PIZZA NA CLDF? GAZETEIROS DA CÂMARA LEGISLATIVA PODEM SALVAR EURIDES DA CASSAÇÃO

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Deu no Correio Braziliense: Gazeteiros da Câmara Legislativa podem salvar Eurides da cassação A distrital filmada enchendo a bolsa de dinheiro suspeito já avisou que não vai cair sozinha. Há o receio de que deputados faltem à sessão na qual a cassação da peemedebista será analisada, inviabilizando a votação

 

Ana Maria Campos

Lilian Tahan

Eurides Brito: no plenário da Câmara Legislativa, casos envolvendo questões disciplinares são apreciados por voto aberto - (Daniel Ferreira/CB/D.A Press )  
Eurides Brito: no plenário da Câmara Legislativa, casos envolvendo questões disciplinares são apreciados por voto aberto

Deputados gazeteiros podem salvar o mandato de Eurides Brito (PMDB). Na Câmara Legislativa, poucos são capazes de defender abertamente a protagonista de um dos vídeos de maior audiência produzidos pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa. Em tese, o placar da cassação do mandato da peemedebista é uma goleada. Mas uma estratégia pode tornar o processo uma pizza: a ausência de deputados no plenário no dia da votação do relatório produzido pela distrital Érika Kokay (PT) que pede a pena máxima. Para que Eurides Brito seja cassada, são necessários 13 votos entre os 24 deputados distritais. Um voto a menos significa absolvição.

Em casos envolvendo questões disciplinares, diferentemente do Congresso, na Câmara Legislativa, o voto é aberto — graças a um projeto de autoria do deputado Chico Leite (PT). Essa peculiaridade dificulta os votos contra a cassação de Eurides em pleno ano eleitoral. Mas alguns deputados avaliam que o desgaste seria menor com a omissão, principalmente se a sessão que vai tratar do assunto ocorrer em junho, com grande parte da população de olho na África do Sul, interessada nos resultados dos jogos da Copa do Mundo. Segundo relato de distritais, Eurides Brito tem demonstrado que não aceita ser transformada em bode expiatório. Ela afirma que conhece o lado obscuro da bancada governista tanto do governo Arruda, como nas administrações de Joaquim Roriz.

Nos últimos dias, a deputada peemedebista avisou que não pretende cair sozinha. Os colegas se sentem intimidados. Ela tem dado demonstrações de que não desiste facilmente do mandato e alguns parlamentares têm, inclusive, tentado acelerar a tramitação do processo para encerrar logo essa crise na Câmara. Em situação normal, a tendência dos deputados seria pela preservação de Eurides. Na base governista, a maioria se sente no mesmo barco da deputada, embora ela esteja numa situação mais crítica que os colegas porque foi filmada por Durval recebendo dinheiro de origem suspeita, na campanha de 2006. As imagens são irrefutáveis como demonstração de que houve um negócio irregular e constrangedor ao qual a deputada se defende sob o fundamento de que se tratou de caixa 2, um pecado considerado no meio político menos grave que corrupção.

Embora não haja fitas exibidas contra os demais distritais investigados na Operação Caixa de Pandora, na Casa há hoje seis deputados na mira do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT): Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Geraldo Naves (sem partido), Rogério Ulysses (sem partido) e Rôney Nemer (PMDB). Os processos estão paralisados pelo menos até que apareça uma nova evidência de envolvimento dos distritais no esquema de distribuição de mesadas em troca de apoio ao governo Arruda.

Suborno
No caso de Geraldo Naves, a acusação é diferente. Pesa contra ele a denúncia da subprocuradora-geral da República Raquel Dodge de suposto envolvimento no suborno do jornalista Edson Sombra para alterar indícios que constam do Inquérito nº 650 em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por causa disso, ele passou dois meses preso numa cela da Polícia Federal (PF) no Complexo Penitenciário da Papuda. O distrital nega que tenha conversado com Sombra sobre proposta de suborno.

O deputado Chico Leite (PT), relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra Eurides na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deve, na próxima semana, levar à votação o parecer pela admissibilidade. A tendência é de que o relatório seja aprovado por unanimidade na comisão. Em seguida, a Câmara precisa aguardar cinco sessões plenárias para o caso ser apreciado pelo conjunto dos deputados. Dificilmente, o processo ultrapassará o recesso de julho, quando a campanha pegará fogo. Se for cassada, Eurides ficará inelegível por oito anos, a contar do próximo ano. Dessa forma, ela só poderá disputar nova eleição para deputada distrital em 2022.

O número
13 – Mínimo de votos necessários, em plenário, para que Eurides Brito perca o mandato

Imagens que depõem contra a deputada afastada

 - (Globo.com.br/Reprodução de Internet - 29/11/09)  

» O vídeo em que Eurides Brito recebe R$ 30 mil das mãos de Durval Barbosa se tornou um dos símbolos da crise provocada com as revelações da Operação Caixa de Pandora. Na cena, Eurides chega ao gabinete de Durval, fecha a porta e embolsa os maços de dinheiro de origem suspeita

 - (Anônima/Divulgação)  

» O Correio publicou na última segunda-feira as fotos do “esconderijo” onde Eurides Brito guardava dinheiro vivo em casa. A caixa de metal contendo, segundo a Polícia Federal, R$ 244 mil era acomodada no maleiro do closet da distrital afastada.

 - (Anônima/Divulgação)  

» Os delegados da PF que cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Eurides também encontraram, dentro de uma das bolsas da deputada, 98 notas de R$ 100. O dinheiro foi confiscado com o objetivo de ser periciado pelo Instituto Nacional de Criminalística

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