Reflexão – A IMPLOSÃO DA MENTIRA

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    A IMPLOSÃO DA MENTIRA
    Affonso Romano de Sant’Anna

    Mentiram-me. Mentiram-me ontem
    e hoje mentem novamente. Mentem
    de corpo e alma, completamente.
    E mentem de maneira tão pungente
    que acho que mentem sinceramente.

    Mentem, sobretudo, impune/mente.
    Não mentem tristes. Mentem tão nacional/mente
    que acham que mentindo história afora
    vão enganar a morte eterna/mente.

    Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
    falam. E desfilam de tal modo nuas
    que mesmo um cego pode ver
    a verdade em trapos pelas ruas.

    Sei que a verdade é difícil
    e para alguns é cara e escura.
    Mas não se chega à verdade
    pela mentira.

    “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”
    RUI BARBOSA – 1904

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