Operação derruba Mesa Diretora e CPI da Saúde: veja quem é quem

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São citados distritais da Mesa Diretora e integrantes da CPI da Saúde em um esquema de cobrança de propina sobre créditos orçamentário no valor de R$ 31 milhões

Otávio Augusto , Luiz Calcagno/Correio Braziliense

A denúncia de Liliane Roriz (PTB) envolve um quarto da Câmara Legislativa. São citados distritais da Mesa Diretora e integrantes da CPI da Saúde em um esquema de cobrança de propina sobre créditos orçamentário no valor de R$ 31 milhões usados para quitação de dívidas com empresários do ramo de UTI.

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A presidente afastada da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS), e os deputados Cristiano Araújo (PSD), Raimundo Ribeiro (PPS), Bispo Renato (PR) e Júlio César (PRB) prestaram depoimento na manhã desta segunda-feira (23/8), na Delegacia de Combate aos Crimes contra a Administração Pública (Decap).

As oitivas, que envolvem, ainda, funcionários da Câmara, fazem parte dos trabalhos da Operação Dracón, da Polícia Civil e do Ministério Público do Distrito Federal e territórios (MPDFT). Agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão na Casa e na residência dos parlamentares.

Peças mexidas

O escândalo político trouxe novos protagonistas ao centro do poder. Juarezão (PSB) — eleito vice-presidente no lugar de Liliane —, Agaciel Maia (PTC), Lira (PHS),  Rodrigo Delmasso (PTN), como secretários suplentes da Mesa Diretora. Delmasso agora é líder do governo na Câmara no luar de Júlio César (PRB), que renunciou ao posto para cuidar de sua defesa.

Cristiano Araújo (PSD) é citado como articulador do esquema. Segundo Liliane, ele conseguiu o “negócio” das UTIs. Raimundo Ribeiro (PPS), Bispo Renato Andrade (PR) e Júlio César (PRB), além de Celina e Liliane, seriam os beneficiários da operação fraudulenta.

