“NÃO QUERIA MORDAÇA”

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Pitiman diz que deixou a Secretaria de Obras porque provoca “muito ciúme” ao PT

foto: Jornal de Brasília
Pitiman resolveu entregar o cargo ao governador Agnelo Queiroz.

Em sete meses de gestão, foi confirmada a terceira mudança no primeiro escalão do GDF. Ontem, o Diário Oficial publicou a exoneração de Luiz Pitiman da Secretaria de Obras. O episódio trouxe à tona uma briga interna travada entre base aliada e PT por mais espaço no governo. Há quem reclame do “apetite” voraz dos petistas sobre a máquina pública. Pitiman é prova disso. Durante sua curta passagem na pasta, foi taxado de arrojado por petistas, que demonstram insatisfação pelo modo mais independente de trabalho do ex-secretário. Cansado de enfrentar resistências, Pitiman resolveu entregar o cargo ao governador Agnelo Queiroz.
“É muito difícil um deputado, que aceitou ir para o Executivo, deixar uma secretaria com tanta visibilidade porque não queria ficar amordaçado”, disse. “Mas tenho que agir com a minha consciência. Vi que trago muito ciúme”.
O estopim da relação foi a aprovação do projeto de lei que dá superpoderes à Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). Na última semana antes do recesso parlamentar, Pitiman foi pessoalmente a Câmara Legislativa tentar convencer os distritais a votarem contra o projeto. No entanto, saiu derrotado. “Me manifestei exclusivamente ao governador e à Câmara. Eu não poderia, em hipótese nenhuma, ser omisso com a minha consciência e com os votos que tive como deputado”, explicou.
Os dias que se seguiriam após a atuação do secretário contra o projeto, foram difíceis. Pitiman reclamou da falta de apoio. “Eu li nos jornais que o PT estava em guerra contra o Pitiman e não tinha ninguém para sair em defesa e dizer que não era aquela a posição do PT. Em todos os momentos, eles disseram apenas: ele é ousado, ele trabalha muito. Ele é arrojado. Isso demonstra que estou deixando o governo porque trabalho muito e porque, com muita coragem e garra, avancei os sinais que precisavam ser avançados para o restabelecimento da normalidade do DF, principalmente nessa parte de obras”, afirmou.
Pitiman disse que deixa o GDF com o sentimento de dever cumprido e com o apoio do governador Agnelo Queiroz e do vice-governador, Tadeu Filippelli, de quem se diz amigo pessoal.

Ontem, o governador Agnelo passou o dia reunido com a cúpula do governo em busca de um novo nome para a pasta. A expectativa é que, ainda nesta semana, o sucessor seja anunciado. Enquanto isso, assume interinamente o secretário-adjunto, Danilo Pereira.
Pitiman volta para a Câmara dos Deputados, onde afirmou que manterá uma postura de “independência”.

Descontentamento descartado

O presidente regional do PPS, Aldo Pinheiro, nega que haja um descontentamento generalizado em relação a predominância do PT na gestão de Agnelo. “O que há nos primeiros meses é uma acomodação das forças, dos partidos que integram a base. Mas não há racha nenhum que nós possamos vislumbrar. Do ponto de vista do PPS, o nosso relacionamento está estável com o governo”, disse.

O presidente do PP, Benedito Domingos, que também integra a base aliada, faz coro. “Foi uma questão do PMDB. O Pitiman tem uma linha muito arrojada de trabalho e dinâmica. Isso não foi bem compreendido por alguns setores.
Mas isso é coisa de poder. Quanto ao PP, estamos de longe, apenas observando”.
O presidente regional do PT, Policarpo, também descarta possível divergência entre os 14 partidos que integram a base. “Não tinha nenhuma divergência com o PT. Em relação ao Pitiman, tinha alguns locais com preocupações e com alguns questionamentos. Mas nada que não pudesse ser corrigido”.
DIFÍCIL CONVIVÊNCIA
Mas para João Paulo Peixoto, professor e cientista político da Universidade de Brasília (UnB), o tamanho da equipe de coalizão é o que preocupa. Ele atribui os atritos à dimensão da base. “Essas coligações partidárias são feitas para ganhar a eleição. Para governar, a situação muda. Os programas partidários são distintos, principalmente entre PT e PMDB. Por isso, é natural que os atritos ocorram de maneira frequente, já que é muito difícil de se conviver bem assim. E acho difícil que se construa uma relação harmônica desta forma. É muito difícil para o governo administrar”, disse. (AC)

Fonte: Jornal de Brasília

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