PESQUISA DIZ QUE 110 MIL PESSOAS DEVEM DEIXAR O DF NO FERIADO

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Do Correio Braziliense – Pesquisa diz que 2% dos brasilienses pretendem deixar a cidade no feriado O Governo do Distrito Federal tenta garantir o pagamento aos servidores locais na véspera do fim de semana

 

Noelle Oliveira

Publicação: 28/10/2010 08:00

Mesmo com o segundo turno das eleições marcado para este domingo, apenas pelas vias terrestres, cerca de 110 mil pessoas devem deixar o Distrito Federal para o feriado de Finados, celebrado na próxima terça-feira. A folga estendida, em especial aos servidores públicos, vem esquentando os ânimos entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a bancada petista na Câmara Legislativa. Os parlamentares aprovaram, ontem, por meio de um projeto de lei do Executivo, um crédito suplementar no valor de R$ 114, 4 milhões para garantir o pagamento dos salários de parte dos servidores locais. O texto, no entanto, foi acrescido de emendas, em sua maioria petistas, o que poderia inviabilizar a liberação do dinheiro até sexta-feira, quando está previsto o pagamento. A manobra fez com que o governador Rogério Rosso (PMDB) acionasse a Secretaria de Planejamento para garantir a quitação dos salários independentemente da aprovação da CLDF.

Para fontes do governo, a atitude dos deputados foi orquestrada para evitar que os servidores viajassem no feriado. Para os petistas, o jogo político foi articulado por Rosso, que, sem prever com antecedência os pagamentos, estaria buscando culpar à Câmara e ao PT por um erro do governo às vésperas do segundo turno.

A partir desta sexta-feira, no Aeroporto Internacional JK, a expectativa é de uma movimentação de 51,3 mil pessoas, entre aquelqw que deixam e chegam à cidade. Como a PRF ainda não divulgou a estimativa oficial para a folga, o Correio levou em consideração a movimentação do último feriado, neste 12 de outubro — que também ocorreu em uma terça-feira — quando cerca de 100 mil carros deixaram a capital. Pela Rodoviária Interestadual devem sair de Brasília 12 mil pessoas.

Muitos dos que optarem por viajar devem sair da cidade já nesta sexta-feira e neste sábado, emendando a segunda-feira que antecede o feriado nacional. Um dos grupos que terá um motivo a mais para viajar são os funcionários públicos federais e locais, já que o ponto facultativo relativo ao feriado do Dia do Servidor, comemorado hoje, será transferido para a próxima segunda-feira, facilitando a extensão da folga. O incentivo é ainda maior para os servidores da Justiça no DF e dos tribunais superiores, que terão também a próxima sexta-feira sem expediente.

Segundo pesquisa do Instituto DataFolha sobre as intenções de voto para o Governo do Distrito Federal (GDF) divulgada na última terça-feira, apenas 2% dos eleitores da capital pretendem viajar no domingo, dia das eleições — o equivalente a 36.725 pessoas. Os outros 96% dos 1.112 entrevistados afirmaram que vão votar , enquanto 1% ainda não decidiu. A margem de erro do levantamento é de três pontos percentuais para mais ou para menos e a pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) sob o número 40.068/2010.

Ainda de acordo com a mesma pesquisa, 58% dos eleitores afirmaram ter o hábito de viajar em feriados prolongados, o que totalizaria 1.065.042 pessoas. Outros 15% disseram que quase sempre viajam, enquanto 6% sempre saem da cidade — 110.176 eleitores. Uma parcela de 42% dos entrevistados, por sua vez, declarou que não costuma deixar a unidade da Federação durante as folgas.

Mas nem todos que terão direito à folga pretendem deixar de lado o direito de votar. O servidor da Câmara dos Deputados Luiz Paulo Pieri, 55 anos, cancelou um pacote já reservado para Caldas Novas (GO) por causa do pleito. Ele viajaria com a família, mas desmarcou o passeio após a confirmação de que haveria segundo turno. “Acho importante estar aqui para votar, sou um cidadão. Não poderia deixar de exercer esse direito e ao mesmo tempo de cumprir com um dever”, afirmou.

Sem condições
A também servidora pública, Lorena Ulhoa, 28 , por sua vez, aproveitará a folga estendida para visitar a família em Unaí (MG). Funcionária no Ministério da Saúde, ela chegou a cogitar a possibilidade de ficar em Brasília, mas optou por justificar a ausência. “Eu até queria ficar para votar para governador. Já para presidente, não faço questão”, diz. A maioria dos servidores públicos ouvidos pelo Correio na tarde de ontem, no entanto, afirmaram que permanecerão na cidade, mas não devido às eleições, mas sim diante da falta de condições para viajar.

A Polícia Rodoviária Federal iniciará na sexta-feira uma operação tendo como foco as eleições e o feriado. A ação se estende até a 0h do dia 3, quarta-feira.Os policiais estarão orientados a coibir crimes eleitorais e o transporte ilegal de eleitores no DF. Para tanto, o efetivo em serviço será ampliado para reforçar a fiscalização e combater a embriaguez nos deslocamentos.

Já na Rodoviária Interestadual, a expectativa é atender 49 mil, sendo que cerca de 24% dos passageiros deixarão o DF — um total de 12 mil.

No aeroporto, a expectativa é de que, entre hoje e a próxima quarta-feira, o movimento cresça 14% em relação ao mesmo período de 2009. O Aeroporto JK será um dos 16 do país que contará com postos de justificativa eleitoral.

