PESQUISA DO BURITI PÕE AGNELO FORA

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Para esconder desastre do Novo Caminho, governo divulga relatório hilário; fala em Saúde recuperada, quando há greve, e em nomeação de concursados, quando há nepotismo explícito

Se o eleitor fosse às urnas hoje para eleger o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) não estaria sequer no segundo turno. Ele amargaria um longínquo quarto lugar, à frente apenas de Alberto Fraga (DEM) e José Roberto Arruda (sem partido). Na dianteira sairiam com folga a deputada distrital Eliana Pedrosa, do Democratas, o vice-governador Tadeu Filippelli, do PMDB e Toninho do Psol.

Esse quadro, que pode ser visto como um termômetro para 2014, foi pintado com cores negras em uma pesquisa encomendada pelo próprio Palácio do Buriti. O sinal vermelho foi aceso. Irritado, debruçado sobre o estudo neste fim de semana, o governador, após determinar que a pesquisa fosse guardada a sete chaves, convocou uma reunião extraordinária com Samantha Sallun, secretária de Imprensa e Abimael Nunes, secretário de Publicidade.

Agnelo Queiroz cobrou respostas imediatas. Precisava mostrar algo à sociedade, na tentativa de reverter quadro tão desanimador. Pressionados, os dois secretártios, com base em relatório do semestre elaborado pelas diferentes áreas do governo, pintaram um quadro mais otimista, usando as cores do arco-íris, para vender ao público externo a ilusão de que muito se fez desde janeiro.

Mas o que se tornou público nesta terça-feira 5, foi um documento catastrófico. A emenda saiu pior que o soneto. O relatório, segundo analistas políticos ouvidos por este blog, é hilário. A começar pela área da saúde, onde, diz o Palácio do Buriti, o governo começou concentrando todo o esforço. O quadro, porém, é outro. Ninguém precisa gastar neurônios para atestar a triste realidade dos hospitais públicos. O retrato da crise no setor é a greve da categoria, que pode levar ao fechamento de UTIs nas próximas 48 horas.

No relatório, o governador volta a prometer – como fez na campanha eleitoral – uma administração diferente. E enfatiza que o compromisso maior é mudar o quadro lamentável em que se encontra a Saúde, resultado de mais de uma década de sucateamento dos governos anteriores.

Nesse trecho Agnelo peca de novo, ao atacar os próprios companheiros. Afinal, quem sucateou a Saúde foi o suplente de deputado federal Augusto  Carvalho (PPS), responsável pela pasta no governo Arruda. Mas, apesar de ter jogado a Saúde na UTI, o aliado Augusto foi premiado e alçado à Câmara por meio de manobra que colocou petistas da coligação em secretarias de Estado, abrindo espaço para o ex-secretário no Congresso Nacional.

Na área de Recursos Humanos, o relatório aponta a nomeação de 4 mil 107 novos servidores. Há dois pontos a esclarecer. Primeiro, são profissionais concursados, que estavam na fila de espera desde o ano passado. Segundo, as nomeações foram em número de 4 mil 108. O relatório omite o caso de nepotismo envolvendo o governador e um desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

O balanço divulgado pelo Palácio do Buriti enaltece um verdadeiro pente fino realizado nos contratos e licitações (numa referência a supostos casos fraudulentos ocorridos nas administrações passadas). Mais uma vez Agnelo Queiroz tenta iludir a população, ao esconder os contratos emergenciais assinados nos últimos dias – sem licitação, claro – beneficiando empresas de tratamento de lixo e de multas de trânsito. Ou, em outras palavras, a sujeira se mantém incólume.

Na área de transportes, o governo se vangloria de ter negociado com sucesso o fim da greve dos rodoviáriosem junho, sem reajustar tarifas. Trata-se de outra inverdade: a) a greve não chegou a ser deflagrada; b) o Palácio do Buriti passou a subsidiar as empresas de transportes com 9 milhões de reais por mês, após lobby que teve início num conjunto de salas do complexo empresarial Brasil XXI.

No quesito segurança do relatório, Agnelo Queiroz mostra o quanto é inteligente. Diz do que foi feito para a Polícia Militar, mas cala sobre a Polícia Civil. Para isso, há uma explicação: os policiais que não vestem farda fizeram a primeira greve do governo do Novo Caminho e voltaram às atividades somente após uma série de promessas. Nada foi cumprido, garante o sindicato da categoria. E nova greve deve ser anunciada a qualquer momento. Como se vê, a nota da segurança também é vermelha.

A parte que mais merece crédito no relatório é quando cita as obras. Entretanto, a grande maioria iniciada antes mesmo de Agnelo Queiroz assumir o governo. São serviços contratados desde a época de José Roberto Arruda e Rogério Rosso. Ou seja, o PT está descerrando placas de um trabalho alheio.

O ítem obras, aliás, foi o que mais deixou o governador vermelho de raiva. É que, enquanto Agnelo Queiroz estava na Europa visitando estádios de futebol, o vice Filippelli, como governador em exercício, fez veicular na televisão campanha do PMDB, mostrando novos viadutos, calçadas sem buracos, ruas pavimentadas, a entrega da EPTG, EPIA… em síntese, um trabalho que a periferia aplaude. E sem muito entender quem é quem no poder, o povo vê o vice como o real dono das rédeas.

Fonte: Blog do José Seabra

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