Um dos maiores parques urbanos do mundo sofre com abandono e insegurança há 10 anos

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    Falta de sinalização, ausência de segurança, atendimento médico, problemas com banheiros e locais abandonados lideram as reclamações dos usuários

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    Quase 40 mil pessoas passam todos os dias no Parque Sarah Kubitschek, conhecido popularmente como Parque da Cidade de Brasília. O local é considerado um dos maiores parques urbanos do mundo e tem 4,2 km². A cena composta por muita área verde e paisagem bonita, deixa alguns usuários frustados. É que existem espaços abandonados há mais de dez anos que acumulam sujeira e servem como abrigo para moradores de rua e usuários de drogas.

    Quem frequenta o local sente medo. O estudante de aviação civil Frederico Vasconcelos, de 28 anos, foi assaltado duas vezes em um ano. Ele reclama da falta de segurança e diz que avisou algumas vezes a administração, mas ninguém tomou providência até o momento.

    — O primeiro assalto aconteceu à luz do dia em frente ao antigo pedalinho, há seis meses. Parei para descansar um pouco e fui abordado por dois moradores de rua. Eles estavam visivelmente drogados e fugiram levando meu celular. O problema é que não vejo ronda da polícia ou da fiscalização aqui. Eles [policiais] ficam lá na entrada do parque, onde o movimento é maior, e esquecem do restante.

    Vasconcelos conta ainda que existem vários postos dos Bombeiros e do Samu (Serviço Móvel de Atendimento Urgente) que estão desativados e reclama da ausência desses profissionais.

    — Só tem a estrutura física, mas gente trabalhando que é bom nada. É importante ter uma participação ativa mesmo, porque é comum pessoas passarem mal. Principalmente quem pratica atividade física nos dias de calor.

     

    O corredor Emmerson dos Santos, de 24 anos, diz que treina todos os dias nas pistas do parque. Ele se prepara para participar de uma corrida internacional que acontece tradicionalmente todos os anos no dia 31 de dezembro. Para ele, o problema maior está nos banheiros e na iluminação.

    — Muitos banheiros não funcionam. Aliás, vejo que não existe nenhum banheiro adaptado para deficiente físico aberto. Os que funcionam são sujos e falta papel higiênico. Eu mesmo prefiro segurar e fazer em casa a ter que usar. Além disso, a noite aqui é um perigo. Muitos postes estão sem iluminação e várias áreas do parque ficam totalmente escuras. Como tem muita árvore, os criminosos se escondem com facilidade.

    Santos contou que as sinalizações da pista e placas precisam de uma atenção maior e acredita que essas medidas possam tornar o parque um lugar mais visitado.

    — Quase não dá para ver mais as placas. As sinalizações precisam ser mais bem cuidadas, tem muita gente que não conhece o parque. A administração tem que ter uma atenção constante, quase que diária, para não deixar as coisas se danificarem aqui. É um bem público, usado todos os dias por muita gente.

    Cartão postal

    O local é um dos principais cartões postais de Brasília e é ponto de encontro diário de vários moradores do Distrito Federal. Amigos, estudantes, família e casais usam o parque, que também foi palco de inspiração da música “Eduardo e Mônica”, do cantor Renato Russo, ex-líder do grupo Legião Urbana.

    O maior movimento acontece aos fins de semana, principalmente aos domingos, quando 90 mil pessoas aproveitam o dia para tomar sol, namorar, fazer churrasco, passear com a família, beber água de coco e/ou praticar esportes.

    No parque existem pistas de 4km, 6km e 10km que são usadas para corrida, ciclismo, caminhada, patinação e até por skatistas, além de quadras de areia para a prática de vôlei, futebol e peteca.

    Algumas pessoas aproveitam os dias de folga para relaxar. É o caso do analista de sistemas Gilson Frutuoso, de 33 anos, que acorda todos os dias às 6h.

    — Faz bem pra vida, revigora. A paisagem é linda e o ambiente perfeito. Gosto muito daqui, não tenho nada a reclamar.

    Reformas

    O diretor do parque, Paulo Dubois, explica que está agindo em conjunto com a Administração de Brasília e o GDF (Governo do Distrito Federal) para resolver problemas que precisam de solução imediata nos próximos seis meses.

    — Fizemos vários estudos e vamos dar atenção ao que é prioridade. Algumas metas conseguimos concluir, como a coleta de quase 100 toneladas de lixo que facilitavam a ação de criminosos.

    Dubois contou à reportagem do R7 que conseguiu recuperar todas as partes elétricas e hidráulicas das 16 estações, locais onde estão instalados os bebedouros e banheiros.

    — Oito delas estavam desativadas e várias outras com problemas sérios de conservação.

    O administrador de Brasília, Messias de Sousa, disse que é de interessa do GDF manter a saúde e a qualidade de vida dos frequentadores do parque e que para isso criou postos de atendimento médico em pontos estratégicos.

    — Instalamos postos de pré-atendimento hospitalar do Corpo de Bombeiros para atendimentos médicos simples, que funcionam todos os dias das 8h às 18h. As pessoas podem, por exemplo, tirar pressão arterial e receber os primeiros socorros caso se machuquem ou passem mal.

    O administrador disse ainda que equipes fazem ronda com frequência em todo o parque e que isso reduziu a violência no local nos últimos anos.

    — Usamos motos e podemos pegar o bandido no flagra, evitando que um problema pequeno se torne em algo potencialmente maior. Isso acaba inibindo a ação deles.

    No que diz respeito à sinalização e iluminação, Messias garante que medidas estão sendo tomadas para resolver os problemas até janeiro do próximo ano.

    — Estamos em licitação para revitalizar toda a iluminação e sinalização até o próximo ano.

    Fonte: R7/Blog do Cafezinho

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