PF confirma o que Dodge havia dito em 2019 e irmãos Brazão são apontados como mandantes da morte de Marielle

Neste domingo (23), Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, deputado federal pelo União Brasil do Rio de Janeiro, foram presos, além de Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil fluminense, que culpava Bolsonaro para desviar o foco das investigações no caso da Marielle. Era apenas um plano da esquerda para não encontrar os verdadeiros mandantes

Segundo investigações, Rivaldo Barbosa, ex-chefe de Polícia Civil do Rio recebeu R$ 400 mil para atrapalhar as investigações sobre a morte da vereadora.

Segundo investigação da Polícia Federal, a advogada e empresária Erika Andrade de Almeida Araújo, esposa do ex-chefe de Polícia Civil Rivaldo Barbosa, preso neste domingo, é “testa de ferro” do marido nas “empresas de fachada” criadas pelo delegado para lavar o dinheiro adquirido de maneira ilícita ao longo dos anos em que esteve à frente da Delegacia de Homicídios da capital. Erika auxiliou na lavagem de dinheiro, constituindo, juntamente com marido empresas que operavam na área de consultoria: a Mais I Consultoria Empresarial LTDA e Armis Consultoria Empresarial Eireli.

Segundo a PF, ela figura como “sacadora de valores das contas da empresa” e há evidências de que Barbosa era o administrador, de fato, das empresas e o responsável pela interlocução com clientes e apresentação do portfólio de serviços. A análise bancária mostrou que, no período de janeiro de 2015 a dezembro de 2019, Erika movimentou mais de R$ 7 milhões.

Investigação da PF diz que ele planejou ‘meticulosamente’ o assassinato e buscava desviar o foco para longe dos mandantes, que, segundo a PF, são os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. Os três foram presos neste domingo (24). Ele tomou posse em 13 de março de 2018, um dia antes da execução da vereadora.

Desde a morte da vereadora carioca Marielle Franco, ao menos cinco investigados de participação no crime foram assassinados. Uma das vítimas foi o PM aposentado Edmilson da Silva Oliveira, conhecido como Macalé, que foi morto em Bangu, em 6 de novembro de 2021. Segundo investigações, ele é apontado como intermediário entre o mandante e os executores do assassinato de Marielle e Anderson Gomes.

“E aqui se justifica a qualificação de Rivaldo como autor do delito, uma vez que, apesar de não ter o idealizado, ele foi o responsável por ter o controle do domínio final do fato, ao ter total ingerência sobre as mazelas inerentes à marcha da execução, sobretudo, com a imposição de condições e exigências”, diz o relatório da PF.

Rivaldo exigiu que Marielle não fosse morta entrando ou saindo da Câmara de Vereadores do Rio.  “Tal exigência tem fundamento na necessidade de se afastar outros órgãos, sobretudo federais, da persecução do crime”, diz a PF.

CINCO ANOS DE INVESTIGAÇÃO ESTAGNADA NA DH E ACUSAÇÕES LEVIANAS CONTRA JAIR BOLSONARO

Durante longos cinco anos, a investigação dos assassinatos de Marielle e Anderson Gomes, motorista do carro onde a vereadora estava, ficou centralizada na polícia do RJ, que nunca apontou quem encomendou as mortes.

A polícia concluiu também que, durante o tempo em que chefiou a polícia, o delegado buscava “desviar o foco da investigação daqueles que são os verdadeiros mandantes”. Por esse motivo, o nome de Bolsonaro foi mencionado inúmeras vezes para tirar o foco das investigações.

Um dos relatos citados na investigação, feito pelo miliciano Orlando Curicica em depoimento, alega que a Delegacia de Homicídios teria recebido R$ 300 mil de uma pessoa ligada a Rogério Andrade para “não perturbar” os prováveis envolvidos na execução de Geraldo Antônio Pereira, o Pereira, ligado à milícia.

Enquanto o nome de Domingos Brazão já tinha sido citado no início das apurações do caso, ainda em 2018, a suspeita contra Rivaldo Barbosa chocou a família de Marielle neste domingo, já que ele tinha uma relação de confiança com os pais e a vereadora.

EX-PROCURADORA-GERAL AVISOU EM 2019

Em seu adeus à Procuradoria-Geral da República, Raquel Dodge anunciou em setembro de 2019,  que protocolou uma denúncia envolvendo o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL), ocorrido em março de 2018. Segundo a então chefe da PGR, foi averiguado um esforço nas investigações em âmbito estadual para que ’passassem longe dos reais autores do crime’. Um dos denunciados é Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio.

A procuradora-geral também pediu ao Superior Tribunal de Justiça a federalização das investigações que buscam saber quem mandou matar a parlamentar. E pediu abertura de um novo inquérito para apurar mandantes do crime, que também mira Frazão.

Raquel acusou Brazão e outros investigados por supostamente desviarem a investigação para não se desvelar organização criminosa e por inserção de declarações falsas em depoimento oficial. Além do conselheiro, também foi denunciado um de seus funcionários, Gilberto Ribeiro da Costa, o PM Rodrigo Ferreira, a advogada Camila Nogueira e o delegado da PF, Hélio Khristian.

“O modo como foram engendrados depoimentos que conduziram a Polícia Civil, a um certo tempo, a indicar que os autores eram pessoas que não tinham participado da atuação. O inquérito inicial apontou para receptores que não eram os verdadeiros. Estou pedindo o deslocamento de competência para que haja uma investigação para se chegar aos mandantes”, disse.
Segundo Raquel Dodge, Domingos Brazão valeu-se do cargo e da estrutura do gabinete no TCE-RJ, acionou um dos servidores – um agente da PF aposentado – que exercia cargo no gabinete para engendrar simulação para conseguir desvirtuar a investigação, com ajuda do delegado da Polícia Federal Helio Khristian.
PSOL NÃO QUIS A FEDERALIZAÇÃO DO CASO

Após as a falas de Dodge,  o PSOL simplesmente tentou evitar que o caso seguisse para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Para Juliano Medeiros, então presidente nacional do PSOL, se a investigação fosse federalizada, poderia “haver demora no avanço das apurações”. O partido solicitou então uma reunião com o ministro Dias Toffoli, que presidia a Suprema Corte. A posição foi apresentada em coletiva de imprensa, na sede do PSOL em São Paulo.

“O STF atrasaria a investigação e o que não queremos é que elas sejam interrompidas neste momento”, explicou o dirigente. Para Medeiros, caso a investigação vá para Brasília, há, ainda, a possibilidade de haver intromissão do presidente. “O Bolsonaro já mostrou disposição de interferir em investigações que envolvem os filhos”, acusou o presidente do PSOL.

O receio do psolista encontra eco na medida adotada por Bolsonaro na manhã do dia 30 de  de outubro de 2019, quando o  presidente acionou o ministro da Justiça Sérgio Moro para que o porteiro do Condomínio Vivendas da Barra deponha novamente, agora para a Polícia Federal (PF).

E agora, Psol? Será que o partido esquerdista teria ajudado atrapalhar as investigações em 2019 quando impediu que a PF entrasse no caso?

“Nós repudiamos veementemente essa medida. Convocaram um depoimento fora dos autos do processo. A Polícia Federal não é uma polícia política, não pode ser”, protestou o presidente do PSOL.

Com a posse de Lula, o caso foi federalizado e a Polícia Federal entrou no circuito, e após profunda investigação, chegou-se à conclusão que de fato, os irmãos Frazão são os mandantes, conforme Raquel Dodge havia alertado ainda em 2019.

Psol e até a família de Marielle não quiseram federalizar a investigação porque era Jair Bolsonaro quem estava no poder e imputavam ao então presidente e seus filhos, a morte da vereadora.

Com o caso concluído, restam ainda algumas perguntas: O ex-deputado federal e presidente da Embratur Marcelo Freixo (PSol-RJ) revelou no X (antigo Twitter) que ligou para o ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa , após a notícia da morte da vereadora Marielle Franco (Psol). O delegado disse que a polícia investigaria o caso.

Mas quem avisou Freixo da morte de Marielle? Como ele sabia do delegado? Como ele apareceu antes da Polícia? Como ele estava no local da morte antes da polícia? Como ele avisou a todos sobre a morte da vereadora  Onde ele estava antes da morte da vereadora? Todos esses questionamentos ainda não foram apurados?

Neste domingo (24), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou sobre as prisões no caso envolvendo o assassinato da vereadora Marielle Franco. Segundo ele, “para a frustração de algumas pessoas”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não está envolvido nas investigações.

QUEM MANDOU MATAR BOLSONARO?

Agora que o Brasil sabe quem matou e quem mandou matar Marielle, resta saber quem mandou matar Jair Bolsonaro. O caso é repleto de pirotecnia jurídica e política para blindar Adélio Bispo, que ninguém até agora teve acesso ao conteúdo de seu aparelho celular e notebook apreendidos.

Em junho de 2019, Adélio Bispo foi absolvido da facada. A decisão foi proferida após o processo criminal que o considerou inimputável por transtorno mental.

A Defensoria Pública da União (DPU), que faz a assistência jurídica de Adélio desde 2019, foi autora do pedido de transferência . A defesa sustentou que Adélio não poderia continuar recolhido em um estabelecimento penal, ainda que nele exista estrutura capaz de prestar atendimento médico equivalente ao de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), como é o caso da penitenciária de Campo Grande, tampouco ser enviado para um manicômio judicial.

Vai vendo, Brasil…

 

 

 

 

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