Preso que extorquiu mulheres com nudes bancou campanhas de políticos

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Homem preso em Macapá criou perfis falsos para conseguir fazer contatos.
Vítimas ainda praticaram crimes a mando do preso para não ter nude vazado.

Abinoan SantiagoDo G1 AP, com informações da Rede Amazônica no Amapá

Preso ameaçou vítimas pelas redes sociais (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)Preso ameaçou vítimas pelas redes sociais (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)

O preso José Augusto Miranda dos Santos, investigado por extorquir 400 mulheres utilizando fotos íntimas delas a partir de contatos feitos com perfis falsos nas redes sociais, também teria financiado campanhas de políticos com uso do dinheiro das extorsões das vítimas e até ser aprovado em um curso de mestrado.

A informação foi relevada pelo delegado Leandro Brito, da 6ª Delegacia de Polícia Civil, responsável pelo inquérito em Macapá.

De acordo com a investigação, José dos Santos, condenado a 76 anos de prisão por diversos crimes no Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) do Amapá, criou perfis no Facebook e WhatsApp fingindo ser médico e empresário de Brasília. A partir das redes sociais, o preso fazia contatos com mulheres de diversos lugares do país, que acabavam sendo seduzidas e mandavam fotos íntimas, os chamados ‘nudes’.

Preso está desde 1997 cumprindo pena no Iapen (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)Preso está desde 1997 cumprindo pena no Iapen
(Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)

A apuração, que resultou na operação ‘Servus’, deflagrada na sexta-feira (24), durou cerca de um ano e meio, e ainda descobriu que além do dinheiro cobrado para não divulgar as imagens enviadas pelas vítimas, o preso extorquia a partir de favores relacionados a profissão das mulheres.

Somente no Amapá, o delegado Leandro Brito diz que 60% dos órgãos públicos de interesse do preso têm mulheres vítimas que praticaram atos dentro das instituições onde trabalham a mando dele, como acesso a informações privilegiadas, investigações e processos judiciais.

“Ele tinha acesso a inquérito e a processos judiciais para conseguir informações privilegiadas.   Ele também tinha acesso a órgãos públicos e conseguia carros para outras pessoas mediante a pagamentos e ainda apoiou candidaturas  de deputados e outros políticos. (…) Em uma das conversas, ele conseguiu mestrado em uma universidade em Macapá “, disse Brito, acrescentando que nenhum dos concorrentes financiados pelo preso se elegeu.

Além de favores, o preso também mandava as mulheres praticar crimes, segundo o delegado, como “tráfico de drogas e armazenamento de armas e drogas”.

Delegado, Leandro Brito, DCCP, Macapá, Amapá (Foto: Jorge Abreu/G1)Delegado Leandro Brito apura o caso
(Foto: Jorge Abreu/G1)

O poder do preso sobre as mulheres que enviavam nudes era reforçado por ameaças de mortes. Duas pessoas de fora do presídio tinham o papel de seguir os passos de algumas vítimas pretensas a denunciar o caso.  A dupla foi presa na Zona Norte de Macapá.

O preso conseguia informações das mulheres a partir do relacionamento nas redes sociais.  O primeiro contato era pelas redes sociais. Em seguida, o detento ligava de dentro do presídio com um chip de DDD do Distrito Federal. O crime teria começado há pelo menos seis anos.

“Ele angariava algumas vítimas desde 2009, mas a grande dificuldade é que a polícia não tinha ciência porque elas não procuravam a delegacia. Inúmeras vítimas ainda eram de outros estados e não tínhamos contato com essas pessoas. Mas uma vítima base informou e a partir daí descobrir cada uma”, explicou o delegado.

Comparsas do preso foram detidos pela Polícia Civil (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)Comparsas do preso foram detidos pela Polícia
Civil (Foto: Reprodução/Rede Amazônica no Amapá)

José dos Santos foi levado para 6ª DP a fim de prestar depoimento, mas preferiu ficar em silêncio.  A audácia do preso, no entanto, fez ele dizer ao delegado apenas que já sabia da operação, deflagrada pela manhã, em Macapá, a partir do acesso à internet pelo celular a portais de notícias.

“Ele me falou que soube da notícia logo pela manhã. Ele falou: ‘olha delegado, eu já sabia da notícia porque tinha acessado a internet e li toda a notícia. Parabéns pelo trabalho’. Ele disse que não queria falar, ficou em silêncio, mas que no dia seguinte estaria com outro celular”, relatou o delegado.

Em razão da complexidade do inquérito, a proposta é desmembrá-lo. Além de Macapá, também existiam vítimas a mando do preso em Ceilândia e Brasília, no Distrito Federal; e em São Paulo.

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