EXCLUSIVO: Não é o Buriti! Rastros de corrupção e fake news que envolvem a CLDF são encontrados em computador de investigado

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Delegado encontra indícios de corrupção e fake news na CLDF em material apreendido no computador de investigado

Donny Silva

No farto material eletrônico recolhido de Filipe Nogueira Coimbra, no âmbito da Operação Abscôndito, chamou atenção dos investigadores os arquivos com informações sobre a Câmara Legislativa do DF, em especial ao organograma que o técnico em informática chama de “Esquema Mulas Digitais”.

Filipe, que durante o período em que sua esposa jornalista  trabalhou na CLDF, mantinha ótimo relacionamento na Casa, principalmente durante o mandato das então distritais Celina Leão e Sandra Faraj. Filipe inclusive mantinha site em nome de sua empresa NetPub e recebeu verba publicitária da AV Comunicação, empresa que à época cuidava da publicidade da CLDF. Os sites de Filipe Nogueira são: Imprensa Pública, Olhar Capital, Rede Fé, Brasília do Alto, DF que eu Quero, Informa Brasília, Coluna Diária, Dia a Dia Mulher e Dia a Dia Brasil.

Organograma encontrado no computador de Filipe Nogueira revela possível esquema de corrupção envolvendo políticos, veículos e servidores

No Organograma de Filipe, que segundo ele mesmo confidenciou à um amigo, guardava em seu computador para preparar uma grande matéria para ‘detonar’ o presidente reeleito da CLDF, Rafael. Neste documento, aparecem os nomes de Rafael Prudente, Rodrigo Delmasso e Orlando Rangel, que comandam a publicidade da CLDF.

No documento encontrado pela DRCC, o Organograma apresenta:

  • Rafael Prudente e Rodrigo Delmasso – Mandantes
  • CLDF – Deputados aliados ao esquema, vendidos e parceiros de blogs e sites
  • Orlando Rangel – Negociador e controle de quem vai receber
  • Blogueiros – Relacionados para administrar crises
  • Lucimar Nascimento – Cadastro dos veículos de comunicação
  • Agência – Agências de publicidade contratadas para distribuir a publicidade
  • Mídia – Blogs, sites de notícias, Programas de televisão, jornais, revistas e outdoors

Filipe certa vez confidenciou a amigos que tinha conhecimento sobre o esquema das “mulas digitais”, e que Sandra Faraj chegou a ter vários sites no esquema com a ajuda de Celina (presidente da CLDF à época), além de gorda verba publicitária para o programa de televisão de sua igreja Ministério da Fé. Esse é apenas um exemplo do que Filipe disse saber a respeito, e por isso preparava uma grande matéria sobre Rangel, Rafael e Delmasso, supostamente responsáveis pelo esquema das “Mulas Digitais”.

Talvez esse organograma explique alguns “equívocos” cometidos pelo delegado Giancarlo Zuliani, amigo de políticos enrolados desde os tempos do petista Agnelo Queiroz. Há suspeita de que o delegado, que gosta de holofotes, tenha descoberto e escondido provas contra denunciantes na Operação Abscôndito, que investigou o site deolhonopoder.com.br ( acessado pelo casal Filipe e Michelly mais de 10 mil vezes) e tenha avisado aos interessados, neste caso, a cúpula da CLDF e Celina Leão, ex-distrital e ex-presidente da CLDF.

Entre o primeiro depoimento de Filipe Nogueira, quando afirmou que só falaria em juízo, e o segundo, no início de dezembro de 2020, quando desferiu uma série de inverdades contra o jornalista Donny Silva, imputando a este a concepção e administração do referido site, ele teve 70 dias para montar um álibi e uma estória mirabolante.  Inclusive teve tempo suficiente para negociar para nada falar a respeito do conteúdo bombástico encontrado em seus computadores. Filipe sabe muito sobre como funciona a distribuição de publicidade na CLDF.

E Giancarlo, em atitude muito suspeita, um dia após o segundo depoimento de Filipe, simplesmente encerrou o caso, indiciou Filipe e Donny, e no mesmo dia vazou a decisão (assim como fez com a deflagração de busca e apreensão da Operação Abscôndito) para um site da cidade, mas dando ênfase ao Donny, que teve apenas 14 acessos ao site deolhonopoder.com.br, enquanto o casal investigado acessou mais de 10.300 vezes! Segundo fontes, Giancalo ficou sabendo que o jornalista investigativo Donny Silva estava fazendo uma investigação paralela sobre o caso do site. Talvez isso explique a gana do delegado de vazar conteúdo no intuito de desqualificar o jornalista.

No depoimento de Filipe Nogueira, ele diz que Donny Silva tem desavença com Delmasso, Rafael, Wellington, Celina e Sandra. Mentira! Apesar de matérias denunciativas, sempre existiu cordialidade entre o jornalista e os parlamentares.  Foi Filipe quem produziu e enviou pelo WhatsApp, a matéria sobre Wellington Luiz e companhia, que originou o processo.

E foi Filipe quem procurou Donny Silva em 2020 pedindo ao mesmo que, graças às suas amizades e credibilidade, tentasse obter junto à CLDF, PTB ou Governo Federal,  publicidade para seus sites. Donny não mexeu uma vírgula sequer e não há qualquer evidência de que Donny tenha pedido ou exigido publicidade da CLDF, PTB ou SECOM do Governo Federal para os sites de Filipe.

Como se percebe, é preciso que o Ministério Público investigue imediatamente a investigação capitaneada pelo delegado Giancarlo. Há suspeita de prevaricação, favorecimento  e ocultação de informação.

O fato é que Donny Silva foi indiciado graças aos 14 acessos (feitos inexplicavelmente num único dia e de Cristalina!) ao tal site e do depoimento grosseiramente mentiroso de Filipe Nogueira. Giancarlo também vazou informações do relatório final do inquérito para um veículo de comunicação antes mesmo que o relatório estivesse disponível no sistema interno da PCDF, fato que irritou a corporação.

Giancarlo terá muito o que explicar na Corregedoria, e talvez a eventual (e oportuna) quebra de sigilo de dados e de telefone revelem quem o delegado quis incriminar e quem quis proteger durante as investigações. Donny Silva já reuniu documentos e levará o caso à Corregedoria da PCDF e à Justiça.

A utilização da Polícia para proteger ou blindar corruptos é crime. É preciso lembrar que das 7 vítimas de matéria do deolhonopoder.com.br, que originou processo e investigação do referido site,  6 respondem por improbidade administrativa.

E cabe agora  ao Ministério Público investigar o Organograma e os demais arquivos encontrados nos computadores de Filipe Nogueira acerca da CLDF, para saber se tudo não passa de fake news preparada pelo técnico especialista em montar sites e redes sociais, ou se é o início de uma grande investigação que envolverá a Mesa Diretora, a comunicação da CLDF e políticos.

Por telefone, Orlando Rangel, coordenador de comunicação da CLDF,  afirmou ao Blog que nunca existiu esquema envolvendo sites e outros veículos de comunicação e que espera que tudo seja devidamente apurado.

 

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