Opinião – Ifude

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Miguel Lucena*

Foi uma luta para conseguir que um entregador do Ifood entregasse um pedido feito ao Burger King nesta noite de sexta-feira, 5. Ele exigia que os quatro últimos números do telefone do cliente batessem com o que estava registrado no aplicativo, sob pena de retornar com o lanche.

  • O pedido está pago, olhe aqui, foi no cartão de crédito. Entregue meu lanche!
  • Entrego não!
  • Me dê o lanche!
  • Dou não! – e se agarrava à sacola de papel, amassando os sanduíches.
    Todos os telefones da casa foram apresentados ao entregador, mas nenhum número batia com o do sistema dele.
    Formou-se uma aglomeração na portaria do prédio. O homem, a mulher, o filho, os amigos do filho, e nada do entregador largar o pedido.
    Até que o dono da casa se lembrou de um antigo telefone, passou para o filho os últimos quatro números e não é que bateram com o sistema?
    O pagamento efetuado, até aquele momento, não valeu de nada. O importante são os números do telefone, que nem existe mais.
    A burocracia chegou com força na iniciativa privada.

*Miguel Lucena é Delegado de Polícia do Distrito Federal, jornalista e escritor.Ifude

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