OPERAÇÃO LAVA JATO Arruda e Agnelo negam recebimento de propina da Andrade Gutierrez. Pagamento teria sido por obra do estádio Mané Garrincha, em Brasília

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Construtora pagou propina a Arruda e Agnelo Queiroz, dizem delatores

DO G1, COM INFORMAÇÕES DA TV GLOBO –

Ex-executivos da empreiteira Andrade Gutierrez afirmaram a investigadores da Lava Jato, em delação premiada, que pagaram propina a dois ex-governadores do Distrito Federal, José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, para a construção do estádio Mané Garrincha, em Brasília, que recebeu em 2014 jogos da Copa.

 

As informações, obtidas pela TV Globo, estão nas delações de Clóvis Peixoto Primo e Rogério Nora de Sá. Eles também revelaram o pagamento de propina ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral, do PMDB. Os dois afirmaram ainda que houve pagamento de propina aos ex-governadores do Amazonas Eduardo Braga (PMDB) e Omar Aziz (PSD), hoje senadores pelo estado.

 

José Roberto Arruda

Clóvis Primo disse que houve em 2009, antes da formação do consórcio que ganhou a licitação para construir o Estádio Nacional de Brasília, um acerto para o pagamento de propina de 1% do valor ao então governador do DF, José Roberto Arruda.

Ele também disse que realizou os pagamentos mesmo depois de Arruda ser afastado do cargo e preso, apontado como o comandante de um suposto esquema de distribuição de propina a aliados. Ele foi o primeiro governador preso no país.

 

A defesa negou as acusações, afirmou que o contrato da construção não foi assinado durante a gestão de Arruda e negou que tenha havido repasse ou pagamento quando ele esteve no cargo.

 

Agnelo Queiroz

Rogério Nora de Sá afirmou que também houve pagamento a Agnelo. Segundo ele, os repasses eram feitos por diretores da Andrade Gutierrez. Ele também declarou que não havia valor fixo, mas que o ex-governador pediu pagamentos para o PT.

A defesa negou que Agnelo tenha recebido ou pedido dinheiro à construtora. O PT diz que todas as doações recebidas foram feitas dentro da legalidade.

 

Amazonas

Os ex-executivos da Andrade Gutierrez, investigados na Operação Lava Jato, também revelaram, na delação premiada, que pagaram propina aos ex-governadores do Amazonas Eduardo Braga (PMDB) e Omar Aziz (PSD), que, atualmente, são senadores pelo estado.

Eduardo Braga foi ministro de Minas e Energia do governo Dilma Rousseff. Ele afirmou, por meio de nota, que a denúncia é “absurda” e que está indignado e se sentindo ofendido com as acusações.

O senador Omar Aziz afirmou que é alvo de “retaliação” da Andrade Gutierrez por não aceitar aditivos de “mais de R$ 1 bilhão” ao valor da obra da Arena da Amazônia. O senador disse ainda que as doações de campanha que recebeu foram declaradas à Justiça Eleitoral. “Agi com transparência e não me surpreende saber que estou sendo alvo de retaliação da Andrade Gutierrez. Todas as doações de minhas campanhas foram declaradas à justiça eleitoral”, afirmou.

A Andrade Gutierrez afirmou que não irá comentar. Na delação premiada, ex-executivos revelaram que, para vencer a concorrência da obra da Arena da Amazônia, a empresa teve informações privilegiadas do governo estadual. Além disso, de acordo com os relatos, a construtora chegou a ajudar na elaboração do projeto e do edital.

Segundo Clóvis Primo, a Andrade Gutierrez tinha preferência pela obra porque estava instalada há muitos anos no Amazonas.

 

Eduardo Braga

Havia uma combinação, que ocorreu durante os oito anos do governador, Eduardo Braga (PMDB), de pagamento de propina de 10% sobre o valor de cada obra da empreiteira, segundo o delator.

De acordo com Primo, Braga fazia ameaças se houvesse atraso no pagamento da propina. “Ele era jogo duro”, afirmou.

Braga teria recebido entre R$ 20 e R$ 30 milhões, segundo estimativa de Sá.

Omar Aziz

Ao detalhar a licitação da Arena da Amazônia, Primo disse ter se encontrado, em hotel em Brasília, com o sucessor de Braga no governo do estado, o senador Omar Aziz (PSD).

O delator afirmou ter tentando negociar redução da propina e disse que, após fazer “um grande teatro” e ter se exaltado, Aziz aceitou a redução para 5% do valor das obras.

Segundo Sá, em outra reunião, em São Paulo, Omar Aziz pediu propina de R$ 20 milhões à construtora, alegando que a empresa tinha grande volume de obras no estado e que a verba seria usada para pagar despesas de campanha.

O delator afirmou que, ao ouvir que não era possível, Omar Aziz teria insistido de modo agressivo, aumentado o tom e afirmado que, se a propina não fosse paga, o governo estadual poderia “se vingar” da Andrade Guetierrez.

A delação informa que Omar Aziz teria inclusive sugerido que a construtora executasse algum serviço de medição de terraplanagem e embutisse o valor.

O total pago pela Andrade Gutierrez a Aziz somou cerca de R$ 18 milhões, segundo Sá, e teriam sido feitos pelo menos até setembro de 2011.

A Procuradoria-Geral da República ainda não pediu abertura de inquérito para investigar os dois senadores.

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