Presidente do SindSaúde fala à CPI na quinta, diz presidente da comissão

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Vice-governador pode depor ainda nesta semana, diz Wellington Luiz..
Santana fala de suposta propina no GDF a Marli Rodrigues em gravação.

Do G1 DF

A presidente do Sindicato dos Servidores na Saúde do Distrito Federal (SindSaúde), Marli Rodrigues, deve depor à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde na Câmara Legislativa na manhã da próxima quinta-feira (21), informou o presidente do colegiado, deputado Wellington Luiz (PMDB). Segundo ele, a previsão é de que o vice-governador do DF, Renato Santana, fale à comissão ainda nesta semana.

Em áudio revelado na semana passada, o vice-governador relata à presidente SindSaúde que sabia de um suposto esquema de pagamento de 10% de propina no governo. Por causa da gravação, a Câmara antecipou a volta dos distritais que fazem parte da comissão para que eles possam apurar a suspeita de pagamento de propina no GDF.

Inicialmente, estava previsto que a dirigente sindical fosse até o Legislativo nesta terça-feira (19). “A Marli pediu para que a oitiva dela seja na quinta. A expectativa é que ela apresente mais elementos, que confirme tudo o que disse na gravação e vai ter ainda mais. Ficou para quinta às 10h”, diz Wellington.

Para esta terça, está na pauta da CPI a aprovação de um requerimento convocando a presidente do SindSaúde e e de outro convidando o vice-governador. Segundo o presidente da comissão, há a possibilidade de que Santana vá à Câmara até mesmo na própria quinta-feira.

“Amanhã [terça] vamos aprovar o requerimento de convite do vice, para depois marcar a data. Caberá a ele marcar. Amanhã mesmo eu farei contato com ele e vou pedir para marcar nesta semana, talvez até na tarde de quinta, dependendo de como ocorrer o depoimento da Marli.”

A assessoria do vice-governador informou que desde a última sexta-feira (15) que ele disse não se opor em ir à CPI e que aguardava apenas que a Câmara dissesse a data e o horário.

Por nota, Marli disse que só vai se pronunciar depois que as provas coletadas forem entregues aos órgãos “totalmente isentos e com competência para investigar os supostos crimes dos quais o senhor governador é acusado por ex-integrantes do seu governo e pelo próprio vice-governador”.

Na manhã desta segunda-feira (18), a presidente da Casa, Celina Leão (PPS), se reuniu com 11 parlamentares para definir os próximos passos da comissão. Desde 1º de julho, o Legislativo se encontra em recesso parlamentar. A previsão de retorno da atividades é para 1º de agosto.

“São denúncias gravíssimas. Os deputados decidiram em unanimidade pelo retorno às atividades da CPI, inclusive deputados da base do governo. Todos entendem que é uma crise grave e que tem que ser tratada com seriedade.”

Segundo o presidente da CPI, o atual secretário de Saúde, Humberto Fonseca, e o ex-chefe da pasta Fábio Gondim também deve ser ouvido. “Nós estamos enxergando como um núcleo podre mesmo. Até ter chegado a um caos da saúde, o que justifica é a corrupção, a má-gestão e a imprudência. Precisamos investigar sem prejudicar nem facilitar para ninguém. Os fatos são gravíssimos, disso ninguém tem dúvida”, afirmou Wellington.

Deputados da CPI da Saúde e a presidente da Câmara Legislativa do DF decidem, em reunião, pela suspensão do recesso parlamentar (Foto: Alexandre Bastos/G1)Deputados da CPI da Saúde e a presidente da Câmara Legislativa do DF, C|elina Leão (PPS), em reunião que aprovou a retomada antecipada dos trabalhos da CPI da Saúde (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Primeira reunião
A CPI da Saúde retoma seus trabalhos nesta terça, às 10h. Na reunião que decidiu pela antecipação da volta da comissão, estavam presentes os deputados Wellington Luiz (PMDB), presidente da CPI, Cristiano Araújo (PSD), vice, Wasny de Roure (PT), Julio César (PRB), Roosevelt Vilela (PSB), Celina Leão (PPS), Sandra Faraj (SD), Ricardo Vale (PT), Rafael Prudente (PMDB), Raimundo Ribeiro (PPS), Rodrigo Delmasso (PTN) e Bispo Renato Andrade (PTN).

