Sete anos depois, política brasiliense volta ao cenário nacional por causa de escândalos de corrupção. Até quando?

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Por Fred Lima

Promovendo uma gestão eficiente e ordenada, o então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), viu seu projeto de reeleição escorrer pelo ralo por causa das gravações divulgadas por Durval Barbosa, seu secretário de Relações Institucionais. A Operação Caixa de Pandora chegou em 2009 e expôs as vísceras de um esquema sujo conhecido como “Mensalão do DEM”, que revelou o pagamento de propina à base aliada de Arruda na Câmara Legislativa do DF. O processo ainda se encontra em investigação no Ministério Público.

Após o fracassado governo Agnelo Queiroz (PT), o brasiliense quis trazer de volta ao poder o grupo que levou Brasília às páginas policiais. Para o candango, a corrupção parece ser justificada pela competência. É o nocivo jeitinho brasileiro, que arruma um modo para tudo, em prol de benefícios e melhorias, fato que o sociólogo Alberto Carlos Almeida trata em sua obra A Cabeça do Brasileiro, onde cita uma pesquisa da PESB – Pesquisa Social Brasileira:

A questão fundamental é simples: seria o jeitinho a ante-sala da corrupção? Pode-se afirmar que quanto maior é a sua aceitação, maior também é a tolerância social à corrupção? Os resultados da PESB parecem indicar que a resposta a ambas as perguntas é sim. Ao contrário da moralidade norte-americana, a brasileira admite a existência de um meio-termo entre o certo e errado. Quanto maior for a utilização e aceitação desse meio-termo, maiores serão as chances de que haja uma grande tolerância em relação à corrupção. (ALMEIDA, 2007. p. 48).

Mesmo Arruda e seu grupo político, o qual é composto também pelo senador e atual prisioneiro Gim Argello, não tendo vencido as eleições de 2014, o sistema corruptível brasiliense – que ainda deve perdurar por anos –, parece ter se mantido na ativa, fazendo com que governantes e legisladores se dobrem a ele, independentemente de ideologias partidárias.

Rodrigo Rollemberg assumiu e seu governo de cara já provocou uma rixa com o poder vizinho: a Câmara Legislativa. Hélio Doyle, seu chefe da Casa Civil, não cansava de disparar críticas contra os deputados distritais nos bastidores. Desgastado, Doyle deixou a Casa Civil e aumentou seu arsenal de fogo, pregando que a Câmara seria uma espécie de “Babilônia” política, adepta da velha política. Enquanto isso, os distritais de oposição disparavam ataques contra o Governo de Brasília e a forma de governar de Rollemberg, que desejava, segundo eles, que o Legislativo fosse apenas um puxadinho do Executivo, como nos tempos de Agnelo.

Chega 2016. A situação da saúde está caótica desde o fim da administração petista. Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde, que prega radicalmente contra as organizações sociais na gestão da saúde do DF, grava o vice-governador, Renato Santana, e o ex-secretário de Saúde, Fábio Gondim, falando de propinas nas secretarias de Fazenda e Saúde. Marli joga gasolina no governo e acende o isqueiro, ao passo que a CPI da Saúde na Câmara, sob a presidência do implacável opositor, Wellington Luiz (PMDB), avança nas investigações.

Parecia que o Palácio do Buriti viveria um inferno astral até o último dia de dezembro deste ano, não fossem os áudios entregues ao Ministério Público pela ex-vice-presidente da CLDF, Liliane Roriz (PTB) – que renunciou ontem ao cargo da Mesa Diretora. As gravações supostamente revelam um esquema de desvio de recursos instalado na saúde envolvendo integrantes da Mesa, além do deputado Cristiano Araújo (PSD).

Mais uma vez, a política brasiliense é notícia nacional por causa de escândalos de corrupção. O povo não aguenta mais. Mesmo que as investigações possam concluir que não existiu desvio de conduta por parte de integrantes do governo e da câmara, os arranhões nas imagens institucionais de cada poder já foram feitos.

As instituições públicas estão desacreditadas não somente em Brasília, mas em todo o país, com exceção do Ministério Público e da Polícia Federal. A velha política administra o sistema que fez o Brasil chegar a essa situação degradante. Será necessário passar gerações para mudar isso, e somente com uma profunda reforma política. Do jeito que está, não dá. Brasília e todo o país pedem socorro.

A guerra entre os poderes também tem que acabar. Participar de um governo não significa ter cargos em sua estrutura para apadrinhar correligionários, onde muitos não têm o mínimo de conhecimento necessário sobre a área em que foram lotados. Da mesma forma, projetos que prejudicam a população não podem passar de forma alguma. Cada poder deveria ter consciência dos seus limites e do seu papel na sociedade, agindo com independência.

Seria bom se fosse assim. Não estaríamos passando vergonha internacional, com Governo Federal e Congresso, e, em se tratando do DF, a cidade sonhada por Dom Bosco, que manava leite e mel, não estaria outra vez sofrendo vexame nacional.

Basta!

Fonte: Blog do Fred Lima

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