Uma delação e um vacilo

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O ano era 2009. Tudo parecia ir muito bem no governo de José Roberto Arruda. Muitas obras, muito dinheiro, popularidade nas alturas, vários personagens oriundos de outros estados (após perderem cargos e mandatos) confortavelmente acomodados no Governo, amplo apoio de deputados na Câmara Legislativa do DF, apoio de conselheiros do TCDF e tudo pronto para buscar a reeleição do grupo arrudista em 2010. Mas a soberba era uma das marcas do governo do DEM.

Mesmo tendo sido avisado por amigos no Judiciário sobre um possível “problema” com o então secretário de relações institucionais do DF, Durval Barbosa, Arruda não deu importância ao fato até tomar conhecimento de uma investigação que corria em sigilo no STJ. Ele tentou descobrir e,  com essa atitude foi antecipada pela Polícia Federal a deflagração da Operação Caixa de Pandora.

Apesar de o Superior Tribunal de Justiça haver determinado discrição absoluta, Brasília acordou na manhã de sexta-feira,  27 de novembro de 2009 com o barulho de sirenes das viaturas da Polícia Federal dirigindo-se a residências e escritórios de secretários e assessores do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Também foram alvo da chamada Operação Caixa de Pandora diversos deputados aliados do governador na Câmara Distrital e empresários com contratos junto ao governo do DF. Não havia nenhum mandado de prisão a ser cumprido, mas ordens de busca e apreensão de documentos autorizadas pelo ministro do STJ Fernando Gonçalves no inquérito número 650 que tramitava sob segredo de Justiça, comandado pela procuradora Raquel Dodge.

A operação pegou de surpresa também membros do Ministério Público que atuavam no GDF (Leonardo Bandarra e Deborah Guerner), deputados distritais (inclusive o presidente da CLDF, deputado Leonardo Prudente), secretários e o poderoso e popular governador Arruda. E tudo isso graças a uma delação feita pelo delegado aposentado e então secretário Durval Barbosa.

A PF também havia preparado uma operação para flagrar Arruda, que, segundo as denúncias mostradas por Barbosa, receberia comissão de aproximadamente R$ 30 milhões em razão de contratos para as obras do metrô de Brasília. O pagamento seria feito no Rio de Janeiro, mas a informação teria vazado e o encontro não ocorreu.

Esta vergonhosa história parece que se repetirá nos próximos meses. Enredo e personagens conhecidos, outros ocultos e muitos amigos do poder deverão ser catapultados de suas confortáveis poltronas direto para reluzentes camburões. De nada adiantará ter delegados aposentados em suas antessalas pagos pelo contribuinte para blindá-los (ou avisá-los sobre investigações e operações).

Alguns personagens que estavam no governo arrudista quando explodiu a Caixa de Pandora em 2009, estão hoje no governo de Ibaneis Rocha  (MDB), sob as bênçãos arrudistas. Rafael Prudente, filho de Leonardo Prudente ocupa hoje a cadeira que já foi do pai na CLDF.

Segundo fontes, Brasília vai tremer novamente. A contagem regressiva já começou. E tudo isso graças a uma delação e um vacilo. Afinal de contas, dinheiro não compra Polícia nem Ministério Público.

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