Segundo a presidente da Casa, Celina Leão, o encerramento do recesso parlamentar foi um pedido do próprio presidente da CPI, Wellingon Luiz. Celina disse que as investigações não serão tratadas como “palanque político”, mas para legitimar ou “pôr uma pedra” sobre as denúncias.

O presidente da CPI, Wellington Luiz, disse que o fato de a maioria dos parlamentares ser da base aliada do governo não vai atrapalhar as investigações da comissão.

Gravação
A divulgação dos aúdios, revelados pela revista “IstoÉ” na última sexta-feira (15), fez o governador convocar uma reunião de emergência com deputados aliados e o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, neste domingo (17). O objetivo era dar explicações sobre as providências tomadas pelo GDF sobre as denúncias.

No fim de semana, Rollemberg determinou à Polícia Civil e à Controladoria-Geral do DF a abertura de investigação para apurar o suposto esquema de propina. Ele disse que também iria pedir investigação do Ministério Público sobre o assunto.

Na conversa, a presidente do sindicato pergunta a Santana se ele tem conhecimento de pagamento de 30% de propina em contratos da Secretaria de Saúde. O vice-governador responde saber de pagamentos de 10% na Secretaria de Fazenda. “Autorizou a pagar 10% de propina”, diz Santana, sem revelar quem teria concordado com o suposto repasse de valores. “Eu não autorizei, mas o assunto chegou para mim”, disse na sequência.

O vice-governador, Renato Santana, e o chefe do Executivo do DF, Rodrigo Rollemberg (Foto: Ozimpio Sousa/Divulgação)O vice-governador Renato Santana e o governador Rodrigo Rollemberg em imagem de arquivo (Foto: Ozimpio Sousa/Divulgação)

Investigação
Ao G1, o controlador-geral do DF Henrique Moraes Ziller afirmou que as denúncias foram feitas ao governador há três meses, mas que, por “falta de elementos mínimos”, não se instaurou processo à época.

“A única informação concreta que havia era o nome do funcionário que seria da Secretaria de Fazenda. Ele não foi encontrado no quadro do órgão e não houve prosseguimento da investigação.” Por “elementos mínimos”, Ziller menciona, como exemplo, que são necessários contratos, valores concretos do recebimento de propina e nomes de servidores que supostamente estejam envolvidos com atividades ilícitas.

O controlador-geral explicou que, a partir da divulgação do caso, é possível que novos aspectos de supostos esquemas de corrupção surjam para os órgãos fiscalizadores. “O governador Rollemberg quer se liste informações mínimas que possam dar indícios a novas investigações. Na próxima segunda-feira (18) vamos retomar esses procedimentos.”

Questionado a respeito do tempo necessário para apuração, Henrique Ziller afirmou que o prosseguimento da investigação foi um pedido de urgência do GDF. “Obviamente que a apuração irá depender dos elementos que a gente dispuser. Mas o governador pediu que não passe de 30 dias e reafirmou que não compactua com o desvio de recursos públicos”, comentou.

Nesta segunda, o governador Rodrigo Rollemberg disse considerar “chula e leviana” a conversa entre o vice-governador e a presidente do SindSaúde. Ele disse que o vice já tinha lhe alertado sobre a suspeita, e que o governo investigou, mas não encontrou nada.

“O vice-governador me disse informalmente, uma única vez, que uma pessoa estaria pedindo vantagens para ter liberação de pagamentos na Secretaria de Fazenda. Imediatamente eu peguei esse nome, convoquei o secretário de Fazenda, ele pesquisou e me disse: ‘Olha, não tem ninguém com esse nome, isso aqui é absolutamente desconhecido no âmbito da Secretaria de Fazenda”, disse Rollemberg.

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