VÂNIA REGO, EDUCADORA EXEMPLAR

5
124

Vítima de ataques injustos pela internet, a professora Vânia Rego (foto),

subsecretária de Administração Geral da Secretaria de Educação, tem um

currículo que faz inveja a muitos sindicalistas. Nunca roubou nem

deixou roubar. É ficha limpa. Nunca comprou, de hora para outra,

coisas que o contracheque não pôde comprovar.

Enquanto isso, alguns que se dizem defensores dos professores, que

gritam, xingam e esperneiam, andam de Toyota Corolla zero, compram

apartamento quitado em Águas Claras e somem com verbas de cooperativa

de crédito que beiram a casa de R$ 1 milhão.

Veja quem é Vânia Rego:

Graduada em Pedagogia, mestre em Gestão e Políticas Públicas

Educacionais, pela Universidade de Brasília. É professora da Rede

Pública e atuou na Educação Superior  por mais de uma década. Na

Secretaria de Estado de Educação, já  exerceu, nos últimos 20 anos, as

funções de professora do Ensino Fundamental, coordenadora pedagógica,

vice-diretora e diretora eleita – época em que a escola recebeu, da

UNESCO, CONSED e UNDIME, o título de “Referência Nacional em Gestão

Escolar”.  Foi Articuladora do Centro de Referência em Alfabetização

de Ceilândia. Na década de 1980, a professora foi sócia fundadora do

CEPAFRE – Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia. Coordenou a

elaboração da Proposta Político Pedagógica do Projeto SESI – Por um

Brasil Alfabetizado; Coordenou a  elaboração de livro sobre EJA do

DR-CE do SESI, em parceria com a Universidade Federal do Ceará. É uma

das autoras do livro Políticas Públicas e Gestão da Educação Básica-O

Distrito Federal em Foco, publicado pelo Núcleo de Pesquisas em

Políticas e Gestão da Educação UnB/FE/PPGE. Em 1990, a professora foi

aprovada em concurso da CEB-Cia Energética de Brasília e foi demitida

pelo, então Diretor de Distribuição, José Roberto Arruda, e

readmitida pela justiça trabalhista seis anos depois. Hoje, ocupa o

cargo de Subsecretária, como Chefe da UAG da SEEDF.

Entrevista com a Professora Vânia Rego

By educablog

EDUCABlog: É possível  uma mulher, pedagoga e professora da rede, administrar e obter êxito na pasta responsável por um dos maiores orçamentos do Centro Oeste?

R: Primeiramente, vale ressaltar que sou Mestra em Gestão e Políticas Educacionais. Quanto à experiência em área técnica, chefiei o setor de cálculos da antiga Caderneta de Poupança Colméia à época da intervenção do Banco Central, de 1985 a 1989; de 1989 a 1990, atuei, como servidora concursada, na tesouraria da CEB. Nessa última, fui demitida pelo Arruda, em 1990, quando os eletricitários do país fizeram a greve geral. Em 1996, por força da justiça do trabalho, fui readmitida, mas já estava atuando como professora da rede pública, na função de diretora eleita do CEF 02 de Ceilândia (escola que ganhou o Prêmio de Referência em Gestão, da UNESCO).

É possível obter êxito à frente da UAG da SEDF?  Sozinha não conseguirei fazer muita coisa, pois não acredito em trabalho e estrelismo individual. Mas pretendo contribuir para a construção de uma cultura institucional mais orgânica. O fato de ser da área pedagógica só me faz ser mais sensível ao que realmente é necessário para garantir a qualidade dos serviços prestados por esta Subsecretaria.

EDUCABlog: Qual a sensação e qual é o peso da responsabilidade em administrar a UAG?

R: A sensação é de terra fértil para realizar um bom trabalho, mas há muito abandonada pelo descaso com a finalidade da UAG e com os servidores que ali atuam. Tem muita gente comprometida e esperando um novo rumo para atuarem.

EDUCABlog: Como se encontra a UAG hoje e quais  os principais desafios desta pasta?

