RORIZ: "DEI DIGNIDADE DE MORADIA PARA QUEM NÃO TINHA. SE ISSO É SER ILEGAL, EU FUI, GRAÇAS A DEUS"

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“Qual foi o governador que preservou o Plano Piloto como patrimônio cultural da humanidade? Quem retirou – sem violência – a invasão do CEUB e da 210 Norte, por exemplo?” Com essas duas perguntas o ex-governador Roriz respondeu à pergunta do jornal “Entre Lagos” sobre a acusação de que ele foi o responsável pelo inchaço da cidade. Roriz lembrou que em suas duas primeiras gestões um programa de remoção das favelas que existiam no Plano Piloto na década de 80 o preservou, além de ganhar um prêmio internacional da Organização das Nações Unidas (ONU). “Dei dignidade de moradia para quem não tinha. Se isso é ser ilegal, eu fui, graças a Deus!”, respondeu, alfinetando o atual discurso do governador Arruda, que reprisa que seu governo atua “dentro da legalidade” na questão urbana. O ex-governador também rebateu as críticas de Arruda e sua equipe econômica de que seu governo teria deixado um suposto “rombo” de R$ 700 milhões. “Ele (Arruda) falou de um rombo de R$ 700 milhões e depois foi chamar o meu secretário de fazenda? Você sabia que mais de 90% dos secretários dele participou dos meus governos, aliás, ele mesmo?”, cutucou. Na entrevista, o pré-candidato do PSC a ocupar o Palácio do Buriti em 2010 volta a duvidar da possibilidade do governador Arruda disputar a reeleição. “Vou disputar a eleição de 2010 para o governo do Distrito Federal. Não sei se o governador pode dizer o mesmo…”, disse enigmático, sem revelar as razões de sua crença. “Prefiro não comentar mais nada. O tempo dirá se tenho razão ou não.” A seguir, a íntegra da entrevista:
Por que o senhor deixou o PMDB.? O senhor foi traído?
Roriz: Deixei o PMDB porque a cúpula nacional e a direção local do partido fizeram acordos que traem os princípios partidários do PMDB de Ulysses Guimarães, de Tancredo Neves. Sou do PMDB que teve origem no PSD de Juscelino Kubistchek, no MDB. Esse PMDB não é o PMDB da atual cúpula partidária, local, nacional. Nesse sentido, me senti traído sim porque o PMDB traiu os princípios de autonomia, de correção, de lealdade.
Como assim?
Roriz: Como um partido, qualquer partido, pode fechar as portas para um ex-governador de quatro mandatos, que lidera as pesquisas com mais de cinco pontos de diferença do atual governador, que tem máquina, que ta gastando 200 milhões por ano de publicidade. Deve ter ocorrido muitos negócios estranhos, acordos duvidosos, aliás, anunciados pelo próprio governador atual.
As pesquisas indicam que o povo de Brasília não esqueceu seu nome, e o coloca numa disputa acirrada com o atual Governador Arruda. O senhor acredita que, mesmo num partido pequeno e sem muito tempo na tv, essa disputa poderia acontecer?
Roriz: Da minha parte posso garantir que sim. Vou disputar a eleição de 2010 para o governo do Distrito Federal. Não sei se o atual governador pode dizer o mesmo…
Mas porque ele não disputaria? Seria medo de disputar com o senhor?
Roriz: (risos) Olha, prefiro não comentar mais nada. O tempo dirá se tenho razão ou não.
E quanto ao tempo de televisão, já que o seu partido é pequeno?
Roriz: O tempo é importante numa eleição, mas não é fundamental. Fui governador do Distrito Federal por quatro vezes, três delas eleito pelo voto direto do povo, que já me conhece. A população do DF sabe do meu trabalho e sabe que, aquilo que eu prometo, eu cumpro.
Nos últimos meses o senhor tem conversado com ex-adversários como o senador Cristovam Buarque, com os deputados Geraldo Magela e Rodrigo Rollemberg, com Agnelo Queiroz, com a direção do PCdoB, o que isso significa?
