Operação Drácon: empresário coloca distritais em uma fria

0
9
Depoimento Afonso Assad-CPI da Saude-afonso assad Data:27-10-2016 Foto: Hugo Barreto
Hugo Barreto

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

O empresário Afonso Assad colocou os deputados distritais alvos da Operação Drácon em uma sinuca de bico ao confirmar o pedido de propina para a CPI da Saúde. Respaldado por uma liminar, o presidente da Associação Brasiliense dos Construtores (Asbraco) não respondeu a 99% dos questionamentos dos membros da comissão, mas confirmou e ratificou o depoimento prestado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Aos promotores, Assad revelou uma suposta pressão por propina vinda dos deputados Julio César (PRB), Bispo Renato (PR) e Cristiano Araújo (PSD).

A Operação Drácon investiga o que seria um esquema de propina gerenciado pela Mesa Diretora da Câmara. Parlamentares no comando da Casa supostamente teriam cobrado pagamentos de empresários para a liberação de emendas com o objetivo de sanar dívidas das empresas com o GDF nas áreas de Saúde e Educação. O escândalo levou ao afastamento temporário da Mesa, a pedido da operação do MP. A presidente da Câmara, deputada Celina Leão continua longe do cargo e atualmente recorre ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o depoimento prestado ao MP, Assad teria procurado apoio na Câmara para o segmento da construção civil ao final de 2015. “Dias depois foi chamado pelo deputado distrital Julio César, o qual queria negociar a liberação de uma emenda decorrente de sobra orçamentária, mas mediante uma colaboração. O depoente negou a possibilidade de pagamento de qualquer colaboração”, diz o documento. No dia 7 de dezembro do mesmo ano, o empresário encontrou-se no restaurante Fogo de Chão com Julio César e Bispo Renato. Ambos teriam reiterado o pedido de contribuição, mas Assad negou mais uma vez.

“Os deputados disseram que estavam sendo pressionados pelo deputado Cristiano Araújo e pelo GDF”, declarou Assad. Ainda em dezembro, o empresário teria sido procurado por um assessor de Bispo Renato solicitando o adiantamento de R$ 10 mil para pagamento de despesas do parlamentar. No dia 16 de dezembro, Assad teria se encontrado novamente com Julio César e Bispo Renato, no Restaurante Francisco. Os parlamentares teriam dito que haviam sido destinado R$ 1 milhão para a manutenção de escolas e outros R$ 4 milhões poderiam ser repassados, mediante contribuição. Pela terceira vez, o empresário teria negado.

Nas declarações ao MP, Assad comentou que de fato foram destinados R$ 4 milhões para a pasta da Educação. No entanto, os membros da CPI esperavam colher mais informações do empresário. Segundo o líder do PT na Câmara, deputado Wasny de Roure, o depoimento na comissão foi uma decepção. Do ponto de vista do presidente da comissão, deputado Wellington Luiz (PMDB), a oitiva ficou aquém das expectativas. “O silêncio dele de fato não contribuiu muito”, comentou. A comissão planeja convocar outros citados. Os deputados negam tudo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui