‘PIRATAS DO CERRADO’: POLÍTICOS, MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO DF E DESEMBARGADORES SÃO MENCIONADOS.

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O Distrito Federal acordou atônito no dia 27 de novembro de 2009, com a deflagração da operação policial denominada “caixa de pandora” por parte da Polícia Federal. Atônito, mas não surpreso, pois o cheiro de corrupção há muito empesteava os ares da Capital da República.
A interceptação telefônica de diálogo envolvendo o Governador José Roberto Arruda e o Secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal revelou o despudor no trato da coisa pública, a falta de vergonha e de escrúpulos de autoridades de quem se esperava observância à moralidade e aos ditames éticos que devem reger a sociedade.
Uma análise do inquérito policial, disponibilizado na integra pelos meios de comunicação, revela muita podridão. Políticos, membros do Ministério Público do Distrito Federal, Desembargadores e outras autoridades são mencionados em diálogos constrangedores. São 53 páginas de transcrição dos diálogos captados com autorização judicial, em que destacaremos alguns pontos de maior relevância.
O primeiro interlocutor na gravação é José Geraldo Maciel, ocupante de destacada função no governo e no esquema de José Roberto Arruda.
O primeiro personagem importante citado na conversa é Valmir, Secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. Falam a respeito da colocação de câmeras de segurança nas ruas do DF e que o Valmir já teria 34 milhões para realização do contrato.
Em outro trecho Durval afirma para José Geraldo Maciel que havia dado a quantia de CINQUENTA MIL REAIS para Giffone CENTO E VINTE MIL REAIS para o Ricardo Pena.
Giffone é Procurador da Advocacia Geral da União e ocupa o cargo de Corregedor e Secretário da Ordem Urbana no Distrito Federal. A irmã dele, Luzia Giffone, exerce o cargo de assessora de imprensa na Defensoria Pública do DF, apesar da proibição do nepotismo.
Ricardo Pena é o Secretário de Planejamento, pessoa responsável pela liberação de recursos no Distrito Federal.
Em outro ponto menciona uma pessoa chamada Túlio, que precisaria de um dinheiro para resolver um negócio referente ao nome de Durval, que responde a diversos processos na justiça. Na época, Túlio Arantes era o chefe da Procuradoria Geral do Distrito Federal, filho de um ex-desembargador morto em 2009 e cujo irmão foi flagrado dirigindo embriagado e desacatando um policial.
Também há referência a distribuição de dinheiro para Fábio Simão e Valente, o primeiro homem de confiança do Governador José Roberto Arruda e o segundo Secretário de Educação do Distrito Federal, que seria candidato ao cargo de Deputado Federal. Seria um grupo pela educação: Valente, Eurides Brito e Cristovam Buarque, respectivamente, candidatos à Federal, Distrital e Senador.
Domingos Lamoglia, braço direito de Arruda desde sempre, também foi citado. Hoje ocupa, com a benção arrudista, o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, pelo menos até a próxima quarta-feira, quando deverá renunciar ao mandato.
Mencionam ainda a pessoa de Cruz Macedo, que seria um cara bacana e que estaria resolvendo um problema referente a um processo judicial. Cruz Macedo não teria pedido dinheiro, mas um favor, para que seu sobrinho, que é médico, fosse transferido de São Sebastião para o Hospital Regional da Asa Norte. CRUZ MACEDO é Desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e não poderia, em razão da função que exerce, receber qualquer espécie de favor ou vantagem do Governo, pois tem o dever de julgar esse mesmo governo. Comentam, ainda, que todo mundo no TJDFT “ta com o rabo preso”, com medo do Conselho Nacional de Justiça. Reforçam, Cruz Macedo tem sido bacana com o governo, vai continuar sendo bacana. De fato, em muitas oportunidades Cruz Macedo deu decisões favoráveis ao Governo e em especial à Secretaria de Saúde do DF. Bacana com o governo, não com a população.
Outro Secretário citado foi Alírio Neto, Secretário de Justiça envolvido em contratos do CIAGGO e que teria participado de um acordo com Augusto Carvalho, Secretário de Saúde, para exoneração de um Defensor Público que estava denunciando desmandos na saúde pública. O acordo, ainda, envolveria a direção da própria Defensoria Pública. Segundo a gravação, Alírio, estaria apertando Arruda, pois este não estaria cumprindo os acordos que havia firmado. Em toda a degravação, quando se fala em acordo, se fala em propina.
Também comentaram do caso do garoto que teve todos os dentes extraídos no HRAN. Criticam o “povo” da Secretaria de Saúde que tinha de estar mais presente. Falam, ainda, sobre alguns atos de corrupção envolvendo Augusto Carvalho e Fernando Antunes. São firmes ao afirmar que Augusto Carvalho usa Fernando Antunes para conseguir dinheiro de empresas que contratam com a Secretaria de Saúde. A corrupção na Secretaria de Saúde explica os motivos pelo qual a Defensoria Pública, a Secretaria de Justiça, a Secretaria de Saúde e o Governador Arruda exoneraram um Defensor Público, André de Moura Soares, que estava denunciando o caos na saúde. Não queriam ver a saúde pública exposta para não chamar atenção para os atos de corrupção. Também explica a perseguição ao Promotor de Justiça Jairo Bisol e em relação a Promotora de Justiça Cátia Vergara.
Comentaram que parte dos esquemas de corrupção na saúde seriam destinadas ao auxílio de Freire, Roberto Freire, Presidente Nacional do PPS, partido de Augusto Carvalho e de Alírio Neto.
Durval e José Geraldo Maciel dizem que Augusto Carvalho e Fernando Antunes não estão sabendo fazer as coisas (roubar) direito, que ele é muito afoito. Afirmam que o Governador não sabe a dimensão do roubo na saúde sob a gestão Augusto Carvalho.
Fazem comentários de natureza sexista em relação a Secretária pessoal do Governador Arruda, uma tal de Cristina.
Em um certo momento Durval comenta sobre escândalos e diz que eles não são tão importantes, pois quem elege não é leitor de jornal (6% da população), mas quem limpa a bunda com o jornal (94%) da população, revelando os motivos da perpetuação da miséria.
Josafá Dantas braço direito de Fábio Simão também é mencionado, quando mencionam um contrato de 8 milhões de reais.
Dizem que Leonardo Prudente, Presidente da CLDF, é bandido, que pratica extorsão e que é difícil conviver com um bandido como Leonardo Prudente.
As conversas até aqui comentadas ocorreram entre José Geraldo Maciel e Durval, até que o Governador Arruda chegou e passou a conversar apenas com Durval, sem a presença de José Geraldo Maciel.
Durval começa a prestar contas ao governador Arruda, afirmando que pagou ao Giffone, cumprindo ordens do Paulo Octávio e que também repassou dinheiro de propina para Ricardo Pena. Menciona-se propina para Valente, Fábio Simão e outros. Falam dos honorários dos advogados Everaldo (ex-juiz) e Aristides (ex-procurador da república).
Alberto Fraga e Paulinho Roriz também são objetos de comentários por parte de Arruda.
Pimenta da Veiga e Geraldo Grossi também terão de se explicar sobre os comentários nada discretos por parte de Arruda.
Em outro tópico falam de um Desembargador do TJDFT, REMEU, que, na verdade, só pode ser o Desembargador Romeu Jobim. O
Arruda ainda comenta que irá conversar com Getúlio (Pinheiro), Desembargador Corregedor do TJDFT, para ouvir os conselhos que ele dará sobre processos criminais. Corregedor do TJDFT não deve dar conselhos às partes, mas julgar com isenção e imparcialidade.
Smaniotto é outro Desembargador citado, mas chamado de imbecil por ser honesto. Ponto para o Edson Alfredo Smaniotto.
Arruda menciona até o fato de que Flávia Arruda tem conhecimento do esquema. Até a esposa-amante está envolvida.
Benedito Domingos e Márcio Machado teriam vendido, respectivamente, o PP e o PSDB ao esquema de Arruda.
Arruda fala que estava pensando em mudar a Secretaria de Saúde, pois a corrupção estava grande demais e que ninguém conseguia frear Fernando Antunes. Falam de uma mulher de olhos verdes de quem Augusto Carvalho e Fernando Antunes teriam tomado muito dinheiro.
Arruda e Durval voltam a mencionar que quem elege político é quem limpa a bunda com jornal.
José Geraldo Maciel volta à conversa é pergunta para Arruda quanto está a despesa mensal do governador com os políticos do DF. Belinaldo Pontes, Rogério Ulysses, Benedito Domingos e outros são citados.
Arruda menciona que resolverá o mérito de alguns processos com o Presidente do TJDFT, Nívio Gonçalves, mostrando que a corrupção atingiu o Poder Judiciário local.
Ainda existem citações no inquérito fazendo referência ao Procurador Geral Leonardo Bandarra que precisam ser esclarecidas. Como se vê, o governo do DEM comprava e alugava apoio no Legislativo e no Judiciário. E tem mais pela frente. Você só vê aqui.

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