário indefinido
Luísa Medeiros
Na reta final para a escolha dos candidatos e das coligações que concorrerão às eleições de outubro, pairam ainda dúvidas sobre as possíveis alianças políticas no DF. A quatro dias da data-limite para realização das convenções, a única certeza, até agora, é a candidatura da dobradinha PT-PMDB. Os escândalos revelados pela Operação Caixa de Pandora atrasaram a largada da corrida eleitoral, além de terem derrubado apostas dadas como certas. É a primeira vez que há tantas indefinições na esfera política, fato que amplia o leque de combinações e incentiva o voo solo de algumas legendas.

É o caso do Partido Verde (PV), que tende a na onda da candidata à Presidência Marina Silva para puxar votos no DF e emplacar nomes nas eleições proporcionais. Marina já tem cerca de 20% do eleitorado brasiliense, índice que favorece a sigla a lançar um candidato ao governo local. Caso a alternativa se concretize amanhã, na convenção regional do partido, o candidato ao GDF será o atual presidente do PV, Eduardo Brandão. Outro caminho é fechar com a coligação encabeçada pelo PT e o PMDB, que, por sua vez, também flerta com o PPS.

Ontem à noite, o deputado federal Augusto Carvalho (PPS) afirmou ao Correio que a coligação com os petistas está praticamente certa. Falta apenas o referendo na convenção regional, marcada para segunda-feira. “Não havia mais como esperar uma terceira via para o governo do DF. Neste momento, a melhor opção para o PPS é se aliar ao PT”, comentou.

Mas o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, é contrário à coligação e não descarta uma intervenção no diretório regional, caso isso ocorra. Para ele, a aliança com o PSDB da ex-governadora Maria de Lourdes Abadia seria a melhor opção para o partido.

Fonte: Correio Braziliense

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