TRANSPORTE
Para o segundo turno das eleições, haverá reforço em todas as linhas de ônibus que circulam no DF. Já no feriado de 2 de novembro, todas as linhas de ônibus que dão acesso ao Cemitério Campo da Esperança terão a oferta aumentada das 7h às 18h. O restante das linhas irá operar com tabela horária de feriado. O Metrô não informou se reforçará o transporte para as datas.

Pacote de bondades

O Executivo encaminhou à Câmara Legislativa três projetos de lei que beneficiam os servidores públicos do Governo do Distrito Federal. Entre as propostas estão a flexibilização das férias, que poderão ser tiradas em três períodos de 10 dias cada, e o adiantamento de 40% do salário com pagamento em quatro parcelas — antes, os prazos eram de apenas dois meses. Os projetos também preveem que o chamado mandato classista (afastamento do cargo público para cumprimento de mandato sindical) será ampliado para cinco profissionais por área. Hoje, são permitidos apenas três afastamentos.

Além disso, o GDF quer incluir o Dia do Servidor no calendário oficial do DF. Atualmente, a data é comemorada em 28 de outubro. Neste ano, no entanto, o feriado foi transferido para a próxima segunda-feira — hoje, quinta-feira, os servidores trabalharão normalmente. Os funcionários públicos também poderão juntar os cinco dias de abono a que têm direito por ano a férias ou feriados, prática antes proibida. “Os projetos beneficiam diretamente todos os servidores, sem comprometer o orçamento do governo”, afirmou a secretária adjunta de Planejamento do DF, Josélia Medeiros.

Em audiência pública realizada ontem na Câmara Legislativa, a secretária informou ainda que o projeto de Lei Orçamentária Anual do GDF para o próximo ano prevê aumento salarial de 7%, em média, para os servidores de todas as carreiras. O governo pretende gastar R$ 5,9 bilhões em pessoal. “Os reajustes das carreiras de professor, cirurgião- dentista, enfermeiro e Detran ainda não foram aprovados, mas é importante ressaltar que estão dentro do projeto de orçamento”, explicou a secretária.

Distritais aprovam crédito extra

Foi aprovado ontem pela Câmara Legislativa um projeto de lei enviado pelo Poder Executivo que abre crédito suplementar à Lei Orçamentária Anual (LOA) de R$ 114, 4 milhões a fim de quitar a folha de pagamento de diversos órgãos do Executivo, como o Tribunal de Contas (TCDF), a Secretaria de Governo, a Procuradoria-Geral, a Novacap, o Metrô e o Serviço de Limpeza Urbana (SLU).

A aprovação ocorreu em primeiro e segundo turnos. No entanto, sete emendas foram apresentadas ao texto — seis pela bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) e uma da deputada Eliana Pedrosa (DEM). A inclusão dessas faz com que o projeto tenha que retornar à Comissão de Orçamento em Finanças (COF) da Casa antes de sua redação final, para, em seguida, ser sancionada pelo governador Rogério Rosso. O processo, no entanto, pode demorar até 5 dias úteis, o que inviabilizaria que o dinheiro saísse a tempo para o pagamento do salários dos servidores, o qual está previsto para esta sexta-feira.

De acordo com o governo, o pagamento de 4 mil funcionários públicos — do Metrô, da Secretaria de Justiça e do Ibram — depende necessariamente do remanejamento. Para garantir que a quantia estará disponível e arcar com o compromisso até o fim da semana, o governador acionou ontem a área técnica da secretaria de Fazenda para que o órgão elabore um recurso, do qual o chefe do Executivo pode se valer em situações extremas, a fim de garantir o pagamento.

Para fontes do GDF, a ação que acarretaria o atraso teria sido articulada pelos deputados da bancada petista a fim de evitar que os recursos fossem disponibilizados aos servidores antes do feriado prolongado deste fim de semana, o que poderia evitar essa classe de eleitores deixasse o DF. O governador Rogério Rosso, no entanto, preferiu não comentar se a atitude dos parlamentares seria ou não eleitoreira. “Os deputados poderiam ter feito essas emendas em outros projetos, não precisava ser nesse. Não sei se foi uma manobra, mas a garantia do pagamento dos salários deve estar acima de qualquer eleição, Faremos uma força-tarefa junto aos nossos técnicos para garantir isso”, afirmou.

Líder no PT na Câmara, o deputado Paulo Tadeu nega a articulação e afirma que o jogo eleitoral está sendo feito pelo próprio Rosso, que só enviou o projeto para apreciação da Casa no último dia 20. “Projetos como esse sempre recebem emendas. O problema é que o governador não está planejando direito o seu governo e está usando a máquina pública para fins de campanha. O projeto foi colocado em regime de urgência pela própria Casa, que já na terceira sessão o aprovou em primeiro e segundo turnos e o encaminhou à redação final”, considerou o parlamentar.

O petista acredita que as emendas não atrapalharão o andamento do texto, que, segundo ele, deve chegar às mãos do governador para sanção ainda amanhã. “Os técnicos da comissão são competentes e devem encaminhar isso ainda amanhã. A culpa de toda essa correria é do governo, que já deveria ter encaminhado o projeto para a Casa há uns 20 dias”, disse Paulo Tadeu. Entre as seis emendas do PT , cinco são de remanejamento de dotações e uma pede que o artigo terceiro do projeto — no qual o governador pede autorização para cancelar as dotações financeiras para pagamento de pessoal sem a necessidade de autorização da CLDF — seja suprimido.

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