“Não recebi nenhum centavo”, diz Raad na Comissão de Ética

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Raad mostrou documentos para rebater acusações

O deputado Raad Massouh (PSL) prestou depoimento na manhã desta quinta-feira (15) à Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Legislativa. Na ocasião, o distrital sustentou não ter se beneficiado financeiramente da emenda parlamentar de sua autoria, no valor de R$ 100 mil, para evento em Sobradinho – alvo de investigação no Ministério Público e na Polícia Civil.  Em virtude das acusações, Raad responde a processo por quebra de decoro parlamentar. O parecer do relator do processo na comissão, deputado Joe Valle (PSB), deve ser apreciado na próxima quarta-feira (21).

“Não recebi nenhum centavo disso tudo. Fizeram uma trama maquiavélica e mirabolante contra mim, e nem sei se houve desvio nesse caso, pois essas denúncias são infundadas”, garantiu o parlamentar. Questionado pelo presidente da comissão, deputado Dr. Michel (PEN), sobre o que queria dizer com “trama”, Raad contou que à época tinha passado muito tempo no hospital, internado por conta de um AVC, e que fizeram uma “manobra” para colocá-lo nessa situação.

Em seu depoimento, criticou a atuação, no processo, do ex-chefe da  Delegacia de Crimes contra a Administração Pública (Decap), Flamarion Araújo, que presidia o inquérito contra o parlamentar. O delegado depôs na comissão na terça-feira (13), quando reforçou as denúncias contra o deputado.

Ao comentar a gravação de conversa entre ele e um interlocutor, em que comemorava a transferência de Flamarion, Raad enfatizou: “Fiquei aliviado, sim, pois ele agiu de forma parcial”. Segundo informou aos integrantes da Comissão de Ética, a interlocutora da conversa era sua esposa, a quem procurava tranquilizar na ocasião.

Raad afirmou também que, quando apresentou a emenda parlamentar para o evento em Sobradinho, ela se destinava à extinta Brasiliatur. “Não sabia que a empresa ia fechar depois de um ano, por isso os recursos foram parar em Sobradinho”, justificou, alegando não ter interferido na aprovação do projeto básico na Administração Regional daquela cidade.

“Quem deu o parecer sobre a inexigibilidade de licitação foi a assessoria jurídica. E está claro que não contratei empresa alguma, nem contratei banda”, disse, sustentando que o recebimento de R$ 47 mil na conta de sindicato rural teria sido também legal e com as despesas justificadas.

Os deputados da comissão questionaram sobre a filiação do hotel fazenda RM – propriedade de Raad – ao sindicato, ao que o acusado respondeu: “Meu empreendimento foi filiado há 15 anos”. O deputado Patrício (PT), rebateu, mostrando o nome do hotel entre os estabelecimentos sindicalizados, segundo consulta feita nesta manhã no site do próprio sindicato.  Raad, no entanto, explicou que o RM foi fechado em dezembro passado e que hoje o local é uma clínica para tratamento de dependentes químicos. “O site está furado”, garantiu.

No final da reunião, o parlamentar agradeceu aos colegas a oportunidade de se defender publicamente: “Estou convicto de que toda a verdade foi declarada”. O parlamentar distribuiu, ainda, à imprensa e à comissão cópias de documentos de imóveis e veículos que estariam, segundo ele, registrados legalmente em cartório como patrimônio da empresa de sua família, a RM Hotéis e Turismo. “Esses imóveis não valem tanta coisa assim”, disse aos colegas. Raad também exibiu cópias de transações bancárias e financeiras que  derrubariam as suspeitas de que ele movimentou recursos incompatíveis com sua renda declarada.

Administrador – Antes de Raad depor, o ex-administrador de Sobradinho, Carlos Barros, encerrou o pronunciamento iniciado ontem na Comissão de Ética. Ele assumiu ter cometido erros, como gestor  público, na condução do processo de liberação dos recursos da emenda  parlamentar para o Festival Rural de Sobradinho. “Assumo a responsabilidade sobre isso, mas não desviei recursos públicos”, garantiu, confirmando que foi cobrado por Raad para aprovar a liberação do projeto básico para a realização do evento.

Barros foi confrontado várias vezes pelo presidente da Comissão de Ética, deputado Dr. Michel, por cair em contradição quando da confirmação das declarações que prestou  no inquérito na Polícia Civil. Mas assegurou que só soube das irregularidades  no processo depois do pagamento à empresa contratada.  O deputado Patrício também se irritou com a falta de resposta para algumas questões que levantou:  “O senhor não pode fugir da responsabilidade”.

O ex-administrador admitiu, contudo, que foi apreendida em seu poder uma tabela escrita à mão por Raad (que consta no inquérito da Polícia Civil) com valores de salários de servidores da Administração Regional de Sobradinho que teriam que ser repassados para o distrital, responsável pelas indicações aos cargos. Em depoimento posterior, o distrital disse que os servidores daquela administração negaram  no inquérito da Polícia Civil o pagamento das quantias constantes naquela tabela. “Exame grafotécnico comprovou que a maioria das palavras não era minha”, disse.

Pressão – Ao final da reunião, o presidente da comissão, Dr. Michel, afirmou estar com a sensação de “dever cumprido”: “Terminaram as oitivas e estamos prontos para apreciar o relatório”. Ele contou ainda que, de ontem para hoje, tentaram corrompê-lo indiretamente: “Me disseram que eu deveria mudar de postura, que coisas boas viriam para minha vida”. E completou: “Sou incorruptível. Se a proposta tivesse sido feita de forma direta, mandava prender”.

Já o relator Joe Valle disse sofrer certa pressão apenas dos próprios colegas: “É normal, eles me pedem cuidado para não cometer injustiça”. Segundo Valle, há elementos suficientes para fazer o relatório: “Vou fazer o possível e o impossível para apresentá-lo no dia 21 de agosto”.

 Fonte: CLDF

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