R: A Unidade de Administração Geral está desarticulada, com uma cultura de contratos emergenciais e aditivados. Como disse anteriormente, o maior desafio é fazer com que ela realize um trabalho orgânico e cada vez mais transparente. Ao mesmo tempo em que tem muitos servidores comprometidos com o trabalho, há uma cultura no imaginário de muitos de que todos são passíveis de atos de corrupção. O que não é verdade!

EDUCABlog: Como integrar e aproximar mais a UAG às questões pedagógicas e da realidade das escolas?

R: Estamos realizando um levantamento do que, realmente, é prioridade para as instituições de ensino. Claro que todos sabem que não pode faltar material de expediente, de limpeza, manutenção etc. Mas será que a forma e a qualidade do que chega é o que as instituições requerem? Para responder a essa pergunta, é preciso ser sensível ao que os profissionais que estão no “chão” dessas escolas estão falando. É preciso executar o orçamento do PDAF, investir em parques para as escolas de Educação Infantil, realizar o levantamento da cobertura de quadras e não definir orçamento a partir de gabinetes.

EDUCABlog: Como será a relação da UAG com os empresários?

R: A relação será a melhor possível com os empresários sérios e que não se rendem à máfia das empresas fantasmas, criadas apenas para lograrem lucros exorbitantes com péssimos serviços prestados às  instituições de ensino.

É importante que seja intensificado o combate a qualquer prática de corrupção, por meio de auditorias, que já vem sendo realizadas pela Secretaria de Transparência e serviços de inteligência. Aquelas empresas que forem declaradas inidôneas pelos órgãos de controle precisam ser monitoradas, a fim de que não ressurjam com outras razões sociais para praticarem os mesmos atos.

Vale ressaltar, que mais do que ordenar despesas, o responsável pela pasta precisa cuidar da lisura do que está sendo contratado, a forma como estão sendo realizadas as contratações, a efetivação dos serviços prestados e a qualidade destes.

Sei que esta é uma cultura difícil de implementar, mas necessária para a moralização da relação que deve ser estabelecida entre o público e privado. Nesse sentido, é muito importante que os órgãos de controle estejam atentos às artimanhas daqueles que não querem a relação pautada na idoneidade e transparência.

EDUCABlog: De que forma a gestão democrática deve atingir o orçamento da SEDF?

R: No orçamento que está sendo planejado para 2012, já fizemos o primeiro levantamento junto às Subsecretarias, Diretorias, DREs, a fim de que já houvesse uma escuta sensível às reais necessidades das escolas. Após aprovado, é preciso que este orçamento seja executado de forma transparente e controlado socialmente. Não vejo problema que possamos, o mais breve possível, acompanhá-lo “on line”, tendo em vista que é público.

EDUCABlog: O que está sendo feito para que os servidores da UAG compreendam a forma de gestão da nova Subsecretária?

R: Estou realizando reuniões em cada núcleo e explicando a importância dos servidores para uma gestão exitosa da SEEDF. Realizaremos o I Seminário da UAG, a fim de traçarmos estratégias para correção de fluxo de processos, darmos celeridade ao cumprimento das demandas e resgatar a organicidade da UAG.

Outro desafio é a profissionalização da área técnica, a partir de oficinas sobre a Lei nº 8.666/93, que regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências.

É fundamental que toda a UAG compreenda a necessidade de evitarmos os contratos emergenciais.

EDUCABlog: O que espera ao longo de sua gestão à frente desta Subsecretaria?

R: Desejo contribuir para a profissionalização qualificada do corpo da UAG, a fim de que ela cumpra com sua função que não é meramente técnica, mas de suporte para que o pedagógico das escolas ocorra da melhor forma possível; construir, coletivamente, uma cultura de percepção e combate aos atos de corrupção no serviço público e resgatar em cada servidor desta Subsecretaria o orgulho de realizar um trabalho sério, lícito e importante para a escola pública, democrática e de qualidade.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui