UM CAMINHO QUE NÃO ESTÁ SENDO TÃO NOVO

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O Distrito Federal, apesar da situação privilegiada em termos de produto interno bruto, renda per capita e indicadores sociais, tem enormes problemas. Nem é preciso falar no péssimo sistema de saúde pública, no lamentável sistema de transporte, na insegurança, no trânsito caótico, na falta de moradias, nas desigualdades sociais. A educação tem uma situação melhor em relação a outras unidades da Federação, o que não quer dizer nada – é apenas menos ruim.
O governador Agnelo Queiroz tem só sete meses e alguns dias de mandato, esses problemas têm décadas. Alguns pontos positivos já foram alcançados, mas já deu tempo de o governo empossado em janeiro ter mostrado mais empenho em resolver os problemas da cidade. E, principalmente, ter dado sinais de que o novo caminho não repete erros e distorções que herdou e que acabam por fixar uma imagem negativa. Infelizmente esses sinais não têm acontecido, pelo contrário. Alguns exemplos rápidos:
1 – As relações entre o governo e a Câmara Legislativa mantêm o mesmo modelo dos governos anteriores: toma lá, dá cá. A base de apoio foi montada com base em concessões aos distritais que poderiam ser evitadas. O governo aceita facilmente as chantagens políticas dos deputados. Recorre à surrada argumentação da “governabilidade” para justificar ações nada republicanas.
2 – Não há nenhuma demonstração de que o governo busca uma gestão austera, essencial para fixar uma marca positiva para a população e mostrar preocupação com o desperdício do dinheiro público. O exemplo deve vir de cima, mas isso não tem acontecido.  O número de secretarias aumentou para absurdas 33, recorde nacional. Continua a farra de automóveis alugados para servir até a subsecretários e funcionários de terceiro escalão. O governador já fez duas viagens internacionais sem sentido, e levando na comitiva gente que deveria ter ficado trabalhando em Brasília.
3 – As relações com os empresários, distorcidas em governos anteriores – e a Caixa de Pandora é o melhor exemplo — parecem não ter mudado radicalmente, como deveria. Eles mesmos falam isso, entre amigos. Empresários começam a dizer que este governo está lhes custando muito caro. O início da queda de Arruda começou com o mesmo tipo de comentário.
Há muito tempo pela frente e Agnelo, se quiser, pode reorientar seu caminho. Mas deve fazer isso logo. Três ou quatro medidas que mostrem mudanças efetivas podem ser um bom recomeço da caminhada.

 

Fonte: Blog do Hélio Doyle

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