Operação Miquéias Inquérito da Polícia Federal aponta deputado goiano como lobista

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Gabriela Lima, do G1 GO

O inquérito da Polícia Federal (PF) sobre a Operação Miquéias aponta o deputado estadual Samuel Belchior (PMDB-GO) como lobista do grupo suspeito de lavagem de dinheiro e fraudes em fundos de previdência em Goiás, no Distrito Federal e mais oito estados do país. Em diálogos gravados com autorização da Justiça, o político goiano chama de “chefa” uma das mulheres presas como lobista da quadrilha e diz: “Estou trabalhando bonito ‘procê’ aqui”, disse Samuel em um dos trechos interceptados.

Para a PF, o deputado intermediava contatos entre os membros da quadrilha e políticos de Goiás. No inquérito consta uma foto de Belchior com a lobista, o deputado estadual Daniel Vilela (PMDB) e o deputado federal Leandro Vilela (PMDB) em um restaurante em Brasília. O encontro, segundo a investigação, aconteceu no dia 27 de março de 2012.

Por meio de nota, Samuel Belchior (foto) nega “qualquer relação espúria ou ilegal com quem quer que seja”. Diz que o contato entre ele e a lobista se deu no primeiro semestre deste ano, por meio de 3 ou 4 telefonemas em que ela solicitava ser apresentada a prefeitos conhecidos do deputado, “o que nunca aconteceu”.

Quanto a chamá-la de “chefa”, ele alega ser “um hábito chamar assim todas as pessoas, não representando em nenhuma hipótese intimidade”. O deputado, que também é empresário, se diz disposto a  apresentar todos os seus sigilos fiscais, bancárias e telefônicos, pessoais e de suas empresas.

Também através de nota, o deputado Daniel Vilela confirmou o encontro com a lobista e os outros dois parlamentares, mas alega que “nunca a apresentou a nenhum prefeito ou qualquer pessoa ligada a ele”. Por fim, Daniel esclarece que não é investigado pela PF.

Já a assessoria do deputado Leandro Vilela encaminhou nota afirmando que o encontro em Brasília era para tratar de questões relacionadas ao partido [PMDB], o qual é presidido em Goiás por Samuel Belchior. A nota reforça ainda que a ligação Leandro com a operação da PF é sem fundamento e a citação de seu nome é “mera conjuctura”.

Operação
A Operação Miquéias foi deflagrada na semana passada, com a prisão de 20 suspeitos de integrar o esquema que, segundo a PF, desviou R$ 50 milhões em propina paga por prefeituras a fundos de pensão de fachada. De acordo com o inquérito, a quadrilha contava com a ajuda direta de prefeitos, ex-prefeitos, deputados e funcionários públicos da União.

Agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Samuel Belchior. O deputado confirmou que eles estiveram na casa dele durante a manhã do dia 19, apreenderam alguns documentos, um computador e um notebook.

Duas pessoas, que não tiveram os nomes divulgados, foram presas no estado e encaminhadas para a sede da PF em Goiânia. Segundo a assessoria, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em duas prefeituras goianas: Pires do Rio e Itaberaí.

O assessor de imprensa da prefeitura de Pires do Rio, Josué Martins, disse ao G1 que os agentes estiveram hoje no Fundo de Previdência Social do município e que alguns documentos foram recolhidos. O G1 tentou contato com a Prefeitura de Itaberaí, mas ninguém atendeu aos telefonemas para comentar o caso.

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