PAULO TADEU GARANTE QUE FICA NO GDF

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Marina Marquez, Jornal de Brasília

Desde que assumiu o cargo de secretário de Governo, em janeiro deste ano, Paulo Tadeu tem enfrentado seguidos boatos de que deixaria o governo de Agnelo Queiroz. Semanalmente, blogs de cobertura política local divulgam que o secretário vai deixar o cargo e a notícia se espalha, até ser desmentida pelo alto escalão do GDF. Diante da suposta existência de uma crise que levaria à sua saída, o secretário é enfático: “Todos os boatos são falsos e são tentativas de desestabilizar o governo pelos viúvos da Pandora”.

“Eu estou muito bem e muito feliz na Secretaria de Governo e, enquanto estiver feliz, fico por aqui. Até o dia que eu quiser e o governador Agnelo também quiser, não deixarei o cargo. Minha missão aqui é longa”, afirma. Paulo Tadeu atribui os boatos ao que chama de “viúvos da Pandora”, segundo ele, um grupo de empresários e pessoas ligadas ao esquema de corrupção deflagrado pela Operação Caixa de Pandora, em novembro de 2009.

Segundo ele, são pessoas que passaram “mais de 12 anos seguidos na estrutura” e não se conformam com as mudanças que estão sendo feitas. “Todas as ‘quedas‘ que tenho tido nos últimos meses coincidem com esquemas que desmontamos no governo. São pessoas que, agora que estão fora, tentam manchar a imagem do governo Agnelo, tentam criar uma instabilidade que não existe”.

NINGUÉM É INSUBSTITUÍVEL

O secretário também atribui os boatos aos insatisfeitos na ocupação dos espaços na estrutura do GDF – sejam eles aliados ou não. “Os únicos aqui que têm cadeira cativa são o governador e o vice. Além deles, ninguém é insubstituível”, pondera. Para o secretário de Governo, muitas das críticas vêm do fato de ele ter chegado ao cargo a convite do governador. Ele reforça que não foi indicado por setores do PT e não fez qualquer movimento dentro do partido para estar onde está. “Minha indicação é do governador, esse é um cargo do Agnelo. Não é fruto
de composição política”.

Mas ele acredita que o ciúme entre os governistas vai diminuir, “assim que perceberem que há espaço para todos”. As notícias sobre a queda de Paulo Tadeu são divulgadas normalmente na quinta-feira. “Caio na quinta e ressuscito no sábado, é sempre assim”, diz ele. As “quedas” são sempre parecidas. A suposta decisão sobre a saída do secretário surge após uma reunião que ninguém confirma que existiu e que, normalmente, está ligada
ao Palácio do Planalto.

Um blog divulga, o outro copia, no microblog Twitter perfis falsos espalham e logo paira a dúvida se o secretário continuará ou não no governo. “É sempre tão parecido que nossa única reação no Buriti é rir das mentes fantasiosas que me derrubam”.

Esquemas desmantelados

Para Paulo Tadeu, as quintas-feiras escolhidas para divulgar sua “queda” têm uma ligação maior ainda aos antigos esquemas de corrupção descobertos pela Operação Caixa de Pandora e investigações do Ministério Público que, segundo ele, ainda não foram divulgadas. De acordo com ele, elas coincidem com semanas que esquemas são desmontados e dias em que ele é procurado por empresas para dar continuidade a práticas antigas na estrutura governamental.

O secretário de Governo diz que foi procurado por vários representantes de empresas – cerca de dez – que tiveram seus interesses prejudicados. “Me procuraram, eu disse ‘não’ e divulgar a minha queda é uma forma de pressionar. Algo como ‘ou se ajoelha ou sai de onde está para facilitar o esquema‘.”

“ESTRUTURA CONTAMINADA”

Segundo ele, as propostas eram semelhantes às já divulgadas pelas investigações da Polícia Federal – esquemas em que a empresa paga a mais que o valor do contrato para garantir a manutenção do serviço com ela, propostas de contratos emergenciais com valor superfaturado, entre outras.

“Toda a estrutura do GDF está contaminada. Há fraudes em todos os lugares. O que foi divulgado é só um pouco do problema que, na hora certa, os brasilienses vão conhecer”. O secretário garante que as investigações no governo estão a todo vapor e se a “queda” dele depender do fim de esquemas no GDF, ele ainda deve “cair” outras vezes.

Fonte: Jornal de Brasília

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