Operação Drácon: “Deputada Liliane Roriz é minha inimiga pública”, dispara Celina Leão

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Celina vai protocolar queixa-crime contra a filha do ex-governador Joaquim Roriz, acusando-a de mentir duas vezes ao Ministério Público

POR GUILHERME WALTENBERG/RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES –

 

Numa contraofensiva para tentar manter o seu mandato, a deputada Celina Leão (PPS) decidiu protocolar uma queixa-crime contra Liliane Roriz (PTB) no processo que deu origem à Operação Drácon. Segundo a parlamentar, a filha do ex-governador Joaquim Roriz teria mentido duas vezes em depoimentos prestados ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), ao dizer que a emenda destinando recursos para as empresas que prestam serviço de UTIs para o governo local não era de sua autoria.

 

Na avaliação de Celina, como colaboradora das investigações, Liliane Roriz não poderia mentir. “Isso é falso testemunho. A deputada Liliane Roriz é minha inimiga pública”, disparou Celina em entrevista nesta segunda-feira (5/12). A estratégia de ataque faz parte dos planos da distrital do PPS para salvar a sua permanência na Câmara Legislativa.

 

No mês passado, os promotores que integram a Drácon denunciaram a deputada e outros quatro parlamentares por corrupção passiva, e pediram o imediato afastamento de todos eles das atividades legislativas.

Além de Celina, foram denunciados Raimundo Ribeiro, ambos do PPS, além de Julio Cesar (PRB), Bispo Renato Andrade (PR) e Cristiano Araújo (PSD). Todos são suspeitos de destinar emendas parlamentares para a área de saúde em troca de propina.

 

De acordo com Celina, Liliane não teria apenas mentido. Ela também tentou, segundo a parlamentar, obstruir a Justiça. “Uma auditoria realizada pela Câmara mostrou que funcionários do gabinete de Liliane deletaram arquivos importantes”, lembrou.

 

Ingerência

Com a língua afiada, mas cautelosa, Celina Leão afirmou que o pedido de afastamento é “esdrúxulo”. “Quem foi o grande beneficiado com o afastamento da Mesa Diretora? Éramos uma mesa praticamente de oposição. É uma ingerência no Poder Legislativo”, destacou.

 

Questionada sobre quem estava acusando, a parlamentar abaixou o tom. “Se for, é do autor da denúncia (numa referência ao Ministério Público). Não é plausível, democrático e correto. Mas não quero julgar instituições. Elas são maiores que as pessoas”, contemporizou.

 

A assessoria de imprensa da deputada Liliane Roriz informou que ela não iria se manifestar sobre o assunto.

 

Entenda o caso

Liliane teria começado a grampear os colegas no fim do ano passado, quando os parlamentares decidiam sobre o que fazer com uma sobra orçamentária da Casa. Em um primeiro momento, os recursos seriam destinados ao GDF para custear reformas nas escolas públicas. De última hora, no entanto, o texto do projeto de lei foi modificado e o dinheiro – R$ 30 milhões de um total de R$ 31 milhões – realocado para a Saúde. O valor foi destinado ao pagamento de serviços vencidos em UTIs da rede pública.

 

Na ocasião, Liliane teria questionado a presidente da Câmara sobre a mudança na votação. No áudio, é possível ouvir a então presidente da Câmara Celina Leão falando que o “projeto” seria para um “cara” que ajudaria os deputados. A presidente da Casa disse ainda que Liliane não ficaria de fora: “Você (Liliane) tá no projeto, entendeu? Você tá no projeto. Já mandei o Valério (ex-secretário-geral) falar com você.”

 

As denúncias feitas por Liliane atingiram outros distritais, como o Bispo Renato Andrade e Júlio César. Segundo é possível ouvir nas gravações, os dois teriam tentado fazer uma negociação com Afonso Assad, presidente da Associação Brasiliense de Construtores. De acordo com o que Valério Neves diz em um dos áudios, o empresário poderia intermediar contratos com a Secretaria de Educação. Mas Assad não teria levado a cabo o “compromisso”. “O Afonso disse que não poderia garantir nada”, diz Valério Neves em um dos trechos.

 

Com a negativa do empresário de participar do tal “compromisso”, segundo explica Valério nos áudios, o deputado Cristiano Araújo teria conseguido o “negócio” das UTIs. Ao dizer o quanto os “hospitais iam retornar”, Valério sussurra que seria “em torno de 7%”. E diz ainda que todos os integrantes da Mesa Diretora tinham conhecimento do acordo. Celina, por sua vez, diz que se fosse para eles receberem algum tipo de ajuda, teria de ser para todos. Integram a Mesa Diretora Celina, Raimundo Ribeiro, Júlio César e Bispo Renato.

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