Roriz: Significa que todos nós estamos insatisfeitos com os rumos que Brasília tá tomando com a atual gestão. Uns criticam mais, outros menos, mas há um consenso de que precisamos pensar em Brasília de maneira diferente de como ela está sendo conduzida. Todos esses homens que você citou são pessoas sérias, que estão preocupadas com Brasília e seu povo e o futuro. Nossas conversas foram de altíssimo nível e, é claro, traçamos cenários para 2010, mas nada conclusivo.
Como político experiente e ex-administrador de Brasília em 4 governos qual a sua opinião sobre o atual governo ?
Roriz: A pior possível. Esse é um governo que demitiu milhares de pessoas, que piorou o sistema de transportes coletivo da cidade, que gasta milhões de reais em publicidade e que não tem nenhuma marca expressiva. O que ele fez de bom para o povo? Nada!
Mas o governador Arruda fala muito que está organizando a casa, que acertou as contas, que está do lado da legalidade…
Roriz: Eu estranho muito essa fala dele. O Tribunal de Contas do DF já aprovou todas as nossas contas do último governo, inclusive o período da Abadia. Ele falou de um rombo de R$ 700 milhões e depois foi chamar o meu secretário da Fazenda? Você sabia que mais de 90% dos secretários dele participou dos meus governos, aliás ele mesmo?
O senhor é acusado de inchar a cidade, de promover a desorganização urbana…
Roriz: Essa é uma boa pergunta por que me permite repor a verdade dos fatos. Qual foi o governador que preservou o Plano Piloto como patrimônio cultural da humanidade? Quem retirou – sem violência – a invasão do CEUB e da 210 Norte, por exemplo? Quem fez a remoção dessas pessoas e as colocou numa cidade com dignidade, com moradia, com rede de esgoto, água tratada, luz, asfalto. Se isso é ser ilegal, eu fui, graças a Deus! Dei dignidade de moradia para quem não tinha. A remoção dessas favelas no Plano Piloto para Samambaia e outras cidades foi premiada internacionalmente pela ONU. Quem diz o contrário ta faltando com a verdade ou tem interesse político, é oposição às minhas gestões, apesar de ter participado delas.
Qual será a sua bandeira para chegar novamente ao GDF?
Roriz: Vou continuar cuidando daqueles que mais precisam, os mais carentes. Costumo dizer que rico não precisa de ajuda, quem precisa é o pobre. O governo não pode é atrapalhar o rico, o empresário que gera empregos. E deve apoiar os mais humildes.
Mas o senhor não terá nenhuma proposta diferente do que o senhor já fez?
Roriz: Tenho repetido que o meu próximo governo – se Deus quiser – irá superar todos os meus outros governos. Vou propor a ampliação do quadrilátero do DF, que deve ter o tamanho original revisto pela Missão Cruls…O atual quadrilátero não é o tamanho previsto pela Missão Cruls?Roriz: Não, não é e poucas pessoas sabem disso. A Constituição Republicana, de 1891, definiu que a capital do país deveria ser no planalto central, no interior. Em 1894, a Missão Cruls definiu um quadrilátero de 14.800 kilometros quadrados. Quando JK criou a Novacap, em 1956, só foram utilizados 5.800 kilometros quadrados porque não havia dinheiro suficiente para as indenizações. Voltar ao tamanho original só depende, segundo alguns juristas, de uma lei complementar e eu vou lutar por isso no Congresso Nacional.
Mas aumentar o quadrilátero vai resolver os problemas de saúde, educação e segurança?
Roriz: Não se trata apenas de aumentar o tamanho do DF pura e simplesmente. Minha proposta é mais abrangente. É, dentro dessa nova área, construir um aeroporto internacional de cargas – Brasília fica no centro do país – um centro industrial na região de Cristalina, e ter um moderno sistema de ferrovias com trens de alta velocidade. Chamo a atenção para que os problemas já existem. O chamado Entorno é uma realidade para o Distrito Federal. O Entorno é muito mais ligado à economia e á vida de Brasília do que de Goiás ou Minas Gerais. Precisamos encarar esse problema de frente e encontrarmos soluções inovadoras e inteligentes para isso. O quadrilátero da Missão Cruls é o caminho.

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