SENADORES DEFENDEM QUE GIM ARGELLO PRESTE ESCLARECIMENTOS SOBRE DENÚNCIAS

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Senadores defendem que Gim Argello preste esclarecimentos sobre denúncias – A acusação é de que o senador mandou recursos públicos para instituições fantasmas por meio de emendas parlamentares

 

Izabelle Torres/Correio Braziliense

As denúncias de que mandou recursos públicos para instituições fantasmas por meio de emendas parlamentares devem obrigar o senador Gim Argello (PTB-DF) a passar a semana que antecede a votação do Orçamento de 2011 tendo de se explicar aos colegas. Apesar do clima morno no Senado e da pressa dos congressistas em concluir a votação da proposta orçamentária da qual o petebista é o relator, parlamentares dizem que estudam pedir formalmente que Argello preste esclarecimentos ao Conselho de Ética da Casa. “Vou conversar com outros parlamentares. Acho que uma acusação como essa, que até lembra o escândalo dos anões do orçamento de 1993, não pode ser ignorada. Não pode deixar de ir ao conselho, nem que seja apenas para ouvi-lo. Seria bom que isso fosse feito rapidamente”, diz o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).

As expectativas de desfecho rápido, no entanto, esbarram nos velhos vícios do Senado cujos alicerces principais são o corporativismo e o tráfico de influência. Gim Argello é o relator da proposta mais importante para os projetos do país: o Orçamento de 2011. Com a caneta na mão e o poder de dividir e redirecionar grande parte de R$ 1,3 trilhão, poucos parlamentares devem demonstrar interesse em discutir as denúncias contra o senador do Distrito Federal. Mas esses poucos garantem que vão tentar. “Será um absurdo que alguém seja acusado e o Senado faça de conta que não é com ele. Temos que, pelo menos, exigir explicações”, afirma o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

A favor de Gim, no entanto, pesa não apenas a importância da caneta no orçamento, que lhe foi entregue pelas articulações políticas que fez. Também o beneficiam o clima morno que antecede o recesso parlamentar e, principalmente, a ausência de um corregedor no Senado. O cargo está vago desde outubro, quando o senador Romeu Tuma, que desempenhava a função há anos, morreu. Uma nova eleição só vai ocorrer em fevereiro. “A situação é estranha porque não há nem corregedor. As coisas estão mais devagar e, no ritmo que vão, nem acredito na votação do orçamento este ano. Isso tudo esfria qualquer discussão sobre denúncias contra um parlamentar”, explica o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

O senador Gim Argello diz que não terá problemas para se explicar aos colegas. Ele já estuda o discurso de que não tem como fiscalizar as entidades que recebem recursos das suas emendas e que qualquer parlamentar está sujeito a se deparar com esse tipo de coisa.

Investigação
As suspeitas sobre a atuação do parlamentar do Distrito Federal foram levantadas por uma reportagem publicada ontem no jornal O Estado de São Paulo. A reportagem mostrou que emendas apresentadas por Gim destinavam recursos dos ministérios da Cultura e do Turismo a entidades fantasmas. Segundo o jornal, os institutos Renova Brasil, Inbraest e Projeto Viver repassaram todo o dinheiro da emenda de Gim para a RC Assessoria e Marketing Ltda, empresa criada em abril que faturou R$ 3 milhões do esquema, e que tem como donos um jardineiro e um mecânico.

Gim Argello diz que não conhece as empresas para onde enviou as emendas. Para ele, as denúncias fazem parte de um contexto maior de jogo de interesse na política nacional. “Acho que peguei uma missão muito grande e virei alvo das pessoas. Pode ser fogo amigo. Mas vou explicar tudo”, argumenta.

Acusação formal

O Conselho de Ética é o responsável por analisar as denúncias contra parlamentares. Para que um caso chegue ao colegiado, no entanto, é preciso que algum partido ou político apresente formalmente um pedido de abertura de processo ou requerimento de explicações. Depois disso, é designado um relator, que tem seu parecer analisado e votado pelos integrantes do conselho.

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