PRESIDENCIÁVEIS ELEVAM TOM EM NOVO DEBATE

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Deu em O Globo

Presidenciáveis elevam tom em novo debate

Marina e Dilma miram em Serra, que acusa petista de conivência com corrupção

Leila Suwwan e Silvia Amorim

Ataques duros marcaram o segundo debate de candidatos a presidente, promovido ontem pelo “Portal UOL” e o jornal “Folha de S. Paulo”.

José Serra (PSDB) foi alvo de Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV). Mas reagiu, dizendo que a petista tinha cumplicidade com corrupção e vazamentos de dados sigilosos.

Dilma disse que o DEM, aliado de Serra, é contra o ProUni, e acusou o governo Fernando Henrique Cardoso de não ter investido em saneamento. Marina ironizou o programa eleitoral de Serra por usar um cenário imitando uma favela.

Dilma questionou Serra sobre a ação direta de inconstitucionalidade que o DEM move contra o ProUni, programa de bolsa para estudantes carentes em universidades privadas, questionando o sistema de cotas para afrodescendentes.

O tucano minimizou o tema para responder que Dilma é ingrata com o governo de Fernando Henrique Cardoso:

— O PT ganha nesse torneio do quanto pior melhor, inclusive em matéria de ingratidão. Você tem fixação no passado. É muito ingrata com o Fernando Henrique, porque ele fez Plano Real e o Fundef, que é dinheiro para a educação no Nordeste.

Em seguida, o tucano ligou o vazamento da prova do Enem em 2009 ao vazamento de dados sigilosos da Receita Federal de um dos vice-presidentes do PSDB, Eduardo Jorge:

— Vocês quebraram o sigilo bancário de um vice-presidente do PSDB e passaram esse resultado para a “Folha”.

Dilma disse que a acusação era uma calúnia. E protagonizou uma saia justa ao responsabilizar a gráfica que imprimiu as provas do Enem pelo vazamento do exame — para elogiá-la em seguida, pois os cadernos foram furtados no parque gráfico do Grupo Folha. Também disse que é preciso olhar para o passado:

— Essa história de que não dá para olhar para o retrovisor é um perigo enorme para um país que tem a história que nós temos. Temos uma história de ditadura e temos de olhar para ela para valorizar a democracia.

Outro momento de desconforto foi quando Dilma foi perguntada sobre o câncer que enfrentou no ano passado.

— É preciso acabar com o preconceito que cerca o câncer, uma doença curável, ainda mais se detectada no início, como foi meu caso — respondeu.

Em resposta à críticas de Serra sobre o aumento de impostos no setor de saneamento, a petista disse que o governo Fernando Henrique Cardoso “não fez nada” no setor. Ela também atacou a atuação do adversário, quando governador de São Paulo, na crise financeira de 2009:

— Você supôs que a crise ia ser mais profunda do que foi. Até seria, se tivéssemos adotado os padrões vigentes no governo de vocês.

Dilma não conseguiu direito de resposta para as acusações de Serra de que o governo Lula compactua com o fisiologismo, feito em resposta a uma pergunta de um internauta.

— O loteamento chegou em todas as esferas. Veja agora o que aconteceu com os Correios: tudo loteado entre partidos e setores e grupos de deputados — disse o tucano. — O José Dirceu, que é considerado o chefe, pelo Ministério Público, da quadrilha do mensalão, hoje tem um papel muito importante dentro do PT e da própria campanha da Dilma. Eu não passo a mão na cabeça de quem transgrediu.

Marina foi aplaudida em dois momentos, e teve José Serra (PSDB) como alvo preferencial. A crítica mais contundente ao tucano veio quando indagou sobre o uso de uma favela cenográfica no programa de estreia de Serra no horário eleitoral:

— Sinceramente, não entendi por que no seu programa teve uma favela virtual, quando nós temos uma favela tão real como a que eu visitei em São Paulo.

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