Vejam quem é quem na negociata.
Os distritais investigados

Carlos Moura/CB/D.A Press
Júlio César (PRB) – 2° Secretário
Ex-secretário de Esporte do GDF, Júlio César, 41 anos, foi  calouro em eleições em 2014 e se tornou líder do governo na Câmara — entregou o cargo depois do escândalo de corrupção. Foi o mais votado com 29.384 votos. Ex-empresário do ramo de segurança patrimonial em São Paulo, mudou-se para Brasília em 2011, a pedido do partido, para assumir a secretaria-adjunta de Esporte. Evangélico há 24 anos, casado há 21 e membro da Igreja Universal do Reino de Deus, Júlio deveu boa parte de seu sucesso eleitoral à dobradinha feita com deputado federal Vítor Paulo, eleito deputado federal pelo RJ em 2010.
Carlos Moura/CB/D.A Press
Liliane Roriz (PTB) – Vice-presidente da Mesa Diretora
Filha caçula de Joaquim Roriz, governador do Distrito Federal quatro vezes. É irmã de (Jaqueline Roriz), política do PMN que apareceu em vídeo recebendo dinheiro de Durval Barbosa, delator do Mensalão do DEM no Distrito Federal. Liliane foi eleita  deputada distrital pela primeira vez em 2010. Em 2014 foi a 11ª distrital mais votada com 16.745 votos. Apesar de ser entendida como herdeira política do pai, Liliane vem mantendo uma postura independente. Já declarou, por exemplo, ser a favor do financiamento público de campanhas como medida de evitar a corrupção. Elaé ex-vice-presidente da Câmara, sofre três processos por quebra de decoro parlamentar e pode ter o mandato cassado pelo TJDFT.
Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Cristiano Araújo (PSD) –  Integrante da CPI da Saúde
Nascido em Brasília e com apenas 33 anos, Cristiano está no seu terceiro mandato. Eleito pela primeira vez em 2006, sendo reeleito em 2010. Cristiano é herdeiro da Vipasa, empresa especializada em vigilância patrimonial armada. Em sua carreira política, Cristiano já se envolveu em alguns escândalos, como a acusação de que a empresa de sua família teria incluído, sem necessidade, na planilha de custos do contrato com o GDF, valores de alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).  Cristiano também foi investigado pela  Polícia Civil em um suposto esquema de concessão fraudulenta de bolsas da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF), com evidências da participação do distrital na contratação de pessoas sem qualquer qualificação para receberem bolsas de pesquisa de até R$ 4 mil, em desrespeito aos critérios do edital.  O Ministério Público do Distrito Federal denunciou o deputado distrital Cristiano Araújo (PTB) por fraude à Lei de Licitações e imputou o crime nove vezes ao deputado. Em 2014, recebeu 14.657 votos (15º colocado).
Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Bispo Renato (PR) – 3º Secretário e integrante da CPI da Saúde
Renato Andrade, fundador da Igreja Episcopal Apocalipse e presidente da Federação Nacional de Igrejas Cristãs (Fenaic), atuou na Secretaria de Trabalho do governo Agnelo Queiroz (PT) e se manteve no GDF mesmo após o anúncio da filiação de José Roberto Arruda ao PR. O Pastor afirma que a política é um instrumento de deus para chegar às pessoas. Em 2014, recebeu 14.216 votos (17º colocado).
Ed Alves/CB/D.A Press
Celina Leão (PPS) – Presidente da Mesa Diretora
Celina Leão foi secretária da Juventude do DF em 2006, no governo Joaquim Roriz. Em 2010 elegeu-se deputada distrital pelo PMN, depois, migrou para o PSD a pedido de Rogério Rosso e hoje está no PPS. Em seu mandato, Celina fez forte combate ao governo de Agnelo Queiroz. A deputada e membros da família Roriz, da qual é muito próxima, foram citadas pelo Mp por montarem uma organização que desviava dinheiro público e fraudava contratações de obras vinculadas à Administração Regional de Samambaia. Na época, ela era assessora parlamentar de Jacqueline Roriz.  Em 2014, recebeu 12.670 votos (18º colocado).
Andre Violatti/Esp. CB/D.A Press
Raimundo Ribeiro (PPS) – 1° Secretário
Sua participação no Serviço Público teve começo no Ministério da Educação e Cultura (MEC) onde foi Presidente da Associação dos Funcionários. Foi nomeado, em 2000, gerente regional do patrimônio da União, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 2006, foi eleito deputado distrital, concorrendo na mesma chapa que elegeu José Roberto Arruda ao governo do Distrito Federal. Em 2007, assumiu a recém-criada pasta da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal, cargo que exerceu por 18 meses. Em 2010 disputou as eleições para o cargo de deputado distrital, sendo eleito suplente. Em 2011, retornou ao seu órgão de origem, Advocacia Geral da União (AGU). Em 2014, recebeu 10.026 votos (23º colocado).
Os servidores investigados
Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Alexandre Braga Cerqueira – Secretário Executivo da Mesa Diretora da Câmara Legislativa
Desde 2013 Alexandre é responsável por contratos e pagamentos. Possui formação nas  áreas de administração, gestão pública, educação e comunicação, com ênfase em administração pública. O servidor está  na Câmara há pelo menos duas décadas sempre em cargos de comissão. Alexandre foi citado pelo empresário Afonso Assad, presidente da Associação Brasiliense de Construtores, em depoimento ao Ministério Público. Ele seria um emissário da Câmara Legislativa que cobrava “ajuda”. O funcionário teve um lava jato e hoje é sócio de uma lotérica e de uma entidade ligada à educação. Já fez doações em campanhas eleitorais.
Breno Fortes/CB/D.A Press
Valério Neves –  ex-secretário geral da Câmara Legislativa
Valério é citado nos áudios como um dos organizadores do esquema. Nas conversas gravadas por Liliane Roriz, ele aparace como emissário dos deputados. Ele estaria cobrando de 5 a 10% de propina sobre os créditos orçamentários. Nos áudios, ele explica que todos os parlamentares da Mesa Diretos estariam cientes do esquema. Na época, Valério era era secretário-geral e ordenador das despesas da Câmara Legislativa na época, cargo que ocupou devido à proximidade com a presidente da Casa e que deixou depois de ser preso na Operação Lava- Jato, na mesma apuração relacionada ao ex-senador Gim Argello (PTB-DF).
Carlos Vieira/CB/D.A Press
Ricardo Cardoso dos Santos –  ex-diretor do Fundo da Saúde do DF
O Fundo de Saúde do DF reconheceu, em dezembro do ano passado, dívidas dos hospitais Santa Marta (R$ 11 milhões), Home (R$ 5 milhões), Intensicare (R$ 5 milhões), Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (R$ 4,5 milhões), São Mateus (R$ 2,5 milhões) e São Francisco (R$ 2 milhões). Na época, Ricardo Cardoso dos Santos, era o diretor do Fundo da Saúde. Ele nega envolvimento no esquema ou favorecimento de empresas. O gestor foi exonerado em 21 de julho. Antes de chegar ao GDF, Ricardo era servidor  Ministério da Justiça, onde é concursado desde 2010. Atuou na área de auditoria. Agora, voltou para o órgão de origem.

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