NOVA BALANÇA DE PODER

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ELEIÇÕES 2010 – DISTRITO FEDERAL
Nova balança de poder

equilíbrio de forças na capital federal foi modificado mais uma vez no esteio de denúncias de corrupção. No último dia 3, o grupo formado em torno de Agnelo Queiroz (PT) aproveitou os efeitos da Operação Caixa de Pandora para crescer nos parlamentos.A coligação Um Novo Caminho conquistou o maior número de cadeiras disputadas e formará a maioria nas câmaras. Juntas, as 11 siglas que compõem a chapa elegeram 14 dos 24 representantes distritais, cinco dos oito deputados federais e os dois senadores.

O PT foi o que obteve o melhor desempenho, aumentando uma cadeira na Câmara Legislativa em relação à última legislatura e passando a ocupar três na Câmara dos Deputados. Segundo o presi dente do PT-DF, Roberto Policarpo, o resultado era esperado.“Esse crescimento demonstra que o partido agiu corretamente durante os escândalos e saiu tranquilo desse processo.” A performance surgecomoalívio paraumalegenda que havia diminuído, em 2006, também devido ao mensalão na esfera federal.

Nas eleições daquele ano, o PT teve o pior desempenho na história do DF. Elegeu apenas quatro distritais eumfederal, além de ficar em terceiro lugar na disputa pelo Palácio do Buriti.Umano antes, o partido viu figuras nacionais importantes serem abaladas pelo suposto caso de corrupção, como José Dirceu (SP) e José Genoino (SP). “Brasília é uma cidade que reflete o que acontece no nível do governo federal e o eleitor daqui acaba reagindo ao cenário do momento”, afirma Policarpo. Para o presidente, a boa avaliação da administração de Lula influenciou positivamente, este ano, para a formação da bancada local.

Perdas e raiva Se a situação melhorou para os petistas, piorou, e muito, para o Democratas (DEM). No fim de 2009, a legenda teve os nomes dos principais representantes do partido envolvidos nas denúncias de pagamento de propina.Durante o processo de investigação, a sigla teve de abdicar dos mandatos do governador José Roberto Arruda, do vice-governador Paulo Octávio, do presidente da Câmara Legislativa Leonardo Prudente e do distrital Júnior Brunelli. Além de ter a imagem abalada, o DEM ficou sem grandes puxadores de voto.No pleito da semana passada, perdeu duas vagas de distrital, duas de federal eumade senador.

Umdos derrotados na eleição foiodeputado federal AlbertoFraga( DEM),quebuscava serumdos escolhidos ao Senado. “A perda é muito grande e foiemnível nacional, devido aos escândalos, que acabaramganhando uma dimensão maior do que o mensalão do PT”, afirma. Para o parlamentar, o momento agora é de reconstrução do partido. “Agora, temos de reunir os nomes que restarampara solidificar a legenda.Uma das maneiras é fazer uma oposição não raivosa”, diz Fraga.

O DEM foi a sigla com a segunda maior votação na Câmara Legislativa. Somados os votos de legenda com os dados aos candidatos, opartido obteve 102 mil sufrágios e ficou atrás, apenas, do PT com 216 mil. Apesar do desempenho, a legenda saiu sozinha na disputa pela Câmara e acabou perdendo espaço para outras que decidiram se coligar. O mesmo ocorreucomoPSDB, terceira sigla mais votada com 84 mil votos e apenas dois distritais eleitos.

Apesar de ter feito parte da chapa que mais cresceu, o PMDB também teve perdas.O partido foi abalado pela Caixa de Pandora e perdeu dois distritais e um federal.

Para o presidente regional da legenda e candidato a vice de Agnelo, Tadeu Filippelli, a redução da bancada poderia ter sido maior.“Somos vitoriosos pelo resultado, porque, mesmo diante do histórico de mudanças do último ano, conseguimos revelar novos nomes”, disse o deputado.

Os peemedebistas perderam importantes quadros.Na Câmara Legislativa, deixaram de contar com os votos de Eurides Brito, cassada no último semestre, e de BenícioTavares, que está sub judi e ainda pode ter o registro deferido.

Ele recebeu 17,5 mil votos e, caso a Justiça libere a candidatura, será empossado e mexerá com o quociente eleitoral, causando uma redistribuição das vagas. Para a Câmara dos Deputados, o PMDB não contou com três grandes puxadores: Laerte Bessa, que migrou para o PSC; Rogério Rosso, atual governador; e o próprio Filippelli, que foi o federal mais votado em 2006. Isso sem contar a perda de Joaquim Roriz (PSC).

Para o presidente do PMDBDF, a partir de agora o partido terá de apostar na renovação dos representantes da sigla. “Dos 48 candidatos a distritais, apenas dois tinham história. Agora, preciso trabalhar pelos novos membros a fim de chegar daqui a três anos com uma nominata forte para concorrer às eleições de 2014”, vislumbra Filippelli. Informações do Correio Braziliense.

 
 
 

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