Opinião: Fraga e seu novo caminho

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Gravações feitas possivelmente pelo ex-secretário de Arruda poderão robustecer as provas do esquema conhecido como Caixa de Pandora

 

Estive afastado de Brasília durante os últimos 10 dias para tratamento de saúde. No início do mês, no dia 5, ao acessar a revista eletrônica QuidNovi, tomei conhecimento de nota publicada sobre o vazamento de um diálogo travado entre o titular deste blog e o ex-deputado federal, ex-secretário de Transportes e candidato derrotado ao Senado Federal, tenente coronel da PMDF, na reserva, João Alberto Fraga Silva, atual presidente do DEM-DF. …

 

Na nota, fica claro que a nossa conversa foi gravada. Não fui pego de surpresa com a informação. Ao fazer exercício de memória, realmente lembro-me de ter estado com o ex-secretário do ex-governador do DF, José Roberto Arruda, por nove vezes. E até gostaria realmente que todas essas conversas tivessem sido gravadas: as que mantive no Palácio do Buriti, no ex-centro administrativo, o Buritinga, e até as da Residência Oficial de Águas Claras. Isso me pouparia, talvez, da necessidade de possíveis acareações que provavelmente terei de passar diante de fatos que se revelarão na Ação 707, originada no Inquérito 650/STJ, também conhecido como Caixa de Pandora.

 

Fraga pode não se lembrar, mas eu, na condição de testemunha, tive minha vida monitorada durante todo o período que antecedeu a operação. E, para não correr risco de arruinar toda a denúncia – agora aceita pelo Superior Tribunal de Justiça – segui uma receita fácil: sempre dizer a verdade. É um método que nunca dá errado.

 

Se a autoria da gravação ou gravações é de João Alberto Fraga Silva, isso as perícias poderão atestar. Quanto aos conteúdos das mesmas, a mim não causa nenhuma preocupação, pois volto a dizer: na condição de testemunha, tenho a obrigação de sempre falar a verdade. Quanto a ser ele o autor das gravações, ou não, cabe ao tenente-coronel falar. E logo ele que passou “longe” da Caixa de Pandora, talvez tenha de passar agora minimamente à condição de testemunha do esquema considerado pela grande imprensa como o maior de corrupção existente no Brasil.

 

O senhor João Alberto Fraga Silva escolherá o seu caminho. Quanto a mim, continuarei firme e forte no propósito de dizer a verdade. Cada um de nós tem seus ônus pessoais pelas posturas adotadas. Ele, de ter se colocado como defensor ferrenho do ex-governador José Roberto Arruda. E eu, de ter ajudado Durval Barbosa a fazer a delação premiada e com o seu gesto provocar a deflagração da operação Caixa de Pandora. Gesto que apesar dos pesares considero até hoje de muita coragem de sua parte.

 

Eu fiz a opção que julguei correta. Já o ex-secretário de Transporte do governo Arruda ainda tem tempo de escolher de que lado vai caminhar e falar ou não a verdade. Dependendo de sua postura, e de seus interesses, claro, saberá se um dia conseguirá olhar para seus filhos e netos e dizer: “Eu sou um bom exemplo para vocês”. Ou não. Cabe apenas a ele escolher.

 

Por Edson Sombra

 

Fonte: Blog do Sombra

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