O DIREITO DE LÍDICE

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Miguel Lucena*
O ex-governador Jacques Wagner, da Bahia, censurou a senadora Lídice da Mata por reunir 600 personalidades em apoio à sua pretensão de concorrer à reeleição em outubro deste ano. “Não vejo com bons olhos”, teria dito o “Galego”, apelido que lhe foi dado por Luiz Inácio Lula da Silva.
Wagner entende que somente ele e Rui Costa, atual governador, têm legitimidade e poder para definir a chapa majoritária do esquema governista baiano.
Quando Jacques Wagner e Rui Costa se fixavam em economicismo e os operários morriam contaminados por benzeno no Polo Petroquímico de Camaçari, tendo de ser socorridos em denúncias por Maria José Rocha (Zezé), Lídice da Mata já havia sido vereadora e deputada federal. Depois, alcançou a chefia do Poder Executivo em Salvador, elegeu-se deputada estadual (gesto de humildade), deputada federal e senadora, a primeira mulher a ocupar esse posto nas terras baianas.
Não há nada na história que autorize Jacques Wagner, ex-governador da Bahia, a censurar Lídice por reunir 600 personalidades baianas em apoio à sua legítima pretensão de concorrer ao Senado novamente.
O que impede Lídice de reunir apoios para se reeleger senadora? Será que ela é subordinada ao ex-governador? Será que o espírito coronelesco de velhos mandachuvas baianos se incorporou nele ou foi um pouco de influência do tempo em que Wagner andava para cima e para baixo com Luiz Eduardo e Geddel?
Lídice deve mesmo reunir seus apoiadores e não esperar ser isolada e destruída por interesses mesquinhos.
Não tenho procuração para defender Lídice, mas sei que ela tem história e não pode ser comparada a qualquer coronel do café que chega de pó e coador para ditar rumos políticos, suprimindo a vontade e a decisão da sociedade organizada.
Faz muito tempo que não se sabe o que é esquerda ou direita na Bahia, porquanto todos se misturaram após a morte de ACM. Cheguei a ver um ex-líder da Savak, grupo bandoleiro que agredia os adversários do carlismo, vestindo uma camiseta de Lula. Gente que roubou o SUS hoje é festejado como o suprassumo da honestidade. Parece que, na visão petista atual, herói é quem consegue fazer mais coisas erradas.
Lídice sofrerá muita discriminação ainda por ser  ficha limpa.
Se eu fosse ela, juntava meu povo e concorreria de qualquer jeito, de preferência pela oposição.

